Superação e luta pelas pessoas com deficiência

Hoje, como presidente da Associação Conquistense de Integração do Deficiente (Acide), Alana Sheila Silva Santos conta a sua história para mostrar que a deficiência visual não limita a sua vida 17 de fevereiro de 2020 Tarcísio Arcanjo

Filha de Arnaldo dos Santos e Maria Vitória Silva, Alana Sheila Silva Santos nasceu com glaucoma, doença que aumenta a pressão dentro dos olhos, causa lesões no nervo óptico, e é uma das principais causas de cegueira em crianças no Brasil. A deficiência não foi empecilho para ela estudar, conquistar o seu espaço como mulher e tornar-se presidente da Associação Conquistense de Integração do Deficiente (Acide), de Vitória da Conquista.

Nos anos 1980, Lana, como é carinhosamente conhecida entre família e amigos, viveu sua infância, em Conquista, região Sudoeste da Bahia, e seus pais não tinham acesso a discussões sobre acessibilidade e inclusão. Naquela época, Arnaldo e Maria não sabiam como ajudar a filha que, por conta da deficiência visual, enfrentava dificuldades para realizar atividades cotidianas e desenvolver o seu processo de aprendizagem nas escolas com as outras crianças sem deficiência. Apenas quando completou nove anos de idade, Alana iniciou sua vida escolar no Instituto de Cegos da Bahia (ICB), em Salvador. Lá, ela aprendeu o Braile, sistema de leitura e escrita tátil para cegos.

Além do Braile, Alana também tinha à sua disposição no instituto em Salvador, o Soroban, instrumento utilizado no ensino de matemática para pessoas com deficiência visual. É uma peça que exige o uso do tato para a realização de cálculos. Aquela era a primeira vez que Alana fazia parte de um ambiente totalmente inclusivo. Ela permaneceu no ICB até os 18 anos, idade limite para que pudesse ser transferida para o internato, onde concluiu o ensino médio.

deficiência visual

Alana Sheila: “Eu estou sempre disposta a contar a minha história para que os outros vejam a deficiência visual não me impede de ter sucesso na vida”. Foto: Arquivo Pessoal

Ao retornar  a Conquista, Alana decidiu cursar o Magistério no Instituto de Educação Euclides Dantas, popularmente conhecido como Escola Normal. Foi também durante esse período que ela conheceu a Acide, responsável por desenvolver uma educação não-formal de pessoas com deficiência com o uso de tecnologias assistivas no processo de aprendizagem. Por meio dessa ferramenta, que permite a transcrição de textos, conseguiu acompanhar as atividades das disciplinas e continuar os estudos na nova escola.

Depois de finalizar o curso de Magistério, ela passou a trabalhar como voluntária na Acide para retribuir todo o apoio que recebeu enquanto estudava. Meses depois, Alana se tornou professora efetiva ao ser aprovada em um concurso na entidade e, em 2018, foi eleita a primeira mulher presidente. “Eu participei de assembleias, compus chapas, trabalhei na secretaria, até que chegou o momento que o pessoal achou que eu seria um bom nome para a presidência.”

Apesar de todas as dificuldades que enfrentou para chegar até ali, ela diz que nunca perdeu a vontade de lutar pelos direitos das pessoas com deficiência. “Eu estou sempre disposta a contar a minha história para que os outros vejam que ter uma deficiência visual não me impede o sucesso na vida.”

Foto de capa: Avoador

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