Pandemia diminuiu em 88% os atendimentos odontológicos às crianças

O mês de abril, quando a OMS declarou a pandemia, foi o que mais teve redução dos atendimentos. Cenário piora a situação de pessoas marginalizadas e excluídas socialmente 26 de outubro de 2020 Felipe Ribeiro

A pandemia de covid-19 ocasionou em uma diminuição de 66% dos atendimentos odontológicos com crianças entre os meses de janeiro a maio. Em abril deste ano, em comparação ao mesmo mês de 2019, o Brasil apresentou uma redução de 88% desses procedimentos após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar o estado de pandemia.

Segundo o Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-graduação da Universidade Federal de Pelotas e autor do estudo, Flávio Fernando Demarco explica como os consultórios podem ser perigosos durante a pandemia. “A caneta de alta rotação e o ultrassom geram micropartículas de saliva que ficam por horas no ar”, explicou.

Os resultados que os estudiosos chegaram pertencem a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e estão em um estudo publicado no último domingo (25/10) na revista “International Journal of Pediatric Dentistry”. Após coletar os prontuários datados de janeiro de 2019 a maio de 2020 e disponíveis no DATASUS a respeito extrações dentárias, restaurações e tratamentos endodônticos, os estudiosos realizaram uma análise comparando os meses dos dois anos.

Em abril, a pandemia ficou mais forte em abril e por isso, serviços como os atendimentos odontológicos foram gravemente afetados. “Houve diversas portarias e recomendações que restringiram as atividades de saúde, dentre elas as odontológicas. A recomendação foi que os atendimentos odontológicos ocorressem somente em caráter de urgência e emergência, com o adiamento dos atendimentos eletivos para momentos mais tranquilos e, assim, evitar um maior contágio da população”, afirmou o pró-reitor.

A falta de tratamento bucal é capaz de refletir de forma intensa na saúde das crianças e com a pandemia, pode ser que alguns problemas já existentes evoluam para um quadro mais grave. “Dependendo do tempo da pandemia, talvez diversas lesões progridam tanto que necessitarão de tratamento de canal ou até mesmo da extração dental”, apontou o pesquisador. Ele ainda destacou que as pessoas marginalizadas e excluídas socialmente serão as mais afetadas com problemas na saúde bucal.

Fonte: Agência Bori

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