Pesquisa identifica falta de preparo dos profissionais da saúde para lidar com a pandemia

Os resultados mostram a necessidade de suporte emocional e psicológico aos profissionais e a distribuição de materiais de qualidade que os protejam da covid-19 11 de novembro de 2020 Felipe Ribeiro

O Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB FGV-EAESP), em parceria com a Fiocruz e com a Rede Covid-19 Humanidades, realizou a pesquisa “A pandemia de Covid-19 e os(as) profissionais de saúde pública no Brasil” e identificou que 52% dos profissionais da saúde não receberam treinamento para enfrentar a covid-19.

Apesar de entrevistados 1.520 profissionais da saúde pública no Brasil, a pesquisa é de uma amostra não probabilística, o que impede de generalizar os resultados para todo o país. Esta é a terceira etapa da pesquisa, as demais foram publicadas nos meses de maio e julho.

Dos profissionais de saúde que responderam o questionário, 52,2% afirmaram que não receberam qualquer tipo de preparação para atuarem na linha de frente contra o novo coronavírus. Dos agentes comunitários, o total é ainda maior,  65,7% disseram não receber orientações do mesmo tipo. Essas capacitações abordadas no questionário levam em conta o que os respondentes consideram como preparação, que pode ser desde um curso ou orientações, conversas, entre outros.

De acordo com a coordenadora do NEB FGV EAESP e responsável pela pesquisa, Gabriela Lotta, as expectativas acerca do tema eram melhores, mas o cenário exibe outras realidades. “O cenário que encontramos é desalentador, fruto do descaso governamental: profissionais amedrontados, que se sentem despreparados e sem treinamento, que não receberam EPI ou testagem de forma permanente.”

A pesquisa buscou também avaliar a posição desses profissionais em relação a medicamentos que não possuem comprovação científica contra à doença. O resultado mostrou que 66,2% acham que medicamentos devem ser utilizados apenas com certificação da ciência e 33,8% que essas drogas devem ser utilizadas mesmo sem a comprovação. 

Além disso, foi identificado que a maioria (94,5%) dos entrevistados conhecem algum colega de trabalho suspeito ou positivo para a covid-19. Oito em cada 10 profissionais responderam sentir medo da doença e apenas 28,4% disseram ter recebido apoio psicológico. “A consequência é que temos uma parcela enorme destes profissionais sob estresse e problemas de saúde mental. E a pandemia está longe de terminar”, disse Gabriela.

Os resultados apontam para a necessidade de suporte emocional e psicológico aos profissionais do setor e a distribuição de materiais de qualidade que os protejam do novo coronavírus.

Fonte: Agência Bori

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