Invisibilidade da mulher no jornalismo e falta de diversidade nas redações são temas de debate na Uesb

Em todo mundo apenas 25% de conteudos jornalisticos abordam a temática sobre mulheres 14 de novembro de 2023 Raquel Soreira

Nesta última segunda-feira (13/11), aconteceu a mesa “Jornalismo Atravessado pelo Gênero”, que é uma das atividades do IV Seminário Internacional Desfazendo Gênero, realizado entre os dias 10 e 14 de novembro, no Auditório II do Luizão da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Foram palestrantes a professoras Cláudia Lago, Carmen Carvalho e Mary Weinsten e a jornalista Sara Wagner York.

O simpósio de trabalho Jornalismo e Gênero trouxe o debate buscou promover a relação entre o jornalismo, o apagamento das mulheres na mídia e a falta de diversidade nas redações brasileiras.  A professora Cláudia Lago, que faz parte da Universidade de São Paulo (USP), apresentou dados a partir de pesquisa realizada com a metodologia do Global Media Monitoring Report em 2020. Segundo ela,  o jornalismo reforça estereótipos de raça, gênero e classe.  Para cumprir sua função social, é preciso uma mudança, que saia desse universo masculista, branco, cis, heteronormativo.” 

A realidade identificada na pesquisa demonstra o quanto as mulheres não tem presença na mídia. Nos veículos analisados do Sul e Sudeste, as matérias tinham como fontes em posições políticas 58% de homens e apenas 19% das mulheres, já quando se tratava de experiência pessoal, 59% das entrevistadas eram mulheres. Na televisão, embora as bancadas de apresentação tinham um equilíbrio na participação de homens e mulheres, respectivamente 85% e 70%, nas notícias as mulheres aparecem apenas em 44%. Esses dados enfatizam uma realidade em que, mesmo que as mulheres sejam maioria, elas não são representadas. “Esses dados apontam que para o jornalismo as mulheres praticamente não existem. É um cenário de um mundo misógino.” 

Na sequência, a jornalista e pesquisadora, Sara Wagner York, que é a primeira âncora tranvesti do jornalismo brasileiro, atuando no veículo 247, compartilhou sua emocionante trajetória como uma mulher trans, a relação de afeto com seu filho, a carreira acadêmica e  profissional que tem construindo, demonstrando o quanto tem sido conquistar o seu espaço no mercado majoritariamente heteronormativo. “Chegar nesse lugar (de primeira âncora do jornalismo) foi árduo! É um lugar que muitas vezes mulheres cis não chegam, imagina uma travesti. Dentro deste ambiente, eu descubro porque mulheres são odiadas,descubro porque a mídia de esquerda odeia LGBTS e entendo porque não conseguimos falar com eles.”

A terceira abordar o tema foi a professora Mary Weinstein. Ela relatou a experiência que teve na iniciativa privada e enfatizou a relevância dos dados e relatos trazidos pelas palestrantes da mesa. “É incrível a pesquisa da professora Cláudia Lago sobre como o jornalismo retrata as mulheres; consigo me identificar. Fui tomada por essa perspectiva na iniciativa privada, onde meu chefe afirmava preferir contratar homens em vez de mulheres. Também impactada pela história da Sara.”

A última a palestrar foi coordenadora do curso de Jornalismo, a professora Carmen Carvalho. Ela resgatou a história do site Avoador e da editoria Maria Maria, que tem contribuído para a discussões sobre gênero em Vitória da Conquista. Também destacou que essas discussões precisam estar incluídas nos curso de Jornalismo. “Para que jornalistas sejam mais inclusivos e não reproduzam estereótipos, eles precisam de uma formação que promova a diversidade em todos os sentido, desde a atuação de mais negros, pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ e mulheres com poder na mídia.” 

Oficinas 

Após a palestra, das 14h às 15h45, foi realizada a oficina “Jornalismo e Gênero”, ministrada pela professora Cláudia Lago. Durante a atividade, ela apresentou como utilizar a metodologia do Global Media Monitoring Report em pesquisa realizadas em veículos de jornalismo. Para isso, ela passou aos participantes uma tabela com categorias para que analisassem um veículo local para identificar como as mulheres eram reportadas nas matérias. 

Outra atividade realizada pelo simpósio Jornalismo e Gênero foi a Oficina “Fotojornalismo e Diversidade” realizada no sábado (11/11) , das 10h às 12h, no Laboratório de Jornalismo, no Prédio Amélia, na Uesb. O responsável foi o fotógrafo Paulo César Lima, que também realizou uma expofragia durante VI Seminário Internacional Desfazendo Gênero.

 

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