Avanços científicos trazidos pela pandemia da covid-19

Atualmente mais de 1,7 mil estudos com terapias em potencial, estão sendo monitorados pela OMS. Dessas, 990 já convocaram pacientes para testes 27 de setembro de 2020 Da Redação

Desde o início da pandemia da covid-19, a população mundial que modificar hábitos de higiene e praticar o distanciamento social, medidas necessárias para conter a disseminação da doença. Durante esse período, avanços foram alcançados pela ciência, como o desenvolvimento de tratamentos para os infectados pela doença e pesquisas da vacina por meio parcerias e colaborações entre estudiosos.

De acordo com os professores do Departamento de Fisiologia Humana da Universidade do País Basco, Begoña Sanz e Gorka Larrinaga, “embora possa parecer uma eternidade, é um período (o da pandemia) muito curto para se obter avanços em pesquisas”.

Por outro lado, Miguel Pita, doutor em genética e biologia celular na Universidade Autônoma de Madrid, disse que é um avanço que existam parcerias entre estudiosos e quanto elas têm contribuído para progressos no combate à covid-19. “Os pesquisadores tendem a ser muito colaborativos, mas a pandemia foi um estímulo adicional. E os resultados têm sido compartilhados rapidamente para todos os grupos”.

“Obviamente, a pressão exercida pela gravíssima situação sanitária e socioeconômica mundial fez aumentar a colaboração de muitas universidades, grupos e centros de pesquisa”, admitem Begoña e Larrinaga.

Outra área beneficiada foi a da bioinformática que teve inovações na forma de analisar sequências do material genético de cada vírus. Desde o final de dezembro de 2019, quando a existência do novo coronavírus foi relatada à OMS (Organização Mundial da Saúde) pela China, até o começo de setembro, 12 mil mutações no genoma do vírus já foram registrados por cientistas de todo o mundo, segundo a revista científica Nature.

“A comunidade científica está colocando suas melhores ferramentas a serviço desta investigação – aumentando muito a capacidade de cálculo e de revisão das alterações genéticas do coronavírus”, disse o professor Pita sobre o sequenciamento do vírus.

Identificar infectados e isolá-los é uma das principais dificuldades desde o começo da doença. Para evitar o contágio de mais pessias, é preciso que essas pessoas sejam detectadas para tentar conter a covid-19. Miguel Pita ressaltou a importância do  “desenvolvimento de técnicas de diagnóstico muito poderosas e que usam ferramentas de edição de genes, – um elemento muito importante da genética hoje”.

Apesar dos testes de diagnóstico rápido apresentarem resultados menos confiáveis por serem “menos sensíveis” que os testes moleculares (PCR), o benefício do resultado imediato é importante e auxilia epidemiologistas a traçar um horizonte sobre o avanço (ou não) da covid-19 em certas localidades.

O desenvolvimento de técnicas para diagnóstico do Sars-CoV-2 é imprescindível para o diagnóstico correto do vírus e consequente escolha do tratamento, de acordo Pita.

Para os cientistas, a única forma de imunizar a população é por meio da vacina. Em média, são de 4 a 10 anos para o desenvolvimento de uma imunização em massa assim. Se essa for desenvolvida dentro de um ano ou um ano e meio, será um recorde para a ciência. “Se, como diz a OMS, isso acontecer em 2022, embora nos pareça distante -, seria um grande sucesso, considerando o tempo que se levou para obter outras vacinas e aplicá-las em grande parte da população mundial”, explicaram Begoña Sanz e Gorka Larrinaga.

Além da imunização, estudiosos dedicam-se no desenvolvimento de tratamentos para as pessoas infectadas. A terapia tem sido feita tanto com uso de medicamentos novos e remédios já existentes quanto no fortalecimento do sistema imunológico.

Atualmente mais de 1,7 mil estudos com terapias em potencial, estão sendo monitorados pela OMS. Dessas, 990 já convocaram pacientes para testes.

Para os professores Begoña Sanz e Larrinaga, “outro grande avanço, não diretamente relacionado às pesquisas nos laboratórios mas que é fundamental para o futuro, é a introdução na cultura dos cidadãos de certos hábitos de higiene e prevenção que ajudarão a conter este e outros surtos causados por vírus”.

O uso de máscaras de proteção, o distanciamento social, a higienização de superfícies e compras, assim como das mãos, foram alguns hábitos incorporados à rotina da população. Em estudo comparativo, a British Medical Journal (BMJ) comprovou que ações em combate à covid-19 foram responsáveis por diminuir o número de casos e consequente mortalidade por outras doenças respiratórias virais. O número é nove vezes menor do que nos últimos cinco anos, de acordo dados de 500 clínicas na Inglaterra.

Segundo Mercedes Jiménez Sarmiento, bioquímica do Centro de Pesquisas Biológicas Margarita Salas, na Espanha, a sociedade passou por uma mudança profunda que mostra o quaão necessária é a ciência na busca de uma solução.

Para ela, “comunicar ciência não é fácil”, pois “são conteúdos complexos com uma linguagem segmentada. Os avanços também são lentos e com base em evidências muitas vezes não óbvias, que se modificam quando surgem novas evidências. E isso é difícil de aceitar”.

Sarmiento considera os progressos até aqui alcançados e pontua “tem havido um grande avanço mútuo da ciência e da sociedade, porque agora estão mais próximas do que nunca e devem se apoiar”.

Fonte: BBC Brasil

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