Curso de AfroLibras está com inscrições abertas até 8 de março
As atividades são promovidas pelo terreiro Ilé Àṣẹ Àiyé Ọ̀ṣùn Káre em parceria com o projeto Axé Libras, em Vitória da Conquista 25 de fevereiro de 2026 Luan Pereira*As inscrições para os cursos de nível básico e intermediário de AfroLibras, em Vitória da Conquista, estão abertas até o dia 8 de março, e podem ser feitas por meio de formulários online disponíveis na página @ileaseaiyeosunkare. As atividades são promovidas pelo terreiro Ilé Àṣẹ Àiyé Ọ̀ṣùn Káre em parceria com o projeto Axé Libras.
Os cursos são híbridos, com aulas presenciais e online, carga horária de 40h e duração de dois meses. A mensalidade para o nível básico custa R$60, enquanto para o intermediário, o valor é R$80. As aulas terão início nos dias 11 e 12 de março, com turmas das 19h às 21h. Os encontros presenciais serão no terreiro, localizado na Rua Andorinha, nº 22, no bairro Bateias 2.
Idealizado pelo babalorixá, intérprete de Libras, doutor em Memória e professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Wermenson Silva, o curso teve sua primeira turma em 2025. O conteúdo conecta o aprendizado da Libras à cultura afro-brasileira, ensinando sinais que representam gestos, movimentos e expressões usados nos rituais de Candomblé e outras religiões de matriz africana.
Segundo a intérprete de Libras e professora do curso de nível básico, Maria Eduarda Nazaré, o projeto promove a inclusão ao mesmo tempo que compartilha conhecimentos sobre a cultura africana. “Participei da primeira turma e foi uma experiência enriquecedora porque é oferecido um ambiente democrático e livre. Pude conhecer culturas diferentes, além da língua de sinais.”
Projeto Axé Libras
Em 2018, Wermenson Silva criou o canal no YouTube Axé Libras, primeiro voltado à comunidade surda com verbetes na língua yorubá, idioma falado na Nigéria, no sul da República de Benin, nas Repúblicas do Togo e nos terreiros de Candomblé da nação Ketu/Nagô do Brasil.
A iniciativa faz parte do projeto de extensão da Uesb “Construindo saber: édè lamí”, iniciado pelo docente com colaboração de professores da rede pública municipal, comunidade surda, tradutores e intérpretes em Libras.
Em entrevista à Uesb, o pesquisador contou que o projeto surgiu diante da necessidade em discutir a cultura afro-brasileira e africana nas escolas, considerando que a temática é um componente curricular da Educação Básica, por meio da Lei nº 10.639/2003.
Foto de capa: Freepik
*Luan Pereira é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.