Dados da covid-19 sobre povos indígenas são omitidos por 43% dos municípios brasileiros

Além dos ataques constantes por parte das representações governamentais, os indígenas ainda sofrem com a subnotificação dos casos da doença 3 de outubro de 2020 Alexya Leite

No Brasil, os dados reais sobre o impacto da covid-19 na população indígena são desconhecidos. Isso ocorre porque informações divulgadas pela secretarias municipais e estaduais de saúde estão, muitas vezes, incompletas. De acordo dados da Open Knowledge Brasil (OKBR), referências sobre etnia e cor são omitidas por 43% dos estados e por 85% das capitais brasileiras.

Em relatório especial divulgado em 22 de setembro, a OKBR destaca que apenas um em cada quatro casos suspeitos de covid-19 e de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) tem cor/raça informada, apesar da obrigatoriedade da informação.

Por meio de parceria com a iniciativa Todos os Olhos na Amazônia, da Hivos, a instituição ainda aponta a falta de transparência das informações divulgadas pelos municípios, fator que impossibilita a assistência às comunidades.

Foram contabilizadas pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) 426 mortes, sem considerar indígenas que residem fora das terras reconhecidas. Com os casos de SRAG, que levaram à hospitalização, o número sobe para 529 mortes em 183 municípios. Entretano, 106 mortes indígenas por SRAG estão classificadas como “não especificado” pois não foram testadas.

A omissão de dados essenciais para o registro da pandemia leva à subnotificação dessa população. Ainda que sejam consideradas as mortes por causa inconclusivas, o número correto de indígenas vítimas da covid-19 seria inconsistente.

A população indígena acaba sendo identificada, muitas vezes, como parda, o que torna os registros de raça/cor imprecisos. Além disso, um quarto dos casos, o total de 25% em todo o país, sem o campo de raça/cor especificado, seja por ausência de preenchimento ou por classificação “ignorado”. Casos inicialmente leves, sem necessidade de internação e que evoluíram para óbito não são considerados pelo aplicativo eSUS-Notifica, falha que agrava a subnotificação.

Fonte: Agência Bori
Foto: Fernando Crispim/Amazônia Real – Fotos Públicas

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