8 de março: Conquista e Barra do Choça se mobilizam para atos no Dia da Mulher
Em Conquista, a mobilização se concentrará na feira do Bairro Brasil, enquanto em Barra do Choça, na Paróquia Senhor do Bonfim. Ambas começam às 8h 6 de março de 2026 Rian Borges*Movimentos sociais e organizações populares do Sudoeste Baiano sairão às ruas no próximo domingo (08/03), a partir das 8h, em luta e comemoração pelo Dia Internacional das Mulheres. Em Vitória da Conquista, a mobilização será na feira do Bairro Brasil, enquanto em Barra do Choça, na Paróquia Senhor do Bonfim.
Em Conquista, a marcha do 8 de março acontece anualmente. No ano de 2026, além do repúdio à violência de gênero, especialmente diante da escalada de feminicídios no país, o ato também terá como pauta a soberania nacional, os ataques à democracia e a luta pelo fim da escala 6×1.
Para a militante da Unidade Popular (UP) e uma das organizadoras do evento, Jessica Fontes, as mobilizações são fundamentais para mudar os rumos da violência de gênero. “Vamos para as ruas para expor que a saída só pode ser coletiva, a mudança das condições de vida nesse sistema de misoginia que lucra com a exploração e a violência contra as mulheres é apenas pelo poder popular, mobilização e ocupando as ruas”, disse.
O movimento é composto por representantes da União de Mulheres de Vitória da Conquista, Movimento de Mulheres Olga Benário; Fórum de Mulheres; União da Juventude Rebelião; Associação dos Docentes da Uesb (Adusb) e do Diretório Central dos Estudantes da Uesb (DCE).
Marcha em Barra do Choça
A programação em Barra do Choça contará com uma caminhada pelo Centro da cidade, na qual haverá falas públicas femininas de entidades estaduais e municipais, como a advogada Cida Carvalho, a Diretora Estadual do Movimento Sem Terra (MST), Aldeane Lebrão, a Diretora do Movimento Pequenos Agricultores (MPA), Mara Almeida e a integrante da Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara (ABEFC) Regina Dantas.
Para a organizadora da marcha e representante do MST, Sônia Oliveira, o evento é uma oportunidade de chamar atenção para a pauta feminista na cidade. “Vamos destacar as necessidades de mais mulheres na política, defendendo o respeito, a igualdade e o fim da violência política de gênero.” Ela também afirma que a marcha vai pressionar o poder público a criar políticas que garantam direitos, proteção e oportunidades para as mulheres.
Depois da caminhada, o ato voltará para a Paróquia Senhor do Bonfim com intervenções culturais que incluem capoeira, dança, poesia e música. Já foram confirmadas as presenças do coletivo cultural Vozes do Beco, do grupo de idosos Felizidade, da escritora May Carvalho, da dançarina Rita Anjos, assim como da ativista de cultura Hip Hop, Solange Novais.
O evento também terá a participação da Associação das Mulheres Artesãs de Barra do Choça (AMABC), da Associação dos Artistas de Barra do Choça (AABC); Associação dos Produtores Rurais da Agricultura Familiar do Morro de São Paulo; Associação de Famílias Atípicas de Barra do Choça; e dos respectivos projetos de corrida e ciclismo Bora Correr e Elas de Bike. A expectativa é que cerca de 400 mulheres participem do evento.
O movimento é organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Sintraf); Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e pelo Departamento Municipal de Cultura no município. Há ainda o apoio do Instituto Quilombola Territórios do Sudeste Baiano e da Prefeitura.
Segundo a militante do MPA e secretária do Sintraf, Amanda Guerra, o movimento é histórico para o município. “A ideia é que se fortaleça essa rede de mulheres para que a gente consiga pautar um conselho dos direitos da mulher dentro do município, uma agenda anual também de cursos profissionalizantes, oficinas, palestras, uma agenda de sensibilização que não fique só em março e no agosto lilás”, explica.
Violência de gênero cresce no país
De acordo com dados do relatório Retrato dos Feminicídios no Brasil, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública na última quarta-feira (04/03), o Brasil registrou 1.568 casos de feminicídios em 2025, alta de 4,7% comparado ao ano anterior.
Os dados apontam que, entre 2021 e 2025, houve um crescimento de 14,5% nos registros de feminicídios no Brasil, sendo 7.337 o número total de casos. Considerando o mesmo período, a Bahia registrou alta de 8,8%. Nos últimos cinco anos, 428 mulheres morreram no estado baiano em decorrência da violência de gênero. Apenas em 2025, 102 casos foram registrados.
O perfil das vítimas expõe um padrão recorrente: dos 5.729 casos registrados entre 2021 e 2024 no Brasil, 62,6% das vítimas eram mulheres negras e a faixa etária era entre 30 a 49 anos. Os dados também apontam que 59,4% das vítimas foram mortas pelo companheiro e 21,3% pelo ex-companheiro. Em apenas 4,9% das ocorrências o autor era desconhecido.
Os homens foram os responsáveis por 97,3% dos crimes. A residência da vítima foi o local dos registros em 66,3% dos casos e a via pública aparece em segundo lugar, com 19,2%. A arma branca foi utilizada em 48,7% dos feminicídios, enquanto as armas de fogo estiveram presentes em 25,2% das ocorrências.
Foto de capa: Karina Costa
*Rian Borges é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.