Cadê o gancho?

Ombudsman do jornalista Mário Bittencourt para o site Avoador 3 de outubro de 2018

Em 13 de agosto de 2018, pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que a Bahia é o 5º estado do Brasil no ranking de trabalhadores informais, com 2,7 milhões de pessoas atuando sem carteira assinada ou de forma autônoma.

Esse número, referente ao primeiro trimestre de 2018, corresponde a 45,7% da população de 5,9 milhões que trabalham no estado e está acima da média nacional registrada no período, quando 37,2% dos trabalhadores do país estavam na informalidade.

O texto da publicação, parceria minha com Yasmin Garrido e publicado no Correio no dia seguinte, trazia um complemento importante: o que as pessoas que ganham a vida na informalidade devem fazer para ter uma aposentadoria mais ou menos digna.

Uma das partes que fiz na reportagem foi a entrevista com o especialista em previdência privada. Ele disse que as pessoas que atuam na informalidade devem guardar ao menos 10% do seu salário para investir em planos privados de previdência, caso não queiram no futuro ter também uma “aposentadoria informal”.

Isso que o especialista me falou veio logo à mente quando vi seu Severino Oliveira, um camelô de 79 anos, numa videorreportagem sobre a profissão no site Avoador, publicada em 10 de setembro.

Passei a imaginar o que ainda leva um homem com quase 80 anos (a expectativa de vida do brasileiro) a ser camelô. E ele já tem 25 anos na profissão, segundo a reportagem.

E tal qual seu Severino, outros de pouco menos idade que ele atuam também como camelôs em Vitória da Conquista, prestando serviços – ou seja, estão todos na informalidade, como mostrou a pesquisa do IBGE.

Mas na reportagem do Avoador, para o meu espanto, não tinha um dado sequer sobre essa pesquisa, e isso foi o que mais me chamou a atenção.

Na verdade, imaginei que a reportagem seria sobre o mesmo assunto que tinha escrito uns dias antes, mas com enfoque local – e isso poderia ser feito usando os mesmos entrevistados, e complementando com outros mais novos, além de especialistas.

A informação sobre a pesquisa do IBGE era essencial para a reportagem, sobretudo para dar o tom de atualidade, afinal é com isso que o jornalismo trabalha – com fatos atuais.

Afinal, por qual motivo mesmo se falou dos camelôs? Longe de mudar o foco, a pesquisa serviria para mostrar uma realidade crescente na Bahia e no país, onde são mais de 14 milhões de desempregados.

Com acesso a internet, ligações de telefone (possibilitada com os planos mais baratos das operadoras) e um pouco mais de disposição é possível informar melhor às pessoas. Buscar contatos é algo que se tornou muito fácil, hoje em dia – conseguir falar com as fontes ou ter retorno de emails é que às vezes demora, mas isso é outro assunto.

Essa reportagem dos camelôs faltou o básico no jornalismo: o gancho, e ele poderia ser aproveitado para falar da realidade local, estadual e brasileira, e ao mesmo tempo incentivar os mais novos que estão na informalidade a pensarem mais no futuro.

Últimas

O site Avoador precisa ter uma lista de últimas notícias, tanto geral, com todas as publicações, quando das outras editorias. Na “home” dá para ver somente o ícone de “Últimas”, mas quando se passa o mouse por cima ele não leva a uma página, como deve ser. Isso é essencial para o leitor saber, sem precisar entrar na reportagem, quando ela foi publicada.

No que se refere às editorias, o número da página das publicações não está avançando. Onde fica “1, 2 >>” não passa do 1. Mais um impeditivo para quem busca saber sobre publicações anteriores, ou então de um mês em questão.

Na “home”, em “Mais lidas”, sugiro mudar as letras das chamadas em amarelo. A leitura fica mais suave no cinza.

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Mário Bittencourt é Jornalista formado pela Uesb, é repórter do jornal Correio e colaborador da Folha de S. Paulo, UOL e BBC News Brasil. Especialista em Análise do Espaço Geográfico e em Comunicação e Marketing em Redes Sociais, está como Ombudsman do Avoador. Email: mariobitten@yahoo.com.br