“Caminhada pela Educação” entre os bairros Zabelê e Urbis V reúne trabalhadores e estudantes

Manifestantes defenderam a continuidade de políticas públicas nas universidades e institutos federais 21 de outubro de 2026 < Por Rafael Pinheiro, Patrícia Sousa, Elival Santos, Raí Barbosa e Vanessa Sena*

Ato “Caminhada pela Educação”  reuniu estudantes, políticos locais e trabalhadores, como técnicos e professores do Instituto Federal da Bahia (Ifba), campus Vitória da Conquista, entre os bairros Zabelê e Urbis V,  nesta quarta (21/10), a partir das 11h30. Além da passeata, houve o “Farofaço” com a disribuição de 430 quentinhas aos participantes e a comunidade em geral. 

De acordo com a organização, a mobilização chamou a atenção da comunidade interna e externa para fazer a comparar dos planos de governo e do histórico de atuação dos candidatos à Presidência da República. “A escolha do projeto de nação deve superar os debates puramente ideológicos e focar nas propostas concretas voltadas para a educação pública, gratuita e de qualidade, bem como para a manutenção da seguridade social”, disse uma das orgqanizadoras que pediu anonimato. 

A concentração começou às 11h30, em uma uma praça em frente  Colégio Estadual de Tempo Integral Padre Luiz Soares Palmeira, Urbis V, onde foram distribuídas as marmitas. Em seguida, houve a caminhada que se dirigiu  até o campus do Ifba no bairro Zabelê. Nesse percurso, de quatro quadras,  foram realizados discursos das lideranças do movimento, políticos e estudantes. Enquanto isso, palavras de ordem foram ditas em defesa da universidade e institutos públicos federais e contra a gestão de Jair Bolsonaro e as propostas do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), senador e filho do ex-presidente. “Nos estamos aqui para manter todas as políticas públicas que nós temos direito”, dizia uma das palavras de ordem vindas do carro de som. “A gente deve votar em quem valoriza a nossa Educação.” 

A estudante de Ciências Sociais da Uesb, Larice Ribeiro, destacou o quanto a  participação da juventude é necessária e faz parte da história da democracia no Brasi. “A gente tem que estar o tempo inteiro defendendo as cotas, defendendo a universidade pública, direito de bolsa, de auxílio permanência, enfim”, disse. Ela ainda alertou sobre a luta do movimento estudantil para garintor os direitos conquistados ao longo dos anos. 

O  vereador Alexandre Xandó (PT), que é professor do curso de Direito da Uneb, também ressaltou a participação dos estudantes na vida política. Para ele, os movimentos estudantis servem como inspiração para que mais jovens ocupem os espaços da vida política do país. “Acredito que a nossa presença serve como um incentivo pra esses jovens, porque ali eles veem uma representatividade”, explicou.  

O estudante de Sistemas de Informação do Ifba, Dimitri Silva, é um exemplo de o quanto o acesso à educação e à saúde, como Sistema Único de Saúde (SUS), pelas políticas públicas transformam realidades.  “Pra mim é muito importante estar aqui, nesse ato hoje, com os alunos do Ifba e com a comunidade em geral, para defender as políticas públicas, pra defender as instituições públicas, pra defender também a nossa democracia”, declarou.

Entre 2003 a 2016, durante os mandadatos Lula e Dilma Rousseff, governos petistas, foram criados 1.000 institutos federais e 21 universidades federais e mais 173 campi. termos do número de novas universidades e campi e de matrículas na graduação. O resultado  foi um crescimento contínuo de matrículas na rede federal de ensino superior: houve um salto de 544 mil matrículas na graduação, em 2003, para cerca de 1,1 milhão em 2016.

O aposentado Aurelino Alves, que é pai de egressos e de uma aluna do Ifba, está também no ato em apoio às políticas públicas. “Eu sou pai de sete filhos, e todos os meus filhos passaram por escola pública no melhor atendimento”, enfatizou. 

O ato foi organizado por professores e estudantes do Ifba e contou com o apoio do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe). 

Risco à educação com Flávio Bolsonaro

Um dos panfletos foi produzido Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), distribuídos no ato, apontam que as propostas de Flávio que representam risco para a educação. 

Entre elas está a proposta de transferir as universidades para o Ministério da Ciência e Tecnologia, o que deixa o ensino superior de fora da política de educação e reduz sua função à ciência, tecnologia e ensino. Isso compromete a relação essencial entre ensino, pesquisa e extensão. A transferência também é vista como um risco de estrangulamento orçamentário, que pode comprometer o funcionamento de instituições. 

Outra critica é a priorização da formação voltada aos interesses de empresas, o que compromete a formação humana, crítica e integral, com riscos a áreas sem retorno comercial imediato, como as ciências humanas e as artes. Para a categoria, a aproximação com empresas pode representar uma privatização das agendas de pesquisa. São criticados, ainda, a proposta de ampliar escolas cívico-militares, de continuidade da reforma administrativa e os cortes no estado e na educação. O programa pode representar ameaças a liberdade e independência acadêmica, a assistência estudantil, e a qualidade do serviço público.  

No último ano de sua gestão, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) propôs cortes mais de 90% dos recursos para programas educacionais em projeto de lei que define o orçamento da união. O recurso para infraestrutura das escolas foi reduzido em 97% no projeto encaminhado ao Congresso Nacional. Dados do Observatório do Legislativo Brasileiro (núcleo de pesquisa ligado à UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro) apontam que o Governo de Jair Bolsonaro cortou mais de R$ 113 bilhões durante os quatro anos de gestão. Só em 2022 foram mais de R$ 40 bilhões em recursos bloqueados. 

Institutos Federais e o IFBA Conquista

Os Institutos Federais são instituições públicas brasileiras, vinculada ao Ministério da Educação, especializada na oferta da educação profissional e de tecnologia (EPT). O Instituto Federal foi criado pela lei 11.892, em 29 de dezembro de 2008, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele reúne em um único modelo, características de escolas técnicas e universidades. 

O campus do IFBA em Vitória da Conquista, foi criado em 24 de novembro de 1994, com as suas obras iniciadas em 1989, sendo integrado à rede federal em 2008. A instituição oferece cursos técnicos ao ensino médio, técnico em eletromecânica, técnico em eletrônica, técnico em informática, técnico em meio ambiente, cursos em ensino superior em engenharia civil e ambiental, etc.

Fotos: Vanessa Sena e Raí Barbosa

*Esta reportagem foi produzida por estudantes da disciplina Jornalismo na Internet I, do curso de Jornalismo, sob orientação da prof. Carmen Carvalho