Chapa 1 “Uesb Viva e Democrática”: “O olhar feminino contribui para uma gestão mais sensível e inclusiva”

A chapa é composta pelos professores Madalena Souza, do campus de Conquista, e Daniel de Melo, do campus de Jequié 10 de abril de 2026 Pedro Meireles*

Os docentes Maria Madalena Souza e Daniel de Melo Silva, da chapa 1 “Uesb: Viva e Democrática”, propõem que a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) tenha, pela primeira vez em mais de 40 anos, uma mulher reitora à frente da instituição. Professora titular do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCSA), campus de Vitória da Conquista, ela é novata na disputa pela reitoria, ao contrário do seu vice, que concorreu ao cargo de reitor em 2018.

Madalena iniciou a trajetória na Uesb como estudante, quando ingressou no curso de Administração em 1992. Depois, em 2001, retornou à universidade para ocupar um lugar na docência. Em 2004, concluiu seu mestrado em Administração pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), e em 2017, se tornou doutora em Planejamento Territorial e Gestão Ambiental pela Universidade de Barcelona. 

Seu vínculo com a Uesb se estende à atuação como Pró-Reitora de Extensão, no período de 2014 a 2018, e diretora do DCSA por quatro mandatos, de 2005 a 2009 e de 2020 a 2024. Também foi vice-presidente da Associação dos Docentes da Uesb (Adusb). É professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde (PPGES/Uesb), com pesquisas nas áreas de ética, bioética, direito, saúde e violência.

Ao lado de Madalena na disputa pela reitoria para a gestão 2026-2030, Daniel é docente efetivo da Uesb desde 2010, no Departamento de Ciências e Tecnologia (DCT), campus de Jequié. Ele é bacharel em Farmácia pela Universidade Tiradentes (UNIT), além de mestre e doutor em Química e Biotecnologia pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

No plano de gestão, a chapa 1 destaca, entre os principais eixos de sua candidatura, a defesa da democracia e da autonomia universitária, a garantia de políticas institucionais de acessibilidade, o compromisso com a assistência e permanência estudantil, além do fortalecimento da Uesb para a contribuição no desenvolvimento da região.

Confira a seguir a entrevista da chapa 1 ao Site Avoador. Para manter a isonomia, foram enviadas simultaneamente nove perguntas para cada chapa, sendo oito iguais e uma específica para cada dupla, respeitando o Art. 18 do Regulamento Eleitoral, que prevê “elaboração de roteiro único e padronizado, com no mínimo 70% (setenta por cento) perguntas idênticas para todas as chapas”. 

Avoador – O Restaurante Universitário (RU) é uma importante política de permanência estudantil. Apesar dos subsídios em vigor para habilitados ao PRAE, alunos estrangeiros e cadastrados na Ação de Apoio Alimentar, o movimento estudantil ainda reivindica outros aprimoramentos, a exemplo do preço de R$2,00 por refeição para todos os discentes, sem distinções, o funcionamento regular no período noturno e a reposição dos alimentos em tempo hábil. Quais são as propostas da chapa para garantir alimentação e estrutura de atendimento adequadas no RU?

Chapa 1 –  Defendemos o RU como política estruturante de permanência estudantil, com ampliação progressiva do subsídio rumo à universalização do acesso. Propomos funcionamento regular também no período noturno, melhoria contínua da qualidade nutricional das refeições e aperfeiçoamento da logística de reposição de alimentos. Nossa gestão atuará com planejamento e escuta permanente do movimento estudantil, garantindo transparência e participação na definição de critérios e prioridades.

Avoador – Existem cursos na Uesb, especialmente de graduação, que lidam com a falta de professores. Dessa forma, disciplinas são ofertadas em período especial de férias para tentar minimizar o atraso dos semestres e docentes são sobrecarregados com atividades de ensino, o que compromete a atuação na pesquisa e extensão. Por que a sua chapa é a melhor candidata para negociar com o Governo do Estado da Bahia a realização de concursos públicos?

Chapa 1 – Nossa chapa reúne experiência institucional, compromisso público e capacidade de diálogo para enfrentar o déficit de pessoal. Defendemos a ampliação do quadro efetivo como prioridade, com base em estudos técnicos e planejamento institucional. Atuaremos com firmeza junto ao Governo do Estado, em articulação com outras universidades e entidades, para garantir concursos públicos, valorização das carreiras e melhores condições de trabalho.

Avoador – Nos últimos anos, os índices de concorrência em alguns cursos tiveram uma queda significativa. Se eleito(a), quais políticas pensa em adotar para tornar a Uesb uma universidade mais atrativa para novos estudantes?

Chapa 1 – Para tornar a UESB mais atrativa, propomos enfrentar a evasão com políticas robustas de permanência estudantil, inovação pedagógica e revisão curricular. Vamos fortalecer a extensão e a integração com a sociedade, além de investir na comunicação institucional, valorizando a imagem da universidade pública, gratuita e de qualidade. Acreditamos que atratividade se constrói com inclusão, qualidade acadêmica e compromisso social.

Avoador – Há uma demanda nos três campi por melhorias na infraestrutura, desde a implementação de rampas para pessoas com deficiência física até a reforma de laboratórios, salas de aula e auditórios. Quais são as propostas da chapa para aprimoramento dos espaços físicos da universidade?

Chapa 1 –  Propomos um plano integrado de requalificação da infraestrutura dos três campi, com prioridade para acessibilidade, inclusão e modernização de laboratórios, salas de aula e auditórios. A gestão será orientada por planejamento participativo, garantindo transparência na aplicação dos recursos e definição coletiva das prioridades. Também buscaremos ampliar investimentos por meio de articulação institucional e captação de recursos.

Avoador – Diante dos desafios de financiamento e valorização da produção acadêmica, quais propostas a chapa apresenta para ampliar os investimentos em pesquisa e extensão na Uesb, garantindo recursos, infraestrutura e incentivo à participação de estudantes e docentes?

Chapa 1 – Defendemos a ampliação dos investimentos em pesquisa e extensão por meio do fortalecimento de editais internos, valorização dos pesquisadores e redução de entraves burocráticos. Atuaremos na articulação com agências de fomento e no diálogo com o Governo do Estado para ampliar recursos. Também propomos integrar ensino, pesquisa e extensão, ampliando a participação estudantil e o impacto social da produção acadêmica.

Candidatos da Chapa 1 – Madalena Souza e Daniel de Melo. A votação será no dia 15 de abril.

Avoador – Os trabalhadores e trabalhadoras terceirizados/as da Uesb enfrentam frequentemente a falta de recebimento dos seus salários. Entre 2024 e 2025, a universidade teve que assumir o pagamento dos salários desses funcionários diante da incapacidade da empresa de cumprir as obrigações contratuais. Esse problema é recorrente diante da política de terceirização que vem sendo adotada pelo Governo do Estado da Bahia. Caso eleita, como a chapa pretende lidar com as demandas dos terceirizados, que desempenham serviços essenciais na Uesb?

Chapa 1 – Defendemos respeito, dignidade e garantia de direitos aos trabalhadores terceirizados, que desempenham funções essenciais na universidade. Atuaremos com fiscalização rigorosa dos contratos e cobrança das empresas responsáveis, além de diálogo institucional com o Governo do Estado. Também propomos ações de acolhimento, valorização e melhoria das condições de trabalho, reconhecendo o papel desses trabalhadores na vida universitária.

Avoador – O assédio moral e sexual é uma realidade nos três campi da Uesb, que exige acolhimento das vítimas e apuração rigorosa de denúncias. Como a chapa planeja viabilizar canais de denúncia por meio dos quais as vítimas, estudantes, professores ou técnicos, sejam resguardadas e não revitimizadas?

Chapa 1 – Nossa gestão implementará uma política institucional de prevenção e combate ao assédio moral e sexual, com canais seguros, sigilosos e acessíveis de denúncia. Garantiremos acolhimento qualificado às vítimas, evitando revitimização, e apuração rigorosa das denúncias. A proposta inclui gestão paritária, com participação dos segmentos da comunidade universitária, fortalecendo uma cultura institucional baseada no respeito e na dignidade.

Avoador – Desde 2013, a ONG Amigo Pet atua voluntariamente na Uesb oferecendo alimentação e cuidados veterinários aos animais comunitários. Porém, a universidade não possui uma política voltada para a causa animal ou espaço para manejo adequado dos animais, especialmente aqueles doentes ou em recuperação. Quais são as propostas práticas da chapa para garantir apoio aos docentes e discentes que voluntariamente cuidam dos animais comunitários?

Chapa 1 – Propomos institucionalizar uma política de cuidado aos animais comunitários, reconhecendo o trabalho já desenvolvido por iniciativas voluntárias. A gestão buscará apoiar essas ações com estrutura adequada, parcerias com cursos da área e acompanhamento técnico. Também pretendemos criar espaços apropriados para manejo e recuperação dos animais, garantindo cuidado responsável e integração com ações de ensino, pesquisa e extensão.

Avoador – Caso a chapa seja eleita, a reitoria da Uesb será liderada por uma mulher pela primeira vez. De quais formas o olhar feminino pode ser um diferencial em uma possível gestão da universidade?

Chapa 1 – A eleição de uma mulher à reitoria representa um marco histórico para a UESB e fortalece a luta por equidade. O olhar feminino contribui para uma gestão mais sensível, inclusiva e comprometida com o cuidado, o diálogo e a escuta. Nossa proposta reafirma valores como respeito, diversidade e justiça social, consolidando uma universidade mais democrática, humana e alinhada às demandas da comunidade acadêmica.

*Pedro Meireles é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.

Uma resposta para “Chapa 1 “Uesb Viva e Democrática”: “O olhar feminino contribui para uma gestão mais sensível e inclusiva””

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