Eleições 2026: conheça as propostas dos candidatos à presidência para as mulheres

Renan Santos (Missão) e Rui Costa Pimenta (PCO) não apresentam propostas específicas para as mulheres em seus planos de governo 16 de setembro de 2026 < Malu Castro, Lázaro Oliveira e Rafael Pinheiro*

As mulheres são maioria da população brasileira, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2022. O país é composto por 104,5 milhões de mulheres e 9,5 milhões de homens, uma diferença de seis milhões. Como reflexo disso, a população feminina representa cerca de 53% do eleitorado

Diante desse cenário, nas Eleições 2026, as propostas dos candidatos à presidência do Brasil para as mulheres chamam atenção, especialmente quando o assunto é o combate à violência e ao feminicídio.

De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, em 2025, quase 29 milhões de mulheres foram vítimas de violência doméstica ou familiar. Um levantamento do Instituto Locomotiva aponta que 97% das brasileiras convivem com medo de sofrer violência sexual, principalmente mulheres negras. Além disso, o país bateu recorde de feminicídios pela quarta vez consecutiva, conforme dados do 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

No campo trabalhista, as mulheres trabalhadoras da iniciativa privada recebem um salário com valor 21,3% menor que o dos homens, exercendo os mesmos cargos, conforme relatório de transparência salarial do Ministério do Trabalho e Emprego divulgado em abril de 2026. 

Considerando esse contexto, a partir de uma consulta no Sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCand), o Avoador reuniu as propostas dos 12 presidenciáveis para a população feminina. 

Confira abaixo as propostas dos candidatos para as mulheres. Os nomes foram elencados por ordem alfabética.    

Clariana Barão (DC)

Foto: Democracia Cristã

Clariana Barão propõe a criação de uma rede nacional de proteção e resposta à violência, com atendimento integrado, humanizado e intersetorial. Na economia, cita o incentivo à autonomia financeira das mulheres por meio da qualificação e reinserção profissional, do empreendedorismo e do acesso a crédito responsável. 

No capítulo dedicado à segurança pública, a candidata afirma que será implementada a “proteção específica a mulheres, escolas e áreas vulneráveis”. Já na seção sobre saúde pública, cita como prioridade da possível gestão a promoção da saúde da mulher e da criança. 

Edmilson Costa (PCB)

Foto: PCB

No eixo 10 do plano do governo, Edmilson Costa aborda uma série de propostas voltadas às mulheres. O candidato propõe o combate permanente ao machismo. Ele também defende a criminalização da misoginia e a ampliação das licenças maternidade e paternidade.

O candidato do PCB defende ainda a legalização do aborto, com garantia de atendimento na rede pública de saúde, além de políticas públicas que possibilitem a emancipação da mulher dos trabalhos domésticos, zerando as filas de creches, ampliando a educação integral e efetuando a construção massiva de restaurantes e lavanderias populares. 

Costa também pretende reestruturar os currículos da educação básica, com o objetivo de incluir o trabalho de reprodução e as tarefas domésticas, possibilitando que meninos e meninas aprendam desde cedo as tarefas domésticas e reduzindo o impacto da divisão sexual do trabalho. É proposta do candidato garantir emprego, saúde pública, moradia e educação à população trans e travesti. 

Escritor Augusto Cury (Avante)

Foto: Divulgação

O escritor e candidato pelo partido Avante tem um capítulo do seu plano de governo dedicado às mulheres. No documento, consta o “Projeto de Estado Mulheres Vivas”, que consiste em três eixos: proteção à vida, garantia da igualdade e da autonomia, e proteção da saúde emocional e da autoestima. 

Suas propostas para proteger as mulheres e prevenir o feminicídio estão baseadas na integração das forças de segurança, da assistência jurídica, da tecnologia, do atendimento psicológico e da proteção social para identificar situações de alto risco e agir preventivamente. Entre as medidas previstas estão o fortalecimento da polícia comunitária e a atuação das Guardas Municipais; uso de botão de pânico ou sistemas de alerta com geolocalização; e a ampliação da integração entre Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.  

O documento apresenta ainda iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino, à qualificação profissional e ao incentivo à presença de mulheres em cargos de liderança. Mecanismos para reduzir disparidades no mercado de trabalho, autonomia econômica e igualdade salarial também são discutidos no plano de governo do candidato. 

No âmbito da saúde, Cury defende atenção preventiva, cuidado materno-infantil e atendimento humanizado “em todas as fases da vida da mulher”.  O candidato pelo partido Avante assume o compromisso de indicar mulheres para o Supremo Tribunal Federal, visando ampliar a representatividade feminina nas instâncias de decisão.

Flávio Bolsonaro (PL)

Foto: Raul Spinassé

O candidato concentra suas propostas no capítulo intitulado “Brasil por Elas”, no qual propõe a Central da Mulher, onde serão integrados serviços em que a mulher possa “resolver a vida sem perder tempo”, com uma versão digital via aplicativo.

Flávio também propõe a garantia de pacotes de internet para o acesso a serviços e direitos, programas de orientação financeira, gamificação e capacitação do empreendedorismo feminino, além de uma plataforma de inteligência artificial para auxiliar mulheres com pedidos de medidas protetivas e outros serviços.

No campo da segurança, defende a modernização e integração de canais de denúncia, espaços de acolhimento para mulheres em situação de violência e, na saúde, pretende implementar telemedicina, soluções tecnológicas e a ampliação do acesso a exames preventivos, bem como do cuidado com mulheres gestantes, em período de menopausa ou que precisem de cuidados em tratamentos de câncer ou de endometriose e a criação de unidades móveis de saúde feminina.

Hertz Dias (PSTU)

Foto: Marcelo Ferreira CB/DA Press

O candidato propõe delegacias especializadas abertas 24 horas, casas-abrigo e rede de atendimento conforme a demanda, com recursos garantidos pelo Estado e sob controle das trabalhadoras e da população. Punição efetiva aos agressores, com garantias de proteção às vítimas, aumento nas campanhas de combate à violência nas escolas, locais de trabalho e meios de comunicação, também estão entre as propostas.

Defende o emprego, renda e moradia como condição concreta para romper ciclos de violência. O candidato propõe igualdade salarial, garantia de direitos, proteção social e prioridade de acesso ao emprego para mulheres.

Outra pauta abordada pelo candidato é a socialização do trabalho doméstico, tendo como objetivo incrementar o tempo integral em todas as creches e escolas públicas. Além do mais, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial como medida para enfrentar a dupla jornada e garantir qualidade de vida também estão pautadas.

Legalização do aborto, educação sexual, licença paternal de um ano, com guarda compartilhada e as garantias materiais para quem deseja maternar, são pretendidas por Hertz. Sobre as mulheres negras: prioridade de acesso ao emprego, renda e políticas públicas; combate à superexploração das trabalhadoras negras, garantia de direitos e enfrentamento ao genocídio que atinge vítimas e mães negras.

Lula (PT)

Foto: Ricardo Stuckert

O candidato pretende “ampliar as políticas de proteção às mulheres, combater o machismo, o sexismo e o feminicídio, promover a autonomia econômica, assegurar igualdade de oportunidades e garantir os direitos sexuais e reprodutivos”. Conforme o plano de governo, será mantido como guia central de enfrentamento à violência contra mulheres o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio. Lula propõe a conclusão de 30 Casas da Mulher Brasileira e 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira, ampliação das Salas Lilás, compra e distribuição aos Estados de kits para aprimorar o monitoramento de agressores, capacitação das forças de segurança para qualificar o atendimento às mulheres vítimas de violência e a punição aos que infringirem a violência.

No campo econômico e trabalhista, Lula cita a pretensão de assegurar políticas que apoiem as mulheres em sua inserção no mundo do trabalho, com linhas de crédito para agricultoras e extrativistas no âmbito do Pronaf; programas de qualificação específicos (como o Mulheres Mil),  programas de fomento ao empreendedorismo feminino e apoio à participação das mulheres na ciência e na pesquisa. Além disso, serão apoiadas as Cuidotecas e os espaços de acolhida para crianças de 3 a 12 anos, que auxiliam mulheres responsáveis pelo cuidado das crianças — bem como as lavanderias públicas, cozinhas solidárias e restaurantes populares.

Lula propõe ainda o enfrentamento à discriminação e à violência digital contra mulheres, além do reforço dos cuidados de saúde, direitos reprodutivos, controle de natalidade, dignidade menstrual e ampliação da atenção psicossocial. As medidas visam à redução da mortalidade materna e atenção específica para mulheres negras.

Renan Santos (Missão)

Foto: Reprodução

Renan Santos não apresenta propostas específicas para as mulheres. O plano de governo cita a palavra “mulheres” três vezes, sendo duas delas na introdução e outra na parte da saúde, onde afirma que os problemas de acesso à saúde afetam principalmente as mulheres.

Ronaldo Caiado (PSD)

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O candidato propõe a inclusão de mulheres no mercado de trabalho, promoção da equidade no esporte, apoio ao futebol feminino, incentivo à igualdade salarial, além de medidas para assegurar condições básicas de vida, priorizando mulheres com medida protetiva e dependentes. O programa de governo cita medidas para incentivar o empreendedorismo e o acesso ao crédito e a participação das mulheres no agronegócio, na ciência, tecnologia e indústria. Além disso, há propostas para a proteção no trabalho e combate ao assédio e priorização de mulheres vítimas de violência em políticas habitacionais.

Na área da segurança pública, Caiado cita a criação de uma Secretaria Nacional da Segurança da Mulher, da Criança e Minorias (vinculada ao Ministério da Segurança Pública), o endurecimento das penas de crimes contra a vida de mulheres, incentivo à criação dos batalhões Maria da Penha, a integração de serviços públicos em protocolos de atendimento a vítimas de violência e o apoio ao atendimento em redes regionais com Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.

Na saúde, o candidato cita medidas de prevenção à mortalidade materna (principalmente para mulheres negras), a organização de linhas de cuidados para saúde reprodutiva, saúde mental, além de casos de endometriose, câncer de mama e de colo, climatério e violência.

Rui Costa Pimenta (PCO)

Foto: Divulgação/Partido da Causa Operária

No plano de governo, a única proposta de Rui Costa Pimenta que menciona a palavra “mulheres” está relacionada à Previdência. O candidato defende a aposentadoria no máximo aos 25 anos de trabalho para as mulheres e 30 anos para os homens.

Samara (UP)

Foto: Divulgação/UP

A candidata propõe que o cuidado com as mulheres seja articulado entre diversos serviços, como oferta de creches públicas, lavanderias coletivas, restaurantes populares, casas de convivência para idosos e escolas em tempo integral. De acordo com o plano de governo, as políticas públicas a serem integradas englobam segurança, saúde, assistência social, educação, trabalho e habitação para garantir que nenhuma mulher tenha sua liberdade limitada pela violência, pobreza ou pela discriminação.

Além disso, Samara propõe a criminalização da misoginia, o enfrentamento à violência machista (incluindo campanhas educativas e de prevenção), expansão das delegacias da mulher com atendimento 24 horas, combate à discriminação e ao assédio no trabalho, políticas rígidas de igualdade salarial e a promoção dos direitos reprodutivos e de saúde da mulher, tratando a saúde feminina como questão de saúde pública.

Veterinário Wilson Grassi (Democrata)

Foto: Divulgação

O candidato centraliza suas propostas para mulheres no que ele chama de “Teoria do Elo”, apontando uma associação entre a violência contra animais e a violência contra pessoas. Com base nisso, ele propõe criar um cadastro nacional de infratores por maus-tratos a animais, integrado às bases de segurança pública e utilizado como fator de alerta na avaliação de risco de violência doméstica.

Zema (Novo)

Foto: Gabriel Pinheiro / CNI

Romeu Zema Neto centraliza suas propostas em medidas para reduzir a subnotificação e ampliação dos canais de violência. Propõe o fortalecimento da rede que recebe as denúncias, com a ampliação das delegacias da mulher com funcionamento 24 horas e equipes preferencialmente femininas capacitadas em violência de gênero e o apoio aos estados na construção de sistemas integrados entre serviços de saúde e segurança. 

O candidato também defende a expansão das Patrulhas Maria da Penha, que monitoram o cumprimento de medidas protetivas para reduzir a reincidência, e das Salas Lilás, com espaços de acolhimento às vítimas em unidades policiais. Na saúde, ele defende o direito absoluto ao acompanhamento pré-natal. 

Eleições 2026

As Eleições 2026 acontecem no dia 4 de outubro, primeiro domingo do mês. Já se houver segundo turno, será no último domingo do mês, 25 de outubro. Os brasileiros terão que escolher presidente, governadordeputado estadualdeputado federal e senador.

Na Bahia, mais de 11 milhões de eleitores estão aptos ao voto, distribuídos em 417 municípios, 199 zonas eleitorais, 9.308 locais de votação e 37.931 seções eleitorais. Em Vitória da Conquista, 264.091 mil pessoas estão aptas a votar. O número representa cerca de 2,34% dos 11.321.005 votantes baianos, mantendo o município como o terceiro maior colégio eleitoral do estado, atrás de Salvador e Feira de Santana.

O eleitorado de Conquista aumentou 5,25% em comparação ao pleito de 2022, quando o número registrado foi 250.908. Quanto ao gênero, as mulheres são maioria, 143.267 no município, cerca de 20 mil a mais que os homens. A população feminina representa 54,25% do total de pessoas que poderão votar, enquanto os homens são 45,75%, com 120.824 cidadãos conquistenses.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

*Malu Castro, Lázaro Oliveira e Rafael Pinheiro são integrantes do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.