Geladinhos da Sol

Depois de criar um grupo no Whatsapp para divulgar seus produtos, a moradora do assentamento Santa Marta começou a vender cerca de 150 geladinhos por dia na Uesb, em Vitória da Conquista 30 de janeiro de 2020

“Boa tarde! Tá calor, hein? Tudo bem contigo? Vai querer o que hoje?”. É com essas perguntas e um sorriso no rosto que Solange Pereira dos Santos Nazaré, carinhosamente apelidada de Sol, chama a atenção das pessoas no campus da Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), em Vitória da Conquista, para vender seus geladinhos. Sol tem 34 anos, é moradora do assentamento Santa Marta, auxiliar de saúde bucal e mãe de duas crianças, uma menina de 11 anos e um menino de quatro.

Antes de vender geladinhos na Uesb, Sol trabalhou em duas clínicas odontológicas e foi auxiliar de confeitaria em uma rede de supermercados de Conquista. No início de 2019, ela perdeu o emprego e, por causa da dificuldade de se inserir novamente no mercado de trabalho formal, decidiu, há cerca de dois meses, vender geladinhos para ajudar o marido, que é servidor da Uesb, com as despesas da casa.

Com muito esforço e gentileza na hora do atendimento, Sol conquistou clientes fiéis e também admiradores do seu trabalho, como a estudante do curso de Biologia da Uesb, Tacielle Macebeu. Depois de provar os geladinhos de Sol e observar o seu empenho na venda dos produtos, a jovem pediu a sua autorização para fotografar os geladinhos e divulgar os valores, sabores e horários de venda no seu grupo de amigos no WhatsApp.

geladinhos da sol

Sol vende cerca de 150 geladinhos por dia no campus da Uesb, em Vitória da Conquista. Foto: Arquivo Pessoal

A divulgação deu certo e a clientela cresceu tanto que Sol decidiu criar um grupo no Whatsapp, o “Geladinhos da Sol”, para receber pedidos de encomendas e atender de forma mais rápida os seus clientes. Hoje, ela vende cerca de 150 geladinhos por dia e a sua maior alegria é voltar para casa com o cooler vazio. “Sou grata todos os dias! Quando termino meu trabalho, eu agradeço a Deus e ao pessoal da Uesb”, disse a vendedora.

Sol não sabe quando vai conseguir um emprego, mas, por enquanto, ela está feliz com o sucesso dos geladinhos e por passar mais tempo com os filhos em casa. “Eu estou aproveitando esse momento com as crianças, arrumando eles para a escola e a creche. Até prefiro essa rotina, gosto de ficar mais perto dos meus filhos”, contou.

Apolo, chup-chup, dindin, sacolé, juju, dudu, brasinha, gelinho ou geladinho. O nome pode variar por cidade ou região mas, para Sol, independente de como é chamado, esse produto é o que tem contribuído para o sustento da sua família. “Apesar das dificuldades, a gente tem que ter fé e encarar as barreiras que a vida coloca no nosso caminho”.

Foto de capa: Arquivo Pessoal

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *