Após suspensão do mandato de Diogo Azevedo, Câmara marca posse de Alisson Sá para 14 de julho

O afastamento do vereador foi determinado pelo TRE-BA, atendendo a uma ação de infidelidade partidária movida pelo suplente do União Brasil. Diogo alega perseguição política da prefeita, enquanto Sheila afirma que "é a lei." 10 de julho de 2026 < Leiane Oliveira/Conquista Repórter

A partir da próxima terça-feira, 14, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista terá um novo vereador, Alisson Roberto Seles Sá (União Brasil), conhecido como Alisson da Educação. O primeiro suplente do partido assumirá a vaga de Diogo Azevedo, eleito em 2024, que teve o seu mandato suspenso após decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).

O afastamento do parlamentar foi determinado pela desembargadora Carina Canguçu, em decisão datada de 16 de junho, atendendo a uma ação de infidelidade partidária movida por Alisson Sá. No dia 1º de abril, em uma sessão da Casa Legislativa, Diogo anunciou a saída do União Brasil para se filiar ao PSDB, sigla pela qual confirmou a pré-candidatura a deputado federal.

A decisão da relatora considera que a saída do edil do União Brasil não teve o consentimento formal do partido. “A desfiliação do vereador é fato incontroverso, não tendo sido apresentada, até o momento, carta de anuência formal emitida pelo órgão de direção partidária”, diz.

Na determinação, a desembargadora afirma ainda que “as justificativas apresentadas para a saída voluntária da agremiação não se mostram suficientes para afastar a regra geral de fidelidade partidária.”

Diogo e o PSDB entraram com recurso, pedindo o efeito suspensivo da decisão, mas a solicitação foi negada no dia 8 de julho. O parlamentar alegou que a desfiliação ocorreu com justa causa, por “grave discriminação política pessoal”, justificativa que não foi considerada suficiente para alterar a determinação judicial.

Ruptura com a prefeita

Em nota enviada ao Jornal A Tarde, Diogo Azevedo criticou o fato de a liminar ter sido proferida antes da instrução do processo. Ele classificou o episódio como “parte de um cenário de perseguição política”. “Essa convicção decorre, inclusive, dos elementos que integram os autos do processo, entre eles documentos e um áudio juntado aos autos, que, na minha compreensão, evidenciam a atuação política da prefeita contra o nosso mandato.”

Eleito com 6.017 votos em 2024, o vereador ingressou na Câmara como integrante da base aliada da prefeita Sheila Lemos, também filiada ao União Brasil. Porém, diante das movimentações para as Eleições Gerais de 2026, especialmente após o anúncio do advogado e marido da gestora, Wagner Alves, como pré-candidato a deputado estadual pelo União Brasil, houve um afastamento entre as duas figuras políticas. Em entrevista ao programa Boa Tarde Bahia, da Band, no dia 2 de junho, Lemos afirmou que “não teve briga nenhuma, pelo menos da minha parte.”

Quando questionada sobre a suspensão do mandato do edil, ela ressaltou que “é natural que o suplente vá requerer a vaga”. “O vereador Diogo Azevedo caminha conosco há muito tempo, fiz o convite para ele sair candidato a vereador pelo União Brasil e ele decidiu sair do partido para ser candidato a deputado pelo PSDB, só que o mandato não é do parlamentar, é do partido. Não sou eu que quero, está na lei, que quando sai sem justificativa, é infidelidade partidária”, disse.

Para o professor e militante político Herberson Sonkha, o estopim da crise foi a tentativa de Diogo de construir um projeto político próprio e independente, rompendo a relação de subordinação com a prefeita. “A fidelidade partidária deixa de ser apenas uma categoria jurídica para transformar-se em instrumento de organização da hegemonia.”

Segundo ele, o caso evidenciou as relações de poder no município. “O conflito não seria apenas um desentendimento entre duas lideranças, representa uma disputa pela direção política do próprio grupo governante. De um lado, uma liderança consolidada buscando preservar sua hegemonia, organizar sua sucessão e manter sob controle os instrumentos partidários e administrativos. De outro, uma liderança emergente procurando converter expressiva votação em autonomia política”, analisa Sonkha.

Em meio ao impasse e processo judicial, a posse de Alisson foi marcada para o dia 14, às 9h, na Câmara de Vereadores. A data foi definida em reunião realizada com a presença do presidente do Legislativo Municipal, Ivan Cordeiro, do procurador-geral, Flávio Farias de Carvalho, do chefe de comunicação, Fábio Sena, e do próprio suplente, no dia 8 de julho. Alisson Roberto Seles Sá, de 37 anos, é servidor público municipal, com atuação na Secretaria de Educação (SMED).

Foto de capa: CMVC/Arquivo Pessoal

Esta matéria foi publicada originalmente pelo Conquista Repórter.