Declarações machistas e sexistas de motorista da Uber ganham repercussão em Conquista

Motorista foi denunciado no Instagram por meio de vídeos publicados no perfil de um influencer da cidade 28 de agosto de 2018

Mais uma vez, um caso de apologia ao estupro ganhou repercussão em Vitória da Conquista. Um motorista do aplicativo Uber, identificado como Fabiano, foi alvo de denúncias na internet após publicações feitas por um jovem da cidade na rede social Instagram, na noite da última quinta-feira, 23. Durante viagem de volta para casa, o influencer Israell Cavalcante gravou vídeos do motorista, aparentemente alcoolizado, fazendo declarações machistas e sexistas contra mulheres.

Print denunciando motorista circulou por diversas redes sociais. Reprodução: Instagram.

Em um dos vídeos publicados no stories de Israell, Fabiano se referiu às mulheres com termos como “piriguetona” e “cachorrona” e afirmou ainda que elas merecem ser estupradas por “usarem roupas curtas”. Um print com o nome e foto do motorista, além do modelo e placa do carro no aplicativo, também foi publicado juntamente com os vídeos.

Mesmo que a publicação do print com os dados pessoais do motorista tenha ficado menos de 24 horas disponível no perfil de Israell, isso já foi o suficiente para que ela fosse compartilhada por muitas pessoas em suas redes sociais. Nesses compartilhamentos, havia indignação e apoio a atitude do influencer, que também aumentou o seu número de seguidores por conta da denúncia.

Outras mulheres declararam a Israell que já haviam sido vítimas de constrangimento pelo motorista. “Na segunda vez que peguei Uber com esse homem, confesso que fiquei com receio de acontecer algo, pois ele repetidamente perguntava se eu era solteira e se o destino que eu ia era de parentes”, escreveu uma delas.

A advogada e professora do curso de Direito da Uesb, Luciana Silva, entendeu que “não houve crime, mas sem dúvida foi uma atitude machista [do motorista] culpabilizar a mulher pela violência sexual, típico caso da horrenda e nefasta cultura do estupro”. Para ela, cabe à Uber analisar e decidir sobre as atividades do motorista, levando em conta os seus valores.

Em mensagem, a empresa, que atua em Vitória da Conquista desde o ano passado declarou: “Já recebemos a denúncia e todas as medidas cabíveis serão tomadas, mas para que possamos ter mais agilidade no processo, precisamos que todas as pessoas que já fizeram corrida com esse motorista reportem o ocorrido através do aplicativo. Peço que se tiverem conhecimento de clientes que passaram por tal constrangimento, esclareça o ocorrido e peça para que a denúncia seja feita!”.

Após o ocorrido, a Uber informou ainda que o motorista não é mais colaborador da empresa e ratificou que todos aqueles que agem contra os seus valores e políticas devem ser denunciados. A equipe do Avoador também entrou em contato com Israell para saber mais informações sobre o ocorrido, mas até o momento da publicação desta matéria não obteve resposta.

Violência contra a mulher

Casos de violência contra a mulher são recorrentes em Conquista. No último dia 14 deste mês, um taxista foi preso na cidade, acusado de dopar e estuprar uma cliente no percurso de uma viagem. Ao acordar, a vítima se deparou em um motel com sinais de violência sexual. O caso ocorreu uma semana depois que a Lei Maria da Penha completou 12 anos. Em maio, o Avoador também denunciou um bar de Vitória da Conquista responsável por uma publicação que mostrava mulheres penduradas e amordaçadas, seguida da legenda “estoquem comida”.

Ainda não há nenhuma estatística tabulada sobre casos de violência contra a mulher por taxistas ou motoristas de aplicativos. Mas, em 2017, o Brasil registrou, em média, 135 estupros por dia, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-BA), no primeiro semestre de 2017, divulgou mais de 23,4 mil casos de violência contra a mulher na Bahia. Já em Vitória da Conquista, foram registrados 377 casos de violência doméstica e abuso sexual, de acordo com os últimos dados divulgados em 2015.

O telefone 180, canal da Central de Atendimento à Mulher, é utilizado para receber denúncias em todo o país.

Foto de capa: TecMundo.

 

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