1 de junho de 2020

#FALSO| Homem foi encontrado vivo em saco funerário na Bahia em 2014, não recentemente

Publicações compartilhadas nas redes sociais associam o caso a pandemia da covid-19, mas ele aconteceu em 2014 com um homem que teve duas paradas cardíacas em Lauro de Freitas

Uma notícia de 2014 sobre um homem que foi encontrado vivo dentro de um saco funerário em Lauro de Freitas (BA) tem sido compartilhada nas redes sociais como se fosse atual, dentro do contexto da pandemia de covid-19 (veja aqui). Na ocasião, Valdelúcio de Oliveira foi dado como morto após sofrer duas paradas cardíacas. Segundo familiares, o atestado de óbito já havia sido lavrado e o caixão comprado quando uma sobrinha viu o saco se mexer no necrotério. O paciente recebeu alta e saiu do hospital um mês depois.

A notícia fora de contexto tem sido compartilhada em publicações no Facebook que vinculam, em diferentes graus, o caso à atual pandemia. Em alguns casos, o link é postado sem indicações de ser antigo, em outros, o conteúdo é acompanhado de alegações de que estados estariam inflando o número de mortos por covid-19. Estes últimos foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação do Facebook (saiba como funciona).

FALSO

Não é verdade que o caso de um homem encontrado vivo dentro de um saco funerário em Lauro de Freitas (BA) seja atual ou tenha relação com a pandemia do novo coronavírus. A história aconteceu em agosto de 2014, quando foi noticiada pelo G1, e voltou a circular no Facebook no dia 25 de maio de 2020 em publicações que a tiram do contexto para acusar os estados de inflar as estatísticas de mortos pela covid-19.

A reportagem narra o caso de Valdelúcio de Oliveira, que estava internado no Hospital Santo Antônio, na região metropolitana de Salvador, para tratar de um câncer na língua quando teve duas paradas cardíacas e foi dado como morto pelos médicos. Segundo relataram familiares, seu atestado de óbito já havia sido expedido e o caixão comprado quando uma sobrinha notou que o saco funerário em que ele estava se mexia. Cerca de um mês depois, em setembro de 2014, Oliveira teve alta médica e saiu do hospital.

Narrativa. Aos Fatos identificou que foram perfis pessoais e grupos identificados com o bolsonarismo que impulsionaram o uso da notícia antiga como se fosse atual no Facebook. Juntas, publicações que reproduzem o link em contexto enganoso já passavam de 180 mil compartilhamentos na rede social nesta sexta-feira (29), 11 mil deles nas últimas 24 horas.

A ferramenta de monitoramento CrowdTangle também aponta que reproduções da reportagem antiga do G1 ganharam força entre bolsonaristas no Facebook nos últimos sete dias. Publicações de usuários em grupos na rede social como Jair Messias Bolsonaro, Bolsonaro 2022 e Eduardo Bolsonaro [OFICIAL] aparecem entre as mais populares.

Por mais que algumas publicações claramente relacionassem o caso à pandemia da covid-19 no Brasil, sugerindo que há fraudes na contagem de mortos pela doença, outras apenas compartilharam o link, omitindo que o caso era de 2014. Foram identificadas ainda postagens que remetiam a notícia a uma outra desinformação, já checada por Aos Fatos, de que os hospitais estariam inventando óbitos para receber verba federal.

Desinformação que sugere a existência de fraude nos dados de mortos pela covid-19 passou a ser mais frequente com o agravamento da pandemia no Brasil. Além das acusações de que estados estariam lucrando com a divulgação de óbitos, já circularam alegações de caixões sendo enterrados vazios para inflar os dados, de pessoas que morreram em acidentes e receberam atestados de óbitos com a infecção como causa e números estaduais que foram revistos após auditorias ou operações da Polícia Federal.

Referências:

– G1(Fontes 1 e 2)

– Aos Fatos (Fontes 1234 e 5)

*A matéria foi publicada originalmente pelo Aos Fatos que, por conta da grande quantidade de desinformação disseminada a respeito do coronavírus e suas implicações para a sociedade, permitiu a republicação das suas checagens devidamente creditadas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *