Abstenção cai em Vitória da Conquista, e Lula vence com 58,78% dos votos no segundo turno
Mais de 10 mil eleitores compareceram às urnas em relação ao primeiro turno. Presidente reeleito recebeu 128.349 votos (58,78%) e ampliou sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro 28 de outubro de 2026 < Emanuelle Ribeiro, Pedro Ricardo e Rian Borges*Em Vitória da Conquista, terceiro maior colégio eleitoral da Bahia, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno das eleições presidenciais com 128.349 votos (58,78%) contra 89.994 (41,22%) de Flávio Bolsonaro (PL). A votação, realizada no domingo (25/10), também registrou uma redução na abstenção, que passou de 49.309 eleitores (18,57%), no primeiro turno, para 38.867 (14,64%), no segundo. Com isso, o comparecimento às urnas aumentou em 10.442 eleitores.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos 226.673 eleitores que compareceram às urnas, 218.343 registraram votos válidos. Outros 2.682 votaram em branco (1,18%) e 5.648 anularam o voto (2,49%). Lula, que havia vencido o primeiro turno no município com 52,85% dos votos válidos, ampliou sua votação em quase 20 mil votos. Já Flávio Bolsonaro, que visitou Vitória da Conquista durante a campanha eleitoral, também registrou crescimento, mas em proporção inferior à do presidente reeleito.
No segundo turno, apoiadores de Flávio (PL) e Lula (PT) promoveram atos nas ruas em diferentes lugares do país, assim como em Conquista. O movimento para eleger seus ganhou força principalmente nas redes sociais. Durante a campanha, o “Exército de Lula”, liderado por André Janones (Rede), acumulou mais de 10 milhões de seguidores no Whatsapp. Do outro lado, o engajamento da campanha de Flávio foi abastecido por Nikolas Ferreira (PL) que também impressionou pelos resultados. Um vídeo lançado pelo deputado federal no Instagram há cinco dias da eleição obteve mais de 140 milhões de visualizações.
Para o cientista político, Matheus Silveira, a eleição de 2026 consolida uma transição midiática que começou em 2018. “Hoje, as redes sociais são mediadoras do debate público que, como campo de disputa, poderíamos dizer que essa transição se conclui na medida em que quem não domina as redes sociais hoje não consegue mais se eleger”, disse. “As eleições têm todo um papel democrático, mas no final das contas, tudo se afunila para algo que é muito simples, que é obter a maioria numérica dos votos.”
Matheus Silveira é cientista político e professor da Uesb. Foto: Site Avoador
Dia de votação em Conquista
No domingo (25/10), 218.343 moradores de Conquista foram às urnas para decidir o nome do 40º presidente da história do Brasil. Diferente do primeiro turno, na qual o tempo médio de votação dentro da seção foi de 90,7 segundos, no último domingo a votação foi realizada com mais celeridade e poucas filas. “A gente teve um movimento um pouco mais tranquilo do que no primeiro turno. Um pouco mais de comparecimento de pessoas que não vieram na primeira parte da eleição”, disse o mesário Teófilo Gobira, que trabalhou no Colégio Estadual de Tempo Integral (CETI).
Teófilo Gobira foi mesário durante as eleições gerais no Colégio Integral de Conquista. Foto: Site Avoador
De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE), três seções eleitorais de Conquista precisaram trocar suas urnas, 66% delas na zona 40, na qual se concentram os eleitores da zona rural. A Escola Paulino Santos, no povoado do Algodão, distrito de José Gonçalves e a Escola Municipal Roberto Kennedy, no povoado de Choça, foram impactadas. A outra substituição foi realizada no Centro Universitário de Excelência (Unex). O TRE não explicou o motivo das trocas.
Além dos dados de queda no número de urnas substituídas, 11 urnas precisaram receber baterias externas. Todas demandas foram direcionadas para a zona rural, especificamente para os povoados de Inhobim, Boqueirão, Choça e Queimadas. Segundo o TRE, a medida foi motivada pela instabilidade na rede elétrica desses locais. O problema foi resolvido por volta das 16h.
Durante o processo de votação, ainda pela manhã, um eleitor da Escola Maria Célia Ferraz, no bairro Ibirapuera, foi conduzido pela Polícia Militar até a Delegacia da Polícia Federal (PF) depois de filmar o seu próprio voto com o celular. Ele foi ouvido pela PF e posteriormente liberado. Outra situação aconteceu na Escola Mozart Tanajura, no bairro Boa Vista. No final da tarde, um mesário foi destituído da função após ser flagrado tentando filmar o próprio voto.
No primeiro turno, apenas uma pessoa foi presa em Vitória da Conquista. Na ocasião, a ocorrência foi registrada pela Polícia Federal como boca de urna. Na Bahia, durante o segundo turno, foram registradas 10 prisões. O Centro Integrado de Inteligência em Propaganda Digital (CIIP) também contabilizou cerca de 40 notícias de Irregularidades em Propaganda Eleitoral na internet, rádio e TV no território baiano.
Votação tranquila marcou o segundo turno em Conquista. Foto: Site Avoador
Eleição marcada por uma fatalidade
Por volta das 7h30, um eleitor passou mal enquanto aguardava a abertura dos portões na Escola Cláudio Manoel da Costa, localizada no bairro Alto Maron, próximo ao Tiro de Guerra. O homem foi identificado como Venicius Rodrigues dos Santos, de 50 anos, era Sargento da Polícia Militar da Bahia (PM-BA). O Samu 192 foi acionado e realizou o protocolo de ressuscitação junto a Polícia Militar por aproximadamente 40 minutos, mas Venicius não resistiu e o óbito foi constatado no local. O Sargento não trabalhava no momento da ocorrência.
Venicius Rodrigues trabalhava desde 2003 na Polícia Militar. Foto: Reprodução/internet
Venicius Rodrigues dos Santos ingressou na Polícia Militar em 2003 e desde 2009 fazia parte da Companhia Independente de Policiamento Especializado do Sudoeste (CIPE Sudoeste). Por meio de nota, a Companhia lamentou a morte do Sargento, destacando o seu comprometimento, dedicação e os serviços prestados à sociedade.
Votação estendida
Assim como em todo o Brasil, Vitória da Conquista teve o seu horário de votação prorrogado até às 19h. A medida foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, em meio aos pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para ampliar o horário de votação em localidades afetadas por dificuldades de acesso às urnas.
A campanha de Flávio Bolsonaro solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ampliação da votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina afirmando que fortes chuvas, alagamentos e falta de energia dificultaram a chegada dos eleitores aos locais de votação. Já a campanha de Lula apontou adversidade dos eleitores para chegarem ao local de votação principalmente em cidades como Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas após denúncias de redução de frota, lotação e longas esperas nos terminais de ônibus.
A coligação Brasil Pronto Pra Mais, liderada pelo petista apontou possíveis descumprimentos da normativa do STF que assegura transporte público gratuito aos eleitores na frequência compatível com os dias úteis. De acordo com o Procon-BA, em Salvador, em determinado momento 944 ônibus ficaram parados em nove garagens da capital baiana.
Diante do cenário, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento imediato da frota integral do transporte público de Salvador. O presidente do TRE-BA, Maurício Kertzman Szporer, determinou ainda, à Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), que prendesse o secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza.
Pablo Souza assumiu a pasta em fevereiro de 2025. Foto: Reprodução/internet
No dia seguinte, porém, o TRE-BA revogou a prisão que havia sido determinada no domingo. De acordo com o órgão, a decisão levou em conta o encerramento da votação, a perda da finalidade imediata da prisão e o fato de o Ministério Público Eleitoral (MPE) não ter solicitado a medida cautelar.
Apesar disso, o cancelamento da ordem não significa absolvição nem reconhecimento de que não houve crime. Agora, a Procuradoria Regional Eleitoral e a Polícia Federal investigam uma possível redução superior a cinquenta por cento da frota de ônibus no segundo turno.
Em Vitória da Conquista, a prefeita Sheila Lemos (União) criticou a medida do ministro Cristiano Zanin em prorrogar a votação até às 19h e disse que “eles não vão ganhar da gente dessa forma. No tapetão, não”. Embora o fechamento das seções tenha se estendido por duas horas, o TSE informou que durante esse período 35.521 votos foram registrados. Lula (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Votação na Bahia e Brasil
Apesar dos problemas relacionados à redução da frota de veículos em Salvador e região metropolitana, Lula ampliou a sua vantagem no segundo turno contra Flávio Bolsonaro na Bahia. No domingo (25/10), o petista recebeu 6.485.258 (71,31%) dos votos válidos contra 2.608.761 (28,69%) do seu adversário. No total, 9.422.047 baianos foram às urnas.
Na comparação com o primeiro turno, houve um aumento em cerca de 368 mil eleitores. Os dados se refletem no número de abstenções, que caiu de 19,97% na primeira votação para 16,71% no último domingo. Além dos votos válidos, 235.307 baianos anularam seus votos, enquanto 92.721 (2,50%) votaram em branco (0,98%).
Se na Bahia Lula ampliou a sua vantagem para Flávio Bolsonaro em 5,14 pontos percentuais, no cenário nacional o petista virou a eleição em que terminou 1,87% de desvantagem no primeiro turno. No domingo (25/10), Lula recebeu 64.256.232 milhões (51,79%) de votos válidos, cerca de 10,4 milhões a mais que na votação do dia 4 de outubro. Em menor escala, Flávio Bolsonaro também aumentou a quantidade de votos. No total, foram 59.826.041 milhões (48,21%) eleitores, 3,7 milhões a mais em relação ao primeiro turno.
Mais de 128 milhões de brasileiros foram às urnas no último domingo e o número de abstenções foi o menor registrado nos últimos 20 anos. No primeiro turno, 21,08% dos 158.745.502 eleitores aptos a votar não registraram o voto. No segundo turno, o número de ausentes caiu para 19,22%.
Além da queda nas ausências, este segundo turno também registrou diminuição no número de votos brancos e nulos. Ao todo 1.430.496 eleitores votaram em branco, o equivalente a 1,12%. No primeiro turno foram 2.300.798 votos em branco (1,84%). Já os nulos neste segundo turno somaram 2.723.305 votos, equivalente a 2,12% do total. No primeiro turno, foram 3.674.249 votos nulos, ou 2,93% do total.
Com a vitória de Lula, nunca antes na história da democracia brasileira um presidente se reelegeu duas vezes. É igualmente inédito o feito de arrancar uma vitória depois de ter ficado em segundo lugar no primeiro turno. O novo mandato está previsto para ter início em 5 de janeiro de 2027. À frente de um país cujo eleitorado está partido ao meio, Lula terá de governar com o Congresso mais à direita da história brasileira desde a redemocratização. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, foi o que mais cresceu nesta eleição, chegando à marca histórica de 121 deputados federais na Câmara. No Senado, a sigla terá 28 parlamentares a partir do ano que vem.
*Emanuelle Ribeiro, Pedro Ricardo e Rian Borges são estudantes do 6° semestre do curso de Jornalismo da Uesb na disciplina Jornalismo na Internet I.