Festival Universitário promove a memória e arte nos três campi da Uesb
Em 2024, o tema escolhido foi inspirado na canção “Rebento” do cantor baiano Gilberto Gil 24 de outubro de 2024 Ane Caroline, Bianca ChagasO Festival Universitário Intercampi de Cultura e Arte (Fuica) realizou um programação no mês de outubro, com agenda de atividades culturais e formativas distribuídas nos três campi da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb): Itapetinga, Jequié e Vitória da Conquista. Com o tema “A flor na pedra e o trigo ao vento: o rebentar da criação”, inspirado na canção “Rebento”, de Gilberto Gil, a edição de 2024 defendeu a arte como expressão de resistência no presente e nas memórias do cotidiano.
O evento é realizado pela Uesb por meio da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Permanência e Assistência Estudantil (Proapa), com a proposta de ampliar o acesso à arte e promover reflexões sobre identidade e pertencimento. O evento busca romper com a ideia de que a arte é um privilégio de alguns poucos ao aproximá-la da vivência de comunidade estudantil e do entorno da universidade.
Em Vitória da Conquista, um dos destaques da programação do Fuica, foi o espetáculo “Memórias Imaginadas das Terras por Onde Andei”, apresentado pela artista Dani de Iracema, cujo espetáculo solo foi realizado na abertura do evento, no dia 23 de outubro. A artista trouxe ao palco, do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, uma narrativa sobre deslocamento e pertencimento. “É um espetáculo totalmente autobiográfico que partiu da minha experiência de migrar de Conquista para Salvador. Mas, depois, eu começo a fabular esse deslocamento de maneira mais coletiva, relacionando com a minha ancestralidade negra e individual”, explicou atriz. A peça, parte do projeto “Sertão Sankofa,” também trouxe questões como a migração e a trajetória histórica de comunidades negras e indígenas no Brasil.
A abertura do Fuica aconteceu no campus da Uesb de Itapetinga, nos dias 8 e 9 de outubro, e seguiu para o campus de Jequié, nos dias 15 e 16, finalizando entre os dias 21 e 23 de outubro em Conquista. Com uma programação variada, o festival contou com espetáculos teatrais, performances, exibições de curtas-metragens e exposições de fotografia e pintura. Além das apresentações, oficinas temáticas foram oferecidas ao público, promovendo o envolvimento direto dos participantes com diversas formas de expressão artística. Entre as oficinas, destacaram-se as de Lambe-Lambe, focada em arte urbana, e a de “Teatro do Oprimido”, que apresentou uma perspectiva sobre o teatro como forma de resistência e popularização da arte.
Neste ano, o Fuica, que está em sua quarta edição, recebeu mais de 100 inscrições de artistas, sendo 26 propostas selecionadas para compor a programação. A comissão curadora, composta por professores, artistas e profissionais da Uesb, teve como objetivo trazer ao público talentos conectados às suas vivências pessoais e culturais. Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas, Permanência e Assistência Estudantil (Proapa), Adriana Amorim, “o Fuica representa a consciência de que a arte faz parte do processo educativo, da experiência universitária e significa uma oportunidade dos estudantes organizarem uma produção, juntar os amigos e fazerem propostas.”
- Em Conquista, o público do Fuica pôde conferir a apresentação de espetáculo e exposição de fotos de artistas locais Crédito: Bianca Chagas
Programação
Em Itapetinga, nos dias 8 e 9 de outubro, atividades realizadas foram oficinas de poesia concretista e dança, além das exposições “Cores e Culturas” e “Olhos da Lente”. A programação também incluiu o espetáculo teatral “Nas Asas do Tempo” e a performance musical “Da Bossa Nova ao Tango: Violão e Violino”.
Já em Jequié, nos dias 15 e 16 de outubro, o evento teve na programação exibições audiovisuais, como “Vitórias de Glauber, Conquistas de Cidade” e “Tempore Neon” e a peça “Nas Asas do Tempo”. Foram realizadas ainda oficinas voltadas para dança e expressão corporal.
Em Conquista, além da abertura do evento, no 21 de outubro, aconteceram a oficina de Teatro do Oprimido, apresentações de maracatu e uma oficina de lambe-lambe. No dia 23, ocorreu o encerramento do festival no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima e no campus da Uesb, com a peça “Memórias Imaginadas das Terras por Onde Andei”, que faz parte do projeto “Sertão Sankofa”, com o foco nas memórias e deslocamentos de comunidades negras e indígenas.