O brasil pode chegar a 5 mil mortes diárias até abril, alerta pesquisador da Fiocruz

Para evitar esses óbitos, a solução seria um lockdown de pelo menos 14 dias 25 de março de 2021 Gabriela Souza

“O momento é de medidas restritivas coordenadas, nos níveis estadual e federal. O sistema já chegou ao limite”, afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o coordenador do Observatório Covid-19 da Fiocruz, Carlos Machado, que é professor especialista em grandes desastres na área da saúde e há mais de 20 anos acompanha as maiores emergências sanitárias do Brasil. “Até o final de abril, podemos chegar a cinco mil mortes diárias.”

O pesquisador disse que nunca tinha visto algo semelhante ao colapso na saúde pública do Brasil, que foi provocado pela covid-19. Preocupado com o marco de 300 mil mortes por covid-19 no período de 1 ano, ele adverte as autoridades do país sobre a importância de um lockdown (fechamento total com o funcionamento somente de atividades consideradas essenciais) de pelo menos 14 dias. Se isso não acontecer, o Brasil, que já registrou 3.158 óbitos nesta terça-feira (23), pode chegar “facilmente à dolorosa cifra de 5 mil mortes/dia até o fim de abril.”

Entretanto, o novo ministro da saúde, Marcelo Queiroga, em sua primeira coletiva de imprensa no cargo, realizada no dia 24 de março, descartou a possibilidade dessa restrição, enquanto o presidente Jair Bolsonaro é adepto do “tratamento precoce”, que até o momento, não tem comprovação de eficácia científica.

Para Machado, o pior momento da pandemia no Brasil ainda está por vir. “Não há mais tempo para debates. Não há mais tempo para ideias dissociadas da realidade. Não temos nem mais um minuto a perder. A situação é dramática em todo o país, são milhares de famílias devastadas.”

Outro motivo de angústia para o pesquisador é o colapso e a falta de serviços de saúde em algumas regiões do país. Apesar de a maioria da população brasileira estar concentrada nos grandes centros urbanos, principalmente no Sudeste, existem 49 milhões de brasileiros sem acesso a um serviço de saúde de referência, ou seja, sem condição de atendimento a casos graves da covid-19.

Boa parte das capitais já está com a ocupação dos leitos de UTI covid-19 para adultos em 90%. E estamos batendo no limite da capacidade do sistema de saúde de abertura de novos leitos para covid. Para o próximo boletim, estamos buscando dados de excesso de mortalidade em geral, porque há indícios de que muitas pessoas já podem estar morrendo em casa”, destacou Machado.

Fonte: Estadão 

Foto: Agência Brasil

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