Dançando conforme a vida

9 de junho de 2017

Neide Correia, 55 anos, mais conhecida como Xuxa, apelido que prefere ao nome, é uma figura popular em Vitória da Conquista. Nas festas de São João na Praça 9 de Novembro, ela é uma atração à parte, transforma o simples ato de dançar livremente e sozinha no meio do público em uma forma de manter o alto astral. “Gosto de dançar porque quero ter alegria, paz e sossego no coração. Fico alegre com tanta gente perto de mim”, disse.

Xuxa é uma mulher vaidosa, adora brincos, colares, pulseiras e seu pente está sempre à mão, a cada giro ao dançar o cabelo é arrumado. Suas roupas são microvestidos, saias rodadas, feitas especialmente para as festas e, quando gosta de um modelo, manda fazer várias cores do mesmo. Suas coreografias na dança não são coordenadas e definidas, são soltas, mas estão sintonizadas com os ritmos das músicas. O conjunto entre a vestimenta e o bailado chama a atenção do público pela espontaneidade e carisma.

O entusiasmo pela dança começou há muito tempo. Ela conta que perdia noites dançando em um bar chamado Bareta, no forró que existia no fundo do Ceasa, na praça 9 de Novembro e, em muitos outros lugares, para aonde a convidavam. “Quando eu estava dançando, o povo me botava pra cima, e gritava: Xuxa, deixa eu dançar mais tu?”, conta efusivamente.

Depois, ela começou a dançar nas festas juninas. O primeiro foi o extinto “Arraiá da Saudade”, um dos famosos barracões de forró que havia na cidade nos anos de 1980. Inclusive, foi nesse barracão que Neide recebeu o apelido que tanto aprecia. “Foi um cara que chegou, não sei quem era não, e gritou: Xuuuuxa, forrozeira”. E Xuxa virou praticamente o nome de Neide na cidade, que a conhece assim.

Foto: Maria Carla.

Foto: Maria Carla.

Quando chega junho, mês das festas de juninas no nordeste, Xuxa fica na expectativa e ansiosa para os festejos começarem. Como todos os anos, já estão prontos os vestidos para cada dia.  Em geral, às 18h, quando o show dos forrozeiros começa, ela já está lá preparada para aproveitar o máximo possível. O lugar preferido dela é na frente do palco. De onde, o público pode visualizá-la bem. “O povo já fica me esperando. Quando eu não estou lá, o povo vai embora. Quando eu vou descendo pra praça, o povo vem atrás de mim. E diz: ‘Ela tá descendo, o forró vai ser bom, vamos, vamos”, conta efusivamente.

Mas a vida tem suas surpresas. Quando Xuxa perdeu sua mãe há quinze anos, sua companheira, a vida perdeu a graça, e ela vivia triste e a solidão era grande. Durante o luto, ela parou de dançar. “Tenho muita saudade da minha mãe, muita saudade”, lamenta. Para superar a ausência da mãe, Xuxa voltou a participar das festas. Por isso hoje ela aconselha a quem estiver deprimido a ir mexer o corpo. “Ô mulher. sai de dentro de casa, vai dançar, vai curtir, ter alegria, paz”, sugere.

Além da dança, ela adora pedalar, e percorre a cidade na sua bicicleta tanto no lado oeste como leste. Questionada sobre suas roupas curtas, ela diz, sem cerimônia, que usa “para chamar atenção mesmo” e que adora “pedalar, correr terra e ouvir o povo gritar: Xuuuuuxa!”.

Ela é a alegria e a irreverência em pessoa, faz da sua vida um palco, onde a alegria de viver e a dança são a grande atração. E seu sonho é um dia ser homenageada tendo um nome de rua com seu apelido em Conquista, e seria assim: “Rua Xuxa Forrozeira”.

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