2º Prêmio Besourinho reuniu capoeiristas de Conquista e região Sudoeste
Campeonato de capoeira une alegria, chuva, resistência e cultura afro-brasileira. 29 de novembro de 2025 Fabiana Alves, Francisco Schettini, Iasmin Araujo, Patrick Oliveira e Rodrigo AzevedoNo dia 22 de novembro, aconteceu o 2º Campeonato Besourinho, no Complexo Integrado de Educação Básica Profissional e Tecnológica, no bairro Brasil, em Vitória da Conquista. A competição reuniu mais de 90 crianças e adolescentes que praticam capoeira, premiando com medalhas e troféus novos talentos do esporte do Sudoeste da Bahia.

Meninos jogando capoeira enquanto o público e os participantes observam e aplaudem. Foto: Francisco Schettini
Nesta edição, a competição homenageou o Mestre Sarará, figura histórica da capoeira na região. Organizada pelo mandato do vereador Alexandre Xandó (PT), a ação visa incentivar a prática esportiva e valorizar a cultura afro-brasileira. A premiação é dividida por categorias, masculino e feminino, com competidores de 13 a 17 anos. “Realizar uma atividade como esta significa impulsionar essa juventude numa perspectiva da saúde, da disciplina, de pensar num futuro”, afirmou Xandó. Segundo o vereador, o Troféu Paranauê Conquista está em sua terceira edição, mas esta é a segunda edição do campeonato.
O evento contou com a participação de escolas de capoeira das zonas urbana e rural de Conquista, além de representantes dos municípios de Tanhaçu, Poções e Ituaçu. Ao todo, de acordo com o coordenador Mestre Esqueleto (Josemário Alakindê) participaram 11 grupos. Os vencedores de cada categoria levaram para casa o prêmio de 300 reais, um berimbau e um abadá, vestimenta típica de capoeiristas. A segunda colocação ganhou 150 reais e um abadá. Do terceiro ao quinto colocado, a premiação foi um abadá.
A capoeirista Brenda Alves, 17, pratica o esporte há três anos e o Besourinho foi a sua primeira competição. Mesmo “um pouquinho” nervosa, como afirmou, seu principal objetivo era representar seu grupo. “[A capoeira é] terapia, amor e família. É onde me sinto bem, esqueço meus problemas, onde encontrei meu porto seguro […]. Todo mundo lá se torna família. É um lugar de apoio, onde você é representado e pode se expressar da forma que você é”, completou.
Na categoria feminina para esportistas até 13 anos, a vencedora foi Dandara, do grupo Pelourinho da Bahia. No masculino, na mesma categoria, o jovem Pé de Chumbo, do grupo Mundo Capoeira, garantiu o primeiro lugar. Na categoria de até 17 anos, a atleta Simpatia, do Grupo Nossa Arte, ficou com o primeiro lugar feminino. No masculino, Dudu, do grupo Balanço de Bamba, levou o prêmio.

Mestres capoeiristas tocando berimbaus. No meio, mestre Cassiano Vital (Cassiano Tôe Veludo). Foto: Francisco Schettini
Mesmo diante da chuva e da queda de energia, o campeonato terminou com alegria e o sentimento de valorização da capoeira. Para o mestre Cassiano Vital, conhecido como Cassiano de Tõe Veludo, a capoeira e o campeonato Besourinho são muito importantes para os jovens, principalmente para os seus alunos de Tanhaçu. “Eu trouxe três crianças para participar do evento. [O campeonato] incentiva a cultura da capoeira para eles, que é a cultura de resistência”, explicou.
Uma das responsáveis pela organização do campeonato, Tânia Mukuji, ressaltou que eventos como este tem uma importância cultural. “É a valorização para a capoeira, um esporte educativo, de afirmação cultural e de identidade. Essa turma, em sua maioria, é de escola pública e das periferias da cidade. Esses meninos saem daqui com o reconhecimento que eles geralmente não têm.”

Final do 2° Campeonato Besourinho. Foto: Victor Sá/ Reprodução
Na primeira edição do Prêmio Paranauê, os atletas premiados eram indicados por uma comissão. Em 2024 se tornou um campeonato, tendo a primeira edição realizada no Shopping Boulevard, que foi organizada pelo coletivo Casa de Capoeira, com apoio do idealizador Alexandre Xandó, e manteve o formato tradicional de disputa em quatro categorias: duas femininas e duas masculinas.
A iniciativa amplia o alcance da mensagem para além do mês de novembro, reforçando a consciência negra e a valorização da cultura afro-brasileira dentro da comunidade. Ao mesmo tempo, busca consolidar a capoeira como instrumento de educação, identidade e cidadania. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2008 pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 2014. A prática reafirma sua importância histórica e social de luta e resistência, além de fortalecer e transmitir uma herança que segue viva.