Fotografia na visão do Sabiá

9 de junho de 2017

Lançar olhares sobre coisas, pessoas e paisagens faz parte do trabalho dos fotógrafos. Vivaldo Leão Rocha, 59 anos, mais conhecido como Sabiá, fotógrafo em Vitória da Conquista, é um desses profissionais, elegeu a lente de uma câmara como seu segundo olhar. Para ele, “fotografar é desenhar com a luz”.

Rocha nasceu em Conquista, mas passou grande parte de sua vida na zona rural do município. Quando era jovem, trabalhou em uma gráfica, e foi lá que recebeu do patrão o apelido que até hoje o acompanha. Virou então Sabiá porque era ágil como um pássaro. Logo depois, trabalhou no Instituto de Terras da Bahia, onde pôde manusear um aparelho chamado ‘teodolito’. E foi por meio das imagens vistas nesse aparelho que ele sonhou mais alto e vislumbrou se tornar um fotógrafo.

Na época, Sabiá já era adulto, com um emprego estável, mas a fotografia o fisgou. Adquiriu uma câmera e começou a fazer variadas fotos. Não demorou e seu talento foi reconhecido pelas pessoas. Surgiu então o desejo de se aprofundar e conhecer mais sobre o universo fotográfico. Largou o trabalho no Instituto de Terras e passou a se dedicar apenas a fotografar. O que era uma paixão virou uma profissão. A partir daí, ele foi buscar mais conhecimento a respeito da câmera, aprimorou o olhar e também desenvolveu trabalhos que podem contar a história de Conquista.

“A fotografia diz muito sobre a realidade e é preciso saber o que fotografar, antes mesmo de pegar em uma câmera”, explica o fotógrafo. Daí o porquê o contato com o equipamento é fundamental, sendo necessário manter uma ligação umbilical com a fotografia. “Tem fotógrafo que dorme e acorda com a câmera, pois, a qualquer momento, pode pintar algo interessante para fotografar”. Dessa entrega do profissional é que pode surgir como resultado fotografias que podem contar histórias que mudam vidas, mudam realidades, mudam sociedades.

Por isso Sabiá mantém uma rotina diária que o impõe a fazer uma observação cuidadosa da natureza. Pela manhã, ele olha detalhadamente plantas, flores e o orvalho na busca pela imagem perfeita. Assim, busca a potencializar a sensibilidade, o olhar diferenciado. Além disso, ele também mantém um olhar apurado para as histórias das pessoas e do cotidiano da vida na feira da cidade.

Foto de arquivo pessoal.

Foto de arquivo pessoal.

O fotógrafo destaca ainda algumas técnicas de fotografia que foram fundamentais na sua formação. Segundo ele, para fotografar é preciso estudar a foto, ter curiosidade, observar o enquadramento e conhecer todas as funções existentes na câmera fotográfica. Nesse processo de aprendizagem, Sabiá estudou sozinho e escrevia em um caderno as percepções que tinha sobre a fotografia.

Suas primeiras fotografias foram da natureza, flores e borboletas, até mesmo o orvalho fazia parte do cenário. Sabiá acordava cedo para tirar a melhor foto, chegou a cultivar plantas para fotografá-las enquanto cresciam. Mas o que gostava capturar era o cotidiano das pessoas, o ordinário, aquilo que ninguém costuma ver, como pessoas em situação de rua, os “loucos”, como muitos dizem, que por alguma razão ou uma paixão se tornaram assim. “A imagem precisa falar.Você tem que olhar pra uma imagem e conseguir apreciar seus detalhes, a luz e a expressão do que está sendo fotografado”, explica.

Sobre Conquista na atual conjuntura, ele diz que é uma cidade de poucos fotógrafos e que a velocidade dos tempos de hoje tornou a fotografia banal, em alguns casos. “Se tira muitas fotos, há muita imediatismo, e se esquece de captar o contexto. Todo mundo fotografa, mas não se faz uma grande foto. Todo mundo escreve, mas não é um Machado de Assis”, lamenta. Também destaca o número crescente de formaturas e casamentos na cidade que contribuem para a manutenção da fotografia tradicional, a imagem em momento e o recorte e eternização da história de cada pessoa.

Sabiá conta ainda que hoje em dia prefere mais falar sobre fotografia a amigos e estudantes do que a de fato fotografar. Não é que a paixão dele pela fotografia arrefeceu ou morreu, só ganhou outra dimensão: agora, ele gosta de repassar aos demais o conhecimento que acumulou ao longo dos anos. Seu foco é inspirar pessoas com a sua experiência. Sabiá não canta, mas o seu olhar aguçado vai além do obvio, encanta com a sua fotografia.

Galeria: Fotos feitas por Sabiá.

 

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