Café com Avoador

Jornalismo da história presente, da história em movimento 20 de novembro de 2018

Hoje, escrevo para fazer um tributo a arte da escrita, que em mim, entusiasticamente, clama pelo parto da palavra. Momento difícil de alegria e de dor. Logo eu, um sujeito simples, sem nenhum predicado, cheio de vícios de linguagens, fui o escolhido para falar sobre o que aprendi neste site que vi crescer, expandir e ganhar as telas dos celulares, computadores e tablets dos conquistenses. E assim, espero que ele continue crescendo, florescendo em todos os tempos e verbos.

A proposta do site Avoador é fazer um jornalismo aprofundado, no qual todas as vertentes das histórias devem ser ouvidas, apuradas e escritas. A professora, Carmen Carvalho, sempre buscou fazer com que nós, alunos-repórteres, tivéssemos sempre um olhar que rompesse com o vício e o automatismo de enxergar apenas a imagem dada, o senso comum. Ela queria que enxergássemos o que ninguém viu. E até agora que estou escrevendo, ouço sua voz em meus ouvidos dizendo: “O silêncio também é informação”. E silêncio, foi uma coisa que eu não fiz em suas aulas.

Que saudade me vem agora da editoria “Olhares Urbanos”, ao mesmo tempo em que percebo o quanto foi difícil olhar para ver, pois enxergar é o que nós fazemos todos os dias. O ver é diferente, é um desafio! É perceber a realidade invisível que perambula entre ruas e becos deste mundão de meu Deus. O olhar para ver é um ato de resistência que nós, repórteres, deveríamos colocar em prática sempre. Não só nós, mas todos os seres humanos.

Falar da minha passagem pelo Avoador é relembrar da reportagem “E o amor de Maria, quem pode comprar?” Eu não comprei. Faltou dinheiro, faltaram palavras para descrever aquela história de uma mulher batalhadora, que mesmo com tantos desencontros que a vida lhe trouxe, enxuga as lágrimas e busca motivos para sorrir. E eu ainda busco entender, por que Maria, aquela garota de programa, aceitou se confessar a um estranho. Talvez, penso eu, porque ele escreveria a sua história ou porque eu seja um estranho, como tantos outros que passaram por sua vida.

Deixo o Avoador para as próximas turmas de Jornalismo da Uesb e espero que ele seja acompanhado por um café, ou quem sabe, por outra bebida mais forte. Pois preciso continuar seguindo no caminho das palavras, entre torres de letras e paredes de sílabas, vou fazendo dos meus textos sinfonias mudas e espero que toquem profundamente algum leitor. Escrevendo o som e tocando a vida, viro a página. Não vou dizer adeus, e sim, até breve!

Foto de capa: Pxhere.

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