Dia de votação em Conquista é marcado por filas e prisão por boca de urna

Eleitores se queixam de esperar mais de uma hora para a votação em diferentes colégios da cidade. Uma pessoa foi presa por boca de urna no bairro Cruzeiro 4 de outubro de 2026 < Arthur França, Lázaro Oliveira, Luan Pereira e Malu Castro

Neste domingo (04/10), 215.862 pessoas votaram no primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, em Vitória da Conquista. A votação no município foi marcada por longas filas nas seções eleitorais, uma prisão por boca de urna na Escola Municipal Mãe Vitória de Petu, no bairro Cruzeiro, e 49.239 abstenções.

A votação começou às 8h e os portões dos colégios eleitorais foram fechados às 17h. No Complexo Integrado de Educação Básica, Tecnológica e Profissional (CIENB), no bairro Brasil, onde estão distribuídos 6.487 eleitores em 20 seções, o início da manhã teve pouco movimento, principalmente por causa das chuvas. 

Em frente ao CIENB, ambulantes vendiam água, doces e salgados. No chão, uma grande quantidade de santinhos foi espalhada, o que configura crime eleitoral por poluição visual e ambiental. Por volta das 10h40, após o fim do temporal na região, as filas nas seções começaram a se alongar.

Santinhos espalhados no chão em frente ao CIENB

Quem se enquadra no critério de prioridade não enfrentou filas no CIENB. O serralheiro de 48 anos, Maron Gusmão, acompanhou o filho, Ian Deives, de 20 anos, uma pessoa com deficiência, durante a votação. “Meu filho votou tranquilamente, não tivemos nenhum problema. A prioridade dele foi respeitada, conforme a lei”, destacou o trabalhador.

O aposentado Israel de Souza também não enfrentou dificuldades para exercer o seu direito ao voto. “Quando cheguei, a fila já estava extensa, entretanto, eles me deram prioridade. Percebi que estavam se certificando de que todos os direitos dos idosos fossem cumpridos.”

A juventude foi outro grupo que saiu de casa para votar. A consultora de 23 anos, Beatriz Rosário, disse que pesquisou e acompanhou os debates antes de escolher os seus candidatos. “Gosto de pesquisar os projetos, o que já foi feito pelo candidato, pois tudo isso para mim importa na hora de escolher.” Segundo a jovem, mesmo a passos lentos, ela espera o melhor para a Bahia e o Brasil. 

O estudante Cauê Borges, de 20 anos, compartilha do mesmo sentimento. “Desejo que o nosso país tenha muito crescimento, que consigamos evoluir bastante, ser uma pátria independente e forte.”

De acordo com a fiscal Antônia Macedo, a expectativa era que mais pessoas fossem votar nas primeiras horas da manhã no CIENB. “Está tudo tranquilo, apesar de esperarmos um volume maior de pessoas logo cedo.”

Já no Colégio Estadual de Tempo Integral Professora Heleusa Figueira Câmara, no bairro Candeias, as filas estavam longas, por volta das 11h15. O local é o maior colégio eleitoral de Conquista, com 11.346 eleitores cadastrados, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).

Longas filas no Colégio Estadual de Tempo Integral Professora Heleusa Figueira Câmara, no Candeias

A técnica judiciária do TRE-BA, Zélia Sousa, informou que, até às 12h, cinco urnas eletrônicas tiveram que ser substituídas na cidade. “Elas apresentaram problemas no terminal do mesário e do eleitor, mas a dificuldade foi resolvida com a troca.”

O professor Márcio Oliveira votou no local. Para ele, dar um voto significa ter esperança no crescimento do país. “Saúde, educação, meio ambiente, relações internacionais. Espero que esses pilares continuem estabelecidos. Minha esperança é que o país continue amadurecendo cada vez mais.”

Votação no turno vespertino

No turno vespertino, as longas filas permaneceram nas seções eleitorais. Na Escola Municipal Frei Serafim do Amparo, no bairro Zabelê, segundo maior local de votação de Conquista, com 8.076 eleitores cadastrados e 20 seções, pessoas desistiram de votar após esperar por horas na fila.

Eleitores aguardam na fila da Escola Municipal Frei Serafim de Amparo, no bairro Zabelê

A autônoma Luana Moreira, de 40 anos, conta que o esposo não conseguiu esperar pela sua vez para votar. “Uma espera de mais de uma hora e meia. Eu vim para exercer minha cidadania, mas está precisando organizar mais isso.”

A servidora pública, Simone Santos, de 41 anos, afirma que percebeu maior participação do público de diversas idades nas eleições. “Estou aqui desde as 7h da manhã. A movimentação está tranquila, não houve nada suspeito, mas percebi muita gente, idosos e jovens.” 

O delegado da coligação “Unidos para mudar a Bahia”, Gerson Leite, de 40 anos, explica que, antes da abertura dos portões do colégio, já havia pessoas nas filas. Apesar do grande fluxo de pessoas, ele afirma que não houve intercorrências. “No geral, está tranquilo, um pouco cheio e temos alguns incômodos com o derramamento dos santinhos, mas nada demais.”

O fiscal eleitoral e biomédico, Lucas Amaral, de 26 anos, destaca a pluralidade de eleitores presentes nas seções do colégio, desde idosos acima dos 80 anos até adolescentes de 16 anos. “É muito importante participar desse processo de democracia do país. É o voto que decide o futuro do nosso país. Acho que todo mundo deveria prestar a vir votar”, pontua.

No bairro Patagônia, o Colégio Monte Tabor também registrou longas filas. Pela primeira vez, o colégio recebeu as seções 272, 273, 274, 275, 276 e 302. No total, 1.800 eleitores estavam aptos a exercer o voto no colégio, com cada seção recebendo cerca de 250 a 300 votantes.

Pessoas aguardam para exercer o direito ao voto no Colégio Monte Tabor, no bairro Patagônia

A fiscal eleitoral e coordenadora pedagógica Beatriz Marques, de 33 anos, relata que, apesar das longas filas ao longo do dia, não foram registrados problemas no colégio eleitoral. “Foi um pleito tranquilo, cheio, demorado, o que é normal, mas sem nenhum tipo de alteração.”

Para o advogado Caio Pereira, de 29 anos, da coligação “Unidos para mudar a Bahia”, a adesão da população e a quantidade de cargos a serem votados também contribuíram para as longas filas. “São seis votos, então, por vezes, a pessoa chega à urna, acaba esquecendo o número do candidato, e isso faz com que o processo se torne um pouco mais demorado.” 

Substituição de urnas

Segundo balanço do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), seis urnas foram substituídas devido a defeitos operacionais nas três zonas eleitorais de Conquista. Na zona 39, seção 167, na Escola Padre Palmeira, a urna apresentou falha na biometria do terminal do mesário e, na Escola Monteiro Lobato, seção 23, houve um problema no teclado do terminal do eleitor. 

Na zona 40, as intercorrências ocorreram em duas localidades da zona rural. Na seção 380, no Povoado Malhada (Distrito Sede), a urna apresentou defeito no teclado do terminal do eleitor. Já na seção 578, no Povoado Farinha Molhada (Distrito Bate Pé), a urna teve que ser substituída por causa de bateria defeituosa.

Na zona 41, seção 135, na Unex, o equipamento apresentou falha no touch screen do terminal do mesário, enquanto a seção 169, no Sacramentinas, registrou problema no visor do terminal do eleitor. 

Eleitorado em Conquista

Vitória da Conquista concentra três das 199 zonas eleitorais da Bahia: a 39ª, a 40ª e a 41ª. Juntas, elas reúnem 734 seções, onde estão inscritos 271.074 eleitores aptos a votar. Com esse número, a cidade ocupa a terceira posição entre os municípios baianos com maior número de eleitores, atrás de Salvador e Feira de Santana.

As mulheres são maioria entre os eleitores conquistenses. Ao todo, são 143.267 eleitoras, que representam 54,25% do eleitorado, enquanto os homens somam 120.824, o equivalente a 45,75%.

*Arthur França, Lázaro Oliveira, Luan Pereira e Malu Castro são bolsistas do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.