Artistas e trabalhadores da cultura realizam vigília em frente à Casa Glauber Rocha
No Centro de Vitória da Conquista, o ato chamou atenção para a deterioração do imóvel e a ausência de políticas para o setor no município 3 de dezembro de 2025 Andrêssa Alencar, Jailton Gomes e Pedro Rodrigues*Na tarde do último domingo, 30 de novembro, artistas, estudantes, educadores e demais trabalhadores da cultura realizaram uma vigília em frente à Casa Glauber Rocha, no Centro de Vitória da Conquista. Organizado pelo coletivo Movimenta Cultura Conquista, o ato chamou atenção para a deterioração do imóvel e a ausência de uso do espaço como equipamento cultural após ter sido adquirido pela Prefeitura em 2021.
Construída no ano de 1938 em estilo art déco, na Rua Dois de Julho, a casa é considerada um patrimônio histórico da cidade por ser o local onde nasceu e viveu até os nove anos de idade o cineasta Glauber Rocha. Durante a vigília, o grupo reivindicou políticas culturais para o município, principalmente a revitalização e a reabertura de equipamentos como a Casa Glauber, o Teatro Carlos Jehovah e o Cine Madrigal. A mobilização também contou com a apresentação “Glauber em Fúria”, do ator Sorak Barbosa.
“Pensar cultura também é pensar trabalho. Esses espaços precisam estar vivos, funcionando, e não fechados como se não tivessem importância”, disse a professora, atriz e produtora culural Dayse Maria. Ela esteve no ato segurando um cartaz com a mensagem: “A Casa de Glauber é nossa.”
O psicólogo Mário Andrade destacou o valor simbólico e arquitetônico do imóvel. “Essa casa tem um duplo papel. Além de ser onde Glauber Rocha nasceu, é uma construção da década de 30, um símbolo do cinema e uma vanguarda da arquitetura da cidade.”
Movimenta Cultura Conquista
O Movimenta Cultura Conquista é um coletivo formado por artistas e trabalhadores da cultura de Vitória da Conquista. Nas eleições municipais de 2024, o grupo elaborou uma carta com propostas para o setor com o intuito de entregá-la aos então candidatos ao Legilsativo e Executivo. Em março de 2025, a organização protocolou no gabinete da prefeita Sheila Lemos (União Brasil) o documento com mais de três mil assinaturas.
Para agregar apoiadores à causa, o coletivo realizou ações em feiras livres de diferentes bairros, como Urbis 6, Vila América e Alto Maron. Entre as propostas presentes na carta estão a reabertura de espaços culturais há anos desativados, a ampliação do orçamento para a cultura, o fortalecimento de mostras de cinema e cineclubes, a revitalização de praças e a implementação de programas de incentivo à leitura nas escolas e comunidades.
Neste mês de dezembro, período em que acontecem as escutas presenciais para a elaboração do Plano Municipal de Cultura, o coletivo convocou uma reunião para debater as prioridades do setor que devem entrar no documento, que irá orientar as políticas públicas e os investimentos para o setor pelos próximos dez anos. O ato na Casa Glauber Rocha foi uma proposta que partiu do encontro realizado no dia 27 de novembro, no auditório da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).
*Andrêssa Alencar, Jailton Gomes e Pedro Rodrigues são estudantes do sexto semestre do curso de Jornalismo – Disciplina Jornalismo na Internet I – Especial Bairro a Bairro.
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