Greve dos servidores municipais de Vitória da Conquista começa dia 22 de maio

22 de maio de 2017

Contra o aumento zero no salário proposto pelo prefeito de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão, os servidores decidiram pela greve geral, marcada para iniciar segunda (22). Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Vitória da Conquista (Sinserv), José Marcos Santos Amaral, foram quatro meses a espera de uma resposta da Prefeitura e, no final, nada oferecido tendo como justificativa a falta de recursos. “Não existe déficit nenhum. Nós fizemos um estudo e vimos que o crescimento da receita é alto, o que está pesando são os cargos comissionados que subiram muito”, denuncia Amaral.

No dia 16 de maio foi realizado um ato público por melhores condições de trabalho e reajuste salarial. Na Praça Joaquim Correia os trabalhadores fizeram fila para assinar a ficha de presença, em seguida ocuparam o espaço da prefeitura contra as reformas trabalhistas implantadas desde o início do ano.

O ato realizado na terça-feira e a greve declarada para a próxima segunda, são a resposta de mais de 1,5 mil servidores que não concordam com as propostas da prefeitura. As reivindicações partem de todas as categorias profissionais, do gari ao médico, segundo José Marcos. “Os servidores votaram pela greve, a partir de segunda-feira todas as atividades serão paradas. Só serão garantidos serviços essenciais à população como ambulância, atendimentos em postos de saúde e alguns outros. Para isso vamos reservar uma cota de 30% de pessoas que vão trabalhar”, assegura o presidente da Sinserv.

“Um dos principais prejuízos que a gente tem é que com aumento do salário zero, nós que trabalhamos na secretaria (das escolas), com 40 horas vamos ter o salário igual ao de pessoas que trabalham apenas 30”, reclama Patrícia Alves, que é auxiliar de secretaria na Escola Municipal Paulo Freire.

Ela pontua também as mudanças feitas no auxílio-alimentação, pois antes o valor era depositado em dinheiro e o servidor podia gerir da forma que quisesse. Mas, agora, o auxílio vem por meio de cartão e só permite que o gasto seja feito com alimentação. Patrícia reclama também de cortes no salário de monitores escolares e a nomeação de novos funcionários que não foram aprovados no último concurso realizado em 2013.

Para Damião Cordeiro, que é representante da Comissão dos Garis, as condições de trabalho são inadequadas. “Um colega nosso foi trabalhar sem bota e mandaram ele comprar com o próprio dinheiro, a gente não tem nem fardamento, até isso está faltando”, denuncia Damião. As tentativas de acordo com a Prefeitura, segundo ele, também não geraram resultados satisfatórios para a causa dos servidores. “O que mais incomoda é a falta de respeito com o servidor. Desde o começo (das reuniões com o prefeito Herzem Gusmão) até agora eles não ofereceram nenhuma proposta, eles estão perdidos, nem a folha de transparência nos foi mostrada”.

Jeremias Vieira Santos também é gari, já trabalha há oito anos e queixa do reajuste salarial. “O nosso salário está bem abaixo da inflação. O que eles queriam, mas não ofereceram, era 1,76% sobre o salário do ano passado, a gente não aceita porque não somos leigos”, afirma Jeremias. Ele também reclama da forma como dinheiro público é administrado. “A prefeitura está mais preocupada com as cores e estética da cidade do que com as verdadeiras necessidades, eles falam que não têm dinheiro para nos dar aumento, mas sobra dinheiro para pintar os corrimões”.

O jardineiro Éder Souza foi pego de surpresa. “Todo ano o servidor tem aumento salarial, dessa vez fomos surpreendidos por não ter tido recuperação nem da inflação”, conta.

Cargos comissionados

O diretor de assuntos jurídicos do Sinserv, Jeová Soares, conta que o sindicato enviou em janeiro para o setor administrativo da prefeitura uma proposta reajuste salarial que incluía o acréscimo de 0,5% sobre Interstício da Tabela – que é o intervalo entre um turno de trabalho e outro, quando o trabalhador descansa –, o aumento de 10% no salário, o retroativo do data base e vários pontos que não eram de cunho financeiro, como o auxílio alimentação que o servidor prefere que seja entregue em dinheiro.

“O sindicato não enviou essa pauta aleatoriamente, nós fizemos estudos e percebemos que o município ao invés de conter gastos, gerou mais despesas contratando, por exemplo, oito advogados para cargo de confiança, sendo que já tinham 20 advogados efetivos”, aponta Jeová.

Outra crítica do sindicato é que, além da nomeação de cargos comissionados, foi contratado um escritório de advocacia em Salvador. “O prefeito paga a eles mais de R$ 150 mil. Ou seja, ele não demonstra preocupação nenhuma com a receita e as despesas do município e, agora, vem apresentar uma contraproposta de 0% de reajuste, alegando que não tem condições financeiras. O sindicato passou essa proposta para a categoria que não aceitou, e nem vai aceitar”, queixa-se Jeová.

Prefeitura

Em nota, divulgada pela Secretaria de Comunicação (Secom), a Prefeitura informa que atendeu a 42% da pauta de reivindicações apresentada pela Sinserv, mas assegura que estão agindo com cautela diante da receita municipal e da Lei de Responsabilidade Fiscal. A contenção de gastos, que limita em 51,3% os custos com a folha de salários, visa garantir a continuidade de outros serviços públicos para que a população não seja prejudicada, informa a nota.

Em parceria com a Unimed, a prefeitura ainda disse que um plano de saúde estará disponível aos servidores a partir de 1º de julho. A nota encerra afirmando que o governo municipal tem ouvido representantes dos servidores em diversas ocasiões e esclarecendo o quadro financeiro do município.

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