9 hospitais na Bahia chegam a 100% de ocupação das UTI’s neste fim de semana

Governador Rui Costa alerta para o colapso do sistema de saúde se a situação não melhorar 15 de fevereiro de 2021 Denilson Soares

Neste último domingo (14/02), de acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), 64% dos leitos destinados aos pacientes com a covid-19 estavan ocupados e os de UTI’s tinham uso em che71%. No entanto, nove unidades de saúde tinham 100% de ocupação dos leitos por conta do aumento nas últimas semanas dos óbitos e de quadros clínicos mais graves.

Os hospitais que foram identificados sem vagas na Bahia são: Hospital Geral Cleriston Andrade (100% de ocupação de leitos clínicos – Feira de Santana), Hospital Santa Helena (100% de ocupação de leitos de UTI adulto – Camaçari), Hospital De Campanha Covid19 Itaigara Memorial (100% de ocupação de leitos clínicos – Salvador), Hospital do Subúrbio (100% de ocupação de leitos clínicos – Salvador), Hospital Regional Dantas Bião (100% de ocupação de leitos clínicos – Alagoinhas), Hospital Regional Costa Do Cacau (100% de ocupação de leitos clínicos – Ilhéus), Hospital Calixto Midlej Filho (100% de ocupação de leitos clínicos – Itabuna), Hospital Manoel Novaes (100% de ocupação de leitos de UTI pediátrica – Itabuna), Hospital São Vicente (100% de ocupação de leitos de UTI adulto – Jequié).

No sábado (13/02), o governador Rui Costa (PT) alertou para risco de colapso no sistema de saúde. “Se continuar esse ritmo de crescimento da doença na Bahia, em duas ou três semanas nós podemos estar pior do que estávamos em julho do ano passado e corremos o risco de ter colapso no sistema de saúde, o que, em nenhum momento nós tivemos desde o início da pandemia”, disse.

Ainda segundo Rui Costa, o estado está hoje com níveis de transmissão iguais aos de agosto de 2020, quando os casos ainda cresciam. A média de pacientes para serem regulados nas unidades de saúde, que alternava entre 30 e 40 na Bahia, chegou a 83.

Com esse aumento de casos e lotação de UTI’s, o desgaste e cansaço dos profissionais da saúde são inevitáveis. De acordo com a médica Ana Rita Freire, presidente do sindicato dos médicos da Bahia (Sindimed), em entrevista ao jornal Correio, o número de pacientes atendidos e internados vem crescendo desde novembro de 2020, quando teve uma queda significativa.

A médica ressaltou que, além do maior número de casos da covid-19, há o risco de ainda mais peso ser colocado sobre o sistema de saúde por conta dos atendimentos de outras doenças que deixaram de ser feitos em 2020 por causa da pandemia. “É o somatório de pacientes que estão sendo internados e operados por doenças que não podem mais esperar, porque já esperou quase um ano, e também pacientes dessa nova onda de contaminação de covid. Existe uma apreensão entre a classe médica de que ocorra uma exaustão do sistema, mas a gente torce para que não.”

Mesmo com o início da vacinação de idosos e profissionais de saúde, a imunização completa da população e o controle da pandemia ainda estão longe de concretização. “Em 2020, era uma doença nova, desconhecida, a gente não sabia o que fazer, o que funcionava. Hoje, temos vacina e uma experiência maior. Mas também, por surpresa, temos um desdobramento dessa doença já em crianças, com quadros gastrointestinais e até cardiológicos já sendo acompanhados”, explicou Ana Rita.

A queda significativa dos casos, entre setembro e novembro de 2020, foi um suspiro para o sistema de saúde, que durou pouco. Os casos voltaram a subir em janeiro em meio a lenta no estado. “Não existe a opção de falta de energia, a gente tem que lutar. Os profissionais de saúde, principalmente nesse momento de pandemia, não podem se dar ao luxo de faltar energia, embora a gente tenha um efetivo esgotado, cansado e, sobretudo, mal reconhecido pelos agentes públicos”, enfatizou a médica.

Apesar de vários hospitais na Bahia terem seus leitos 100% ocupados, muitas pessoas não estão respeitando as regras, causando aglomerações clandestinas em várias cidades como Salvador. Na última quarta-feira, um vídeo de um Bell Marques fake puxando um falso trio elétrico na frente do Farol da Barra viralizou nas redes sociais. Mesmo sem aglomeração, algumas pessoas dançavam em volta sem máscara. Na ausência do Carnaval, as alternativas têm sido as praias e os bares que estão lotados mesmo com a fiscalização.

A Bahia já contabiliza 629.849 casos confirmados da doença, 15.392 casos ativos e 10.735 óbitos. Somente neste domingo, 2.584 casos foram registrados e 61 óbitos. A taxa de mortes vem crescendo conforme os dias de 2021 vêm passando. No primeiro dia do ano, foram registrados 30 óbitos diários. No dia 1° de fevereiro, o número subiu para 39. Na última sexta-feira (12), foram 67 mortes.

O governador Rui Costa (PT) ainda no sábado, fez um pedido à população, para que as pessoas não deixem de usar máscara, de higienizar as mãos e manter o distanciamento social. “Fica o meu apelo a você. E se tiver algum sintoma, não acredite no presidente da República. Não é uma gripezinha, a doença mata”, enfatizou.

Fonte: Correios

Foto: GovBa

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