Chapa 2 “Cuidar para Transformar”: “Cuidar da universidade é não deixar ninguém para trás”

A chapa é composta pelos professores Robério Rodrigues, do campus de Itapetinga, e Francys Cerqueira, do campus de Jequié 10 de abril de 2026 Nanda Deda*

Na disputa pela reitoria da Uesb para a gestão 2026-2030, a chapa 2  “Cuidar Para Transformar” reúne representantes dos campi de Itapetinga e Jequié. Professor pleno do Departamento de Ciências Exatas e Naturais (DCEN), o candidato à reitor, Robério Rodrigues Silva, tem exercido a função de Pró-Reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação da universidade nos últimos oito anos. Já a candidata à vice-reitora, Francislene Cerqueira de Jesus, é professora da instituição há mais de 15 anos.

Docente da Uesb desde 2005, Robério iniciou a trajetória acadêmica como estudante da universidade, passando pela graduação e mestrado em Zootecnia. Depois, seguiu para para o doutorado e pós-doutorado na mesma área pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Na Uesb de Itapetinga, entre 2009 e 2014, atuou como vice-coordenador e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia.

Entre 2014 e 2018, ele foi diretor do DCEN. O candidato é pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com mais de 230 artigos publicados, foi líder estudantil e é ex-coordenador do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação das Instituições de Ensino Superior Brasileiras (FOPROP) Nordeste

Candidata à vice-reitora, Francislene é professora do Departamento de Ciências Humanas e Letras (DCHL), campus de Jequié, desde 2011. Ela é graduada em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), mestre em Memória pela Uesb e doutora em Educação pela Ufba. Também tem especializações em Libras e Educação Inclusiva pela Faculdade Santo Agostinho (FACSA), além de pesquisas na área do feminismo negro. 

No plano de gestão, a chapa 2 destaca, entre os principais eixos de sua candidatura, a defesa de uma gestão democrática, priorizando a inclusão e o respeito às diversidades, a ampliação de ações afirmativas e a valorização do servidor público.

Confira a seguir a entrevista da chapa 2 ao Site Avoador. Para manter a isonomia, foram enviadas simultaneamente nove perguntas para cada chapa, sendo oito iguais e uma específica para cada dupla, respeitando o Art. 18 do Regulamento Eleitoral, que prevê “elaboração de roteiro único e padronizado, com no mínimo 70% (setenta por cento) perguntas idênticas para todas as chapas”.

Avoador – O Restaurante Universitário (RU) é uma importante política de permanência estudantil. Apesar dos subsídios em vigor para habilitados ao PRAE, alunos estrangeiros e cadastrados na Ação de Apoio Alimentar, o movimento estudantil ainda reivindica outros aprimoramentos, a exemplo do preço de R$2,00 por refeição para todos os discentes, sem distinções, o funcionamento regular no período noturno e a reposição dos alimentos em tempo hábil. Quais são as propostas da chapa para garantir alimentação e estrutura de atendimento adequadas no RU?

Chapa 2 – A segurança alimentar e nutricional é uma política central para a permanência estudantil, e a chapa 2 Cuidar Para Transformar trata esse tema como prioridade, sempre atenta às demandas do próprio movimento discente. Nosso Plano de Gestão propõe negociar com urgência junto ao Governo do Estado um modelo de financiamento estável e suficiente para garantir o funcionamento pleno e de qualidade dos RUs. Defendemos a manutenção da oferta de três refeições diárias para estudantes em situação de vulnerabilidade, sem distinção, proposta que veio através da escuta junto ao movimento estudantil e antes mesmo da recente adoção pela atual gestão. Também propomos a construção de um RU no Campus II de Jequié, ampliando a cobertura dessa política. Sobre a ampliação do atendimento noturno, melhoria da reposição dos alimentos e aperfeiçoamento do valor cobrado, tratam-se de demandas legítimas e que devem ser tratadas com respeito aos estudantes, diálogo, planejamento e responsabilidade orçamentária. É nosso compromisso garantir qualidade, regularidade, dignidade no atendimento e uma política de alimentação estudantil que responda às necessidades reais dos nossos estudantes. Convidamos todo o corpo discente a conhecer o nosso Plano de Gestão, que possui um conjunto integrado e estruturante de ações voltadas à permanência estudantil, à acessibilidade, à qualidade de vida e ao fortalecimento da participação discente.

Avoador – Existem cursos na Uesb, especialmente de graduação, que lidam com a falta de professores. Dessa forma, disciplinas são ofertadas em período especial de férias para tentar minimizar o atraso dos semestres e docentes são sobrecarregados com atividades de ensino, o que compromete a atuação na pesquisa e extensão. Por que a sua chapa é a melhor candidata para negociar com o Governo do Estado da Bahia a realização de concursos públicos?

Chapa 2 – Nossa chapa é a mais preparada para negociar com o Governo do Estado porque unimos diagnóstico, proposta concreta e a experiência institucional acumulada pelos professores Robério e Francys. Hoje a Uesb sofre com falta de docentes e técnicos, o que gera sobrecarga de trabalho e impactos diretos sobre o ensino, a pesquisa e a extensão. Por isso, propomos instituir um cronograma anual de concursos públicos para docentes, baseado em projeções reais de vacância, como aposentadorias, exonerações e outras saídas previsíveis, estruturando um plano plurianual de recomposição do quadro. Mas há um diferencial importante: o currículo do professor Robério demonstra que ele possui forte trânsito institucional e experiência em instâncias externas, enquanto a professora Francys é a única candidata a vice que já ocupou cargo de direção departamental. A chapa 2 Cuidar Para Transformar reúne, assim, experiência em gestão universitária, pesquisa, pós-graduação e articulação institucional, o que fortalece a capacidade de negociação da Uesb diante do Governo. Não se trata apenas de reivindicar concursos, mas de apresentar dados, prioridades e planejamento com empenho e credibilidade política e técnica, defendendo sempre a autonomia universitária para planejar seu crescimento e suas necessidades de pessoal.

Avoador – Nos últimos anos, os índices de concorrência em alguns cursos tiveram uma queda significativa. Se eleito(a), quais políticas pensa em adotar para tornar a Uesb uma universidade mais atrativa para novos estudantes?

Chapa 2 – A queda da concorrência em alguns cursos precisa ser enfrentada com seriedade, e não apenas com ações pontuais de divulgação. Nossa chapa entende que tornar a Uesb mais atrativa exige combinar qualidade acadêmica, permanência estudantil, modernização institucional e conexão com a sociedade. Nosso Plano de Gestão propõe modernização curricular, com maior flexibilidade, interdisciplinaridade e construção de trilhas formativas, tornando os cursos mais atualizados e alinhados às demandas contemporâneas. Também defendemos a desburocratização de processos, mecanismos mais ágeis de ocupação de vagas ociosas, fortalecimento das licenciaturas e bacharelados e maior aproximação da universidade com as escolas e os territórios onde atua. Além disso, a atratividade da Uesb depende diretamente de melhores condições de permanência, com assistência estudantil fortalecida, segurança alimentar, acessibilidade, conectividade, laboratórios e espaços qualificados. Nossa proposta é reposicionar a Uesb como uma universidade pública de excelência, socialmente comprometida, academicamente inovadora e mais acolhedora para quem deseja ingressar, permanecer e concluir sua formação.

Avoador – Há uma demanda nos três campi por melhorias na infraestrutura, desde a implementação de rampas para pessoas com deficiência física até a reforma de laboratórios, salas de aula e auditórios. Quais são as propostas da chapa para aprimoramento dos espaços físicos da universidade?

Chapa 2 – A infraestrutura é um dos gargalos centrais da UESB e propomos enfrentá-la em múltiplas frentes: modernização de laboratórios, bibliotecas, salas de aula e espaços de prática; melhoria das condições materiais dos cursos; ampliação da acessibilidade universal, com adequações físicas que contemplem as pessoas com deficiência; e implantação de um Sistema Integrado de Gestão de Espaço Físico para otimizar a alocação de salas, auditórios e laboratórios. Além disso, nosso Plano de Gestão prevê mecanismos digitais para registro e acompanhamento de demandas de infraestrutura e articula esse tema a uma visão de campus mais acessível, funcional, sustentável e acolhedor. Com a experiência concreta de gestão acadêmica e administrativa que Robério e Francys possuem, conhecimento das demandas reais dos campi e capacidade de articulação institucional para transformar essas necessidades em prioridades de execução, a chapa 2 Cuidar para Transformar busca construir, com diálogo e respeito aos espaços democráticos, uma Uesb com espaços mais dignos, acessíveis, funcionais, sustentáveis e compatíveis com a excelência acadêmica que a universidade já produz.

Avoador – Diante dos desafios de financiamento e valorização da produção acadêmica, quais propostas a chapa apresenta para ampliar os investimentos em pesquisa e extensão na Uesb, garantindo recursos, infraestrutura e incentivo à participação de estudantes e docentes?

Chapa 2 – A chapa 2 entende que pesquisa e extensão não são áreas acessórias, mas sim dimensões estruturantes da universidade pública. Por isso, o nosso Plano de Gestão propõe uma política integrada de fortalecimento dessas áreas, com planejamento, financiamento e valorização institucional. Defendemos orçamento mais previsível, continuidade para programas estratégicos, fortalecimento da infraestrutura física e digital da pesquisa, ampliação de editais e apoio à participação de estudantes e docentes em atividades científicas e extensionistas. No campo da extensão, propomos criar condições para programas mais duradouros, articulados ao ensino e à pesquisa, com maior capilaridade e impacto social, incluindo ainda o fomento e a valorização da produção artística e cultural da comunidade acadêmica. Mais uma vez, o diferencial da nossa chapa é que esse compromisso vem acompanhado da trajetória dos professores Robério e Francys, que possuem experiência acumulada em pesquisa, pós-graduação, captação de recursos e gestão acadêmica, o que nos dá condições concretas de ampliar a capacidade institucional da Uesb de acessar editais, qualificar estruturas e dar mais visibilidade à produção científica, artística e cultural. Mais do que defender a pesquisa e a extensão no discurso, queremos criar as condições reais para que elas se fortaleçam como parte central do projeto de universidade que defendemos.

Candidatos da Chapa 2 – Robério Rodrigues e Francys Cerqueira. A votação será no dia 15 de abril.

Avoador – Os trabalhadores e trabalhadoras terceirizados/as da Uesb enfrentam frequentemente a falta de recebimento dos seus salários. Entre 2024 e 2025, a universidade teve que assumir o pagamento dos salários desses funcionários diante da incapacidade da empresa de cumprir as obrigações contratuais. Esse problema é recorrente diante da política de terceirização que vem sendo adotada pelo Governo do Estado da Bahia. Caso eleita, como a chapa pretende lidar com as demandas dos terceirizados, que desempenham serviços essenciais na Uesb?

Chapa 2 – A situação dos trabalhadores terceirizados é, infelizmente, grave, inaceitável e recorrente. São profissionais que desempenham funções essenciais para o funcionamento da Uesb e precisam ser tratados com dignidade, respeito e responsabilidade institucional. A terceirização, da forma como vem sendo conduzida, tem produzido precarização, instabilidade e descontinuidade dos serviços. Diante disso, nosso compromisso é garantir acompanhamento rigoroso dos contratos, cobrança firme das empresas quanto ao cumprimento das obrigações trabalhistas e atuação institucional permanente para que situações de atraso salarial não sejam naturalizadas. Defendemos também que os terceirizados sejam reconhecidos como parte legítima da comunidade universitária, com canais de escuta e diálogo que permitam visibilizar suas demandas e problemas. Além disso, propomos que as contratações observem critérios de responsabilidade e compromisso social. Não aceitaremos que trabalhadores essenciais permaneçam invisíveis ou submetidos à insegurança. Cuidar da universidade é não deixar ninguém para trás, cuidando de quem a faz funcionar todos os dias.

Avoador – O assédio moral e sexual é uma realidade nos três campi da Uesb, que exige acolhimento das vítimas e apuração rigorosa de denúncias. Como a chapa planeja viabilizar canais de denúncia por meio dos quais as vítimas, estudantes, professores ou técnicos, sejam resguardadas e não revitimizadas?

Chapa 2 – O enfrentamento ao assédio moral e sexual exige compromisso institucional concreto, e não apenas declarações de princípio. A chapa 2 propõe a implantação de um Código de Conduta Ética da Uesb e de um Protocolo de Prevenção e Combate ao Assédio Moral, Sexual e à Discriminação. Esse protocolo será construído para garantir canais de denúncia sigilosos, acessíveis e seguros, assegurando acolhimento adequado às vítimas e evitando sua revitimização. Também defendemos procedimentos claros, ágeis e imparciais de apuração, com responsabilização quando cabível, sempre respeitando o devido processo. Além disso, propomos ações permanentes de prevenção, formação e sensibilização, porque o combate ao assédio não pode ser apenas reativo: ele precisa ser parte da cultura institucional. A comunidade acadêmica precisa estar informada e preparada para saber como agir corretamente em situações de assédio, mas também precisa se sentir segura de que, ao agir, não sofrerá com intimidações, perseguições, silenciamentos ou processos de revitimização. Nosso compromisso é que estudantes, docentes, técnicos e terceirizados encontrem uma universidade capaz de acolher, proteger e agir com seriedade, por isso, inclusive, o nome da nossa chapa é Cuidar para Transformar. A Uesb que buscaremos construir será um espaço de formação, trabalho e convivência livre de violência, medo e silenciamento.

Avoador – Desde 2013, a ONG Amigo Pet atua voluntariamente na Uesb oferecendo alimentação e cuidados veterinários aos animais comunitários. Porém, a universidade não possui uma política voltada para a causa animal ou espaço para manejo adequado dos animais, especialmente aqueles doentes ou em recuperação. Quais são as propostas práticas da chapa para garantir apoio aos docentes e discentes que voluntariamente cuidam dos animais comunitários?

Chapa 2 – Reconhecemos a importância do trabalho realizado pela ONG Amigo Pet, assim como as ações desenvolvidas por pessoas isoladas ou articuladas em grupos empenhados no cuidado e na defesa dos animais comunitários nos três campi. A atuação voluntária em defesa dos animais comunitários é muito importante e precisa ser transformada em política institucional. O Plano de Gestão prevê a criação de uma Política de Cuidado e Bem-Estar Animal nos campi, construída de forma participativa, com diretrizes claras para alimentação, abrigo, cuidados e convivência responsável com os animais comunitários. Também propomos parcerias com clínicas veterinárias, cursos da área de saúde e órgãos públicos para ações de vacinação, castração, acompanhamento sanitário e campanhas permanentes de conscientização contra abandono e maus-tratos. Isso significa oferecer respaldo institucional mais consistente a docentes, estudantes e voluntários que hoje já realizam esse trabalho, muitas vezes sem apoio suficiente. O compromisso da chapa 2 é tirar essa pauta do improviso e construir uma política responsável, ética e permanente, que trate a causa animal com seriedade e também contribua para um ambiente universitário mais saudável, organizado e humanizado.

Avoador – A valorização da ciência produzida na Uesb é uma das principais frentes da sua campanha. Por que a chapa acredita que esse olhar voltado para a produção científica pode ser um diferencial em uma possível gestão?

Chapa 2 – Para nossa chapa, valorizar a ciência não é um slogan, mas sim uma concepção de universidade e também um diferencial concreto de gestão. Acreditamos que a Uesb deve ser conduzida a partir do reconhecimento de que a produção científica, articulada ao ensino e à extensão, é decisiva para o desenvolvimento social, regional e humano. Esse olhar se traduz em propostas objetivas no Plano de Gestão, como: fortalecimento do financiamento, ampliação da infraestrutura de pesquisa, apoio à participação estudantil em atividades científicas, valorização da pós-graduação, estímulo à ciência aberta, fortalecimento dos periódicos e da Edições Uesb, além de maior visibilidade para a produção acadêmica, artística e cultural. Mas esse compromisso ganha ainda mais força porque está ligado ao perfil da chapa, composta por profissionais com experiência acumulada em pesquisa, pós-graduação, gestão universitária e articulação com agências e redes institucionais. Isso significa que não apenas reconhecemos a centralidade da ciência, mas temos condições reais de transformá-la em política de gestão, haja vista a atuação, competente e largamente reconhecida por seus pares, do professor Robério à frente da PROPPI e como presidente do FOPROP. Defender a ciência é defender a universidade pública e sua importância como espaço de transformação.

*Nanda Deda é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.

Uma resposta para “Chapa 2 “Cuidar para Transformar”: “Cuidar da universidade é não deixar ninguém para trás””

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