30 anos da urna eletrônica: conheça a tecnologia das eleições brasileiras

Ao longo das três décadas, foram utilizados 14 modelos e produzidos 1.487.115 equipamentos por quatro fabricantes 3 de agosto de 2026 < Nanda Deda*

Em 2026, a urna eletrônica brasileira completa 30 anos. Utilizada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996, a tecnologia revolucionou o processo de votação ao reduzir o tempo de apuração, aumentar a agilidade do processo e torná-lo seguro e transparente, com fiscalização em todas as etapas do processo eleitoral. 

Ao longo dessas três décadas, as urnas passaram por evoluções tecnológicas e de segurança. Nos dias atuais, o sistema eletrônico de votação passa por várias etapas de fiscalização antes, durante e depois das eleições. Entre esses procedimentos está a abertura do código-fonte dos sistemas desenvolvidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de um ano antes das eleições. 

O código-fonte é um conjunto de instruções que indica o funcionamento dos programas utilizados em todas as fases do processo eleitoral. Todos os sistemas e etapas podem ser acessados e analisados por representantes de partidos políticos, federações, Polícia Federal (PF), Ministério Público (MP), entidades fiscalizadoras, especialistas credenciados e universidades. 

Ao longo dos três anos, foram utilizados 14 modelos e produzidos 1.487.115 equipamentos. Além disso, desde a introdução do sistema, quatro fabricantes foram responsáveis pela produção desses equipamentos: Unisys, Procomp, Diebold e Positivo Tecnologia. 

Para garantir ainda mais proteção, a Justiça Eleitoral realiza o Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais (Teste da Urna). O procedimento reúne especialistas em tecnologia da informação, pesquisadores e profissionais convidados, meses antes das eleições. Durante o teste, esses convidados contribuem para o aprimoramento da tecnologia presente no processo de votação e apuração dos resultados. 

A primeira etapa desse processo ocorreu na sede do TSE, em Brasília, no mês de dezembro de 2025. Quando concluído, em maio, foi averiguado que nenhum dos achados compromete a integridade do voto. Em 2009, foi realizada a primeira edição do teste e desde então, não foi encontrado nada que comprometesse o sigilo da votação ou do resultado final das eleições. 

Outro procedimento é a cerimônia de assinatura digital e a lacração dos sistemas eleitorais, que é realizada antes das urnas serem levadas aos locais de votação. Elaborada nos cartórios eleitorais, a operação insere os sistemas eleitorais e os dados de eleitores e candidatos nas máquinas. Também acontece o teste de funcionamento dos equipamentos e depois a lacração de todas as portas de acesso físico, com selos produzidos pela Casa da Moeda. 

Durante a cerimônia são gerados resumos digitais, chamados de hashes, que operam como uma impressão do sistema. Caso tenha alguma alteração no programa, o código muda automaticamente, permitindo detectar qualquer tentativa de modificação imediatamente. Assim, é possível verificar se o sistema instalado na urna é o aprovado pela Justiça Eleitoral. 

A fiscalização ocorre durante todo o processo eleitoral. Antes da votação, as entidades são capazes de inspecionar o código-fonte, elas também acompanham a geração das mídias utilizadas nas urnas, a cerimônia de lacração e outros procedimentos técnicos. 

No dia da votação, cada urna imprime, na presença dos mesários e fiscais partidários, um documento conhecido como zerésima. Ele comprova que não existe nenhum voto registrado para qualquer candidatura antes da abertura oficial da seção eleitoral, comprovando que a urna está zerada. 

Cada voto registrado na urna gera um Registro Digital do Voto (RDV). Esse registro armazena os votos de forma criptografada e em ordem aleatória, desta forma não é possível identificar quem votou em cada candidato. Assim é preservado o sigilo do voto. 

No final, cada urna imprime automaticamente o Boletim de Urna (BU). Esse documento mostra o resultado da seção eleitoral, incluindo quantidade de votos destinados a cada candidato, número de eleitores que compareceram, votos em branco e votos nulos. Uma das vias do documento fica na porta da seção, para consulta pública e os outros são entregues aos representantes dos partidos. 

Todos os BU são disponibilizados digitalmente pelo site do TSE e qualquer cidadão pode comparar os resultados divulgados oficialmente com os BU, tornando o processo ainda mais transparente. 

Eleições 2026

O primeiro turno das Eleições 2026, ocorre no dia 4 de outubro em todo o país, os cidadãos irão votar em presidente, governador, deputado federal e estadual e dois para senadores.

Para entrar na cabine de votação e registrar o voto, é preciso apresentar um documento oficial com foto (RG, CNH, passaporte, carteira de trabalho ou certidão de reservista). O aplicativo do e-Título só é válido como documento oficial apenas se houver a biometria cadastrada. 

Foto de capa: TSE

*Nanda Deda é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.