#NaLinhadeFrente: o enfermeiro dedicado a cuidar dos pacientes

Em Vitória da Conquista, Mateus cuida dos pacientes da covid-19 e aprende a lidar com o medo do possível contágio 3 de maio de 2020 Jhou Cardoso

De uniformes brancos, toucas, luvas e, agora, máscaras para se proteger contra o novo coronavírus, os enfermeiros estão na linha de frente do combate à pandemia que já causou mais de seis mil mortes no país. Com escolas, universidades e estabelecimentos comerciais fechados e as ruas paradas, esses profissionais seguem trabalhando para garantir à população cuidado e atendimento médico. Eles, junto dos auxiliares que carregam vassouras, baldes e garantem a higienização correta do local, são considerados anjos em meio ao caos.

Na luta contra a covid-19 é preciso ter cuidado e muita coragem. E isso é o que não falta em Mateus Vasconcelos dos Santos, 23 anos. Formado em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ele trabalha há quase um ano em um das unidades hospitalares de Vitória da Conquista.

Ainda quando cursava o ensino médio, Mateus queria exercer uma profissão na qual pudesse cuidar das pessoas nos instantes em que elas se sentissem mais vulneráveis. “Muitas vezes nosso corpo fica fragilizado, e eu queria ajudar as pessoas nestes momentos. Fiquei entre Psicologia, Odontologia ou Enfermagem, acabei escolhendo a Enfermagem”, contou com um sorriso nos lábios, demostrando que se sente realizado com a carreira que escolheu seguir.

Durante o período na faculdade, o jovem buscou conhecer a rotina dos hospitais. Estudava pela manhã e estagiava à tarde. Ele fazia de tudo um pouco, auditorias de prontuários, classificações de risco e outros serviços internos. Em 2017, Mateus participou de um projeto realizado em parceria com a Prefeitura Municipal, onde era feito o rastreamento de pacientes com hipertensão, diabetes e risco cardiovascular.

Quando finalizou a graduação, em 2018, ele foi chamado para trabalhar em um dos hospitais de Barreiras, sua cidade natal. Ficou seis meses por lá, atuando na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal, onde cuidava dos recém-nascidos. Agora, ele luta contra o coronavírus em Conquista.

Ele entra no serviço às 7h e sai às 19h. O enfermeiro já começa os cuidados quando sai de casa. Além de andar sempre de máscara e trocá-la de quatro em quatro horas, a roupa que usa para trabalhar, um pijama cirúrgico, não entra mais no pequeno apartamento onde mora.

Cada leito da enfermaria tem suas histórias. Algumas de personagens que partiram para não mais voltar e outras de quem viveu para contar. Mateus lembra do primeiro paciente que testou positivo para a covid-19. A pessoa tinha chegado feliz e saiu deprimida, cabisbaixa. “Ao receber o diagnóstico positivo, o paciente já fica fragilizado. Porque ele sabe que não pode mais voltar para a família. A forma como ele saiu, é de ficar com o coração apertado.”

Praticando a arte do cuidado, em tempos de pandemia, Mateus aprendeu a lidar com o medo de um possível contágio de coronavírus fazendo psicoterapia on-line. Mas, olhando ao seu redor, ele enxerga o temor nos rostos dos seus companheiros de batalha: “Eu vejo muita preocupação dos meus colegas com as suas famílias. Muitos são pais, mães e dizem que estão sozinhos em casa, pois eles têm medo de estarem assintomáticos e passar para algum familiar. Já que, muitas vezes, a doença não apresenta sintomas nenhum.”

Com os olhos cheios de esperança, o jovem enfermeiro espera por dias melhores e confirma o que todos já sabemos: a melhor forma de combater o coronavírus é ficando em quarentena. “Eu acredito que vá passar. Pode ser que demore um pouquinho, mas daqui para o final do ano, espero que tudo isso tenha passado”. E continua dando as seguintes instruções: “Fique em casa e tente se distrair com coisas que você goste de fazer! Se precisa sair, permaneça distante das outras pessoas. Lave as mãos a todo instante, até mesmo dentro de casa, e evite o contato delas com os olhos, boca e nariz”.

Aos companheiros que estão junto com ele no tratamento dos pacientes da covid-19, Mateus deseja força para continuar cuidando, dando assistência e se colocando sempre no lugar do paciente. “Quanto tudo isso acabar, vamos estar muito satisfeitos por termos ajudado muitas pessoas. Ver que um paciente melhorou é um sentimento de alegria muito forte.”

Foto de capa: Arquivo Pessoal

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