IBR tem contrato rescindido pelo governo estadual após irregularidades

Os técnicos do SUS responsáveis pela inspeção no hospital pertencem ao Núcleo Regional de Saúde do Sudoeste de Conquista 6 de julho de 2020 Alexya Leite

Nesta sexta-feira (03/07), o Instituto Brandão de Reabilitação (IBR) de Vitória da Conquista foi descredenciado como um dos hospitais de atendimento do governo do Estado para tratamento da covid-19. O ato aconteceu após vistoria de técnicos do Sistema Único de Saúde (SUS) do Núcleo Regional de Saúde do Sudoeste, que constataram ocupação irregular de pacientes de convênios em leitos exclusivos do SUS.

O acordo com o poder público estadual e o IBR previa 30 leitos; 20 clínicos e 10 de Terapia Intensiva. A cidade, que possuía 50 leitos de UTI exclusivos para tratamento de pacientes infectados com a covid-19, agora só tem 40.

Outras falhas como a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e o descumprimento da prática de testagem dos funcionários foram identificadas pelos técnicos. Medidas que tratavam do fluxo excusivo no interior do hospital também foram descumpridas, levando a rescisão dos 30 leitos contratados pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) para tratamento de pacientes infectados com o novo coronavírus.

Em resposta, o IBR repudiou e definiu nota da Sesab como absurda e inverídica. O Hospital esclarece que, ao todo, possui 29 leitos de UTI, 19 dedicados à doença (10 para pacientes do SUS e nove para conveniados ou particulares) e que, no momento da vistoria, haviam cinco pacientes do SUS e quatro convênios na unidade. Denuncia que os 10 leitos vagos não foram discriminados no relatório técnico da visita.

Sem notificação prescrita, a unidade de saúde afirma que todos os profissionais atuam paramentados, tornando a acusação falsa. A testagem, pontua, e a regularidade da prática, ficam a encargo do poder municipal e estadual, mas certifica que os servidores contratados foram testados. O IBR ainda assinala para a contaminação cruzada inexistente entre pacientes sem covid-19 internados na unidade, atendendo a fluxos exclusivos.

Irregularidades detectadas

1.Utilização de leitos exclusivos do SUS para pacientes que possuíam plano de saúde;

2.Não disponibilizar EPIs aos profissionais de saúde e de higienização, seguindo as normativas e protocolos para atendimento aos pacientes com diagnóstico de Covid-19 na UTI e nas enfermarias;

3.Não realizar testes rápidos periódicos (quinzenais) em todos os profissionais da unidade hospitalar, com especial atenção e prioridade aqueles que manejam os pacientes suspeitos ou com diagnóstico positivo de coronavírus;

4.Não atender a necessidade de adequação do fluxo interno e exclusivo para a UTI COVID, transferindo os leitos de UTI geral para outro andar a fim de evitar infecções cruzadas e risco de contaminação de pacientes e profissionais;

5.Não atender as recomendações da Vigilância Sanitária do Núcleo Regional de Saúde Sudoeste de apresentar o Plano de Contingência Hospitalar dentro das prerrogativas para as Unidades Hospitalares da Rede Covid Estadual.

Ministério Público

Na manhã desta sexta-feira (03/07), o Ministério Público da Bahia solicitou, em caráter de urgência, para que os 30 leitos anulados pela Sesab sejam restaurados em Conquista. Para isso, concedeu prazo de 24 horas para que informações e resoluções sejam tomadas pela secretaria.

Os técnicos do SUS responsáveis pela inspeção no hospital pertencem ao Núcleo Regional de Saúde do Sudoeste de Conquista. Ao todo, a Bahia possui nove núcleos. Estes são designados a acompanhar os serviços de regulação, vigilância sanitária, aquisição de equipamentos, dispensa de medicamentos e contratações na área da saúde.

Foto de capa: Blog do Giorlando

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