#VidaNoCirco| A arte do palhaço Manzanita

Natural do Chile e filho de músico, o artista sonha em ter o seu próprio show e fazer apresentações beneficentes para ajudar outras pessoas 15 de março de 2020 Brendon Eduardo

“Respeitável público, com vocês o motoqueiro fan-tás-tico”. É o que anuncia uma voz masculina de tom grave para o público do Tirullipa Circo Show, em Vitória da Conquista. Tudo fica escuro no picadeiro e, de repente, uma meia luz se acende. Ao som de uma música animada, surge uma figura vestida com roupas coloridas, um macaquinho de pelúcia pendurado no pescoço e o rosto pintado. Fazendo uma dança engraçada, o palhaço Manzanita sobe ao palco com um sorriso no rosto e arranca gargalhadas da plateia.

Francisco Espinoza Cárdenas é o nome do homem por trás das cores do palhaço Manzanita. Ele tem 30 anos e nasceu em Santiago, capital do Chile. Há 15 anos, metade de sua vida, ele se dedica ao circo, mas nem sempre foi assim. Aos 12, Manzanita trabalhava como empacotador de supermercado, colocando as compras dos clientes em sacolas. “Isso chamava a atenção porque eu era criança e estava empenhado em ganhar meu dinheiro. Eu colocava muita dedicação em meu trabalho”, relembrou o artista.

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“Não é o salário, é o carinho, isso que me motiva. Quando as pessoas gostam, isso me motiva e penso em me superar. O essencial de fazer esse trabalho é amar o que faz”, Manzanita. Foto: Lucas Oliveira

Ainda com 12 anos, Manzanita descobriu o seu verdadeiro talento. Não tirava boas notas quando estudava, mas alegrava os colegas com brincadeiras. “Queria ser palhaço desde a escola. Sempre me expulsavam da sala porque eu fazia palhaçada”. A admiração pela arte circense é herança de seu pai que trabalhava nas orquestras musicais. “Eu acompanhei meu pai em algumas turnês. Ele morava em barraquinhas porque antes era mais difícil ter conforto no circo.”

Manzanita iniciou a carreira nos circos pequenos que chegavam a Santiago e, geralmente, eram montados em quadras de futebol. Foi neles que ele teve, pela primeira vez, a oportunidade de subir ao palco e descobrir os encantos dos risos e dos picadeiros. Em 2011, o palhaço chileno chegou ao Brasil e foi trabalhar no Circo Vostok. Sete anos depois passou ao Circo Maximus que, após parceria com o comediante Tirullipa, passou a se chamar Tirullipa Circo Show.

Além de divertir o público com suas piadas e brincadeiras, Manzanita também toca trompete. Essa habilidade é algo que surpreende a plateia quando assiste ao seu show pela primeira vez, pois nem todo palhaço domina a arte de tocar um instrumento musical. O trompete é uma homenagem ao pai, com quem aprendeu o básico. “Ele faleceu em 2011, e eu fiquei com o trompete. Há 5 ou 6 anos, eu subi ao picadeiro fazendo brincadeiras e falando que ia fazer uma orquestra com o público. Usava o trompete só como brincadeira, para fazer barulho.”

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“Eu penso em ter um show só meu. Aí dentro do meu projeto, quero percorrer os lugares que já passei com o circo e fazer shows beneficentes”, Manzanita. Foto: Lucas Oliveira

Manzanita disse que se inspira nos palhaços europeus, que são muito valorizados por tocarem instrumentos musicais nos picadeiros. Ele não sabe ler notas musicais, aprendeu a tocar assistindo vídeos de trompetistas, observando a maneira como eles usavam as mãos. “Ser filho de um músico também ajudou porque eu tenho ouvido bom para aprender a tocar músicas”, disse.

No Brasil, Manzanita encontrou o carinho do público que o motiva a cada espetáculo. “Têm muitas pessoas que disseram que vieram cinco vezes me ver, e isso é gratificante. Não é o salário, é o carinho, isso que me motiva. Quando as pessoas gostam, fico motivado a me superar. O essencial de fazer esse trabalho é amar a profissão”.

No futuro, Manzanita pensa em ajudar as pessoas de alguma forma. “Eu penso em ter um show só meu. Aí dentro do meu projeto, quero percorrer os lugares que já passei com o circo e fazer shows beneficentes. Pediria um quilo de alimento para fazer doação e eu me sustentaria com a venda do algodão doce, da pipoca, de refrigerante”.

Francisco Espinoza Cárdenas, o palhaço Manzanita, tem prazer em trabalhar naquilo que ama e busca fazer com excelência.  Conquistar o sorriso da plateia é o que o deixa feliz. Para isso, todos os dias, ao subir ao palco, ele faz o seu melhor musical e as suas melhores brincadeiras. E o seu respeitável público retribui com muitos aplausos e, muitas vezes, com o retorno para rever o espetáculo.

Foto de capa: Lucas Oliveira

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