Eleições Uesb: último debate entre candidatos à reitoria lotou auditório em Jequié

Durante o encontro, foram discutidos temas como auxílio permanência, ⁠manutenção dos campi, finalização das obras iniciadas e orçamento 10 de abril de 2026 Estela de Assis*

Nesta quarta-feira, 9 de abril, o campus da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), em Jequié, foi palco do último debate entre as chapas candidatas à reitoria. O encontro começou por volta das 18h50, com todas as cadeiras do Auditório Wally Salomão ocupadas e apoiadores identificados com adesivos, cartazes e banners.

Na plateia, era visível a presença predominante de apoiadores da Chapa 2, “Cuidar para Transformar”, formada por Robério Rodrigues e Francys Cerqueira. Também havia grupos organizados com as Chapas 1 e 3, “Uesb: Viva e Democrática” e “Uesb cada vez mais forte”, respectivamente, mas o quantitativo era menor. Com a superlotação do auditório, parte do público assistiu ao debate em pé. 

Logo no início, o presidente da comissão eleitoral, o professor Vinícius Correia Santos, pediu um minuto de silêncio para a estudante do curso de Ciências Biológicas da Uesb de Itapetinga, Danyele Jenifer Ramos, que faleceu no início desta semana. 

O debate foi dividido em cinco blocos, com ordem de apresentação e de fala dos candidatos decidida por meio de um sorteio. Assim, quem se apresentou primeiro foi a Chapa 1, seguida da Chapa 3 e, por fim, a Chapa 2. Os candidatos destacaram suas propostas para a universidade e as trajetórias pessoais. Cada dupla teve o tempo de cinco minutos.

Equidade de gênero

No segundo bloco, uma das perguntas da comunidade acadêmica indagou as chapas sobre suas propostas para enfrentar o desafio de equidade de gênero na Uesb. A candidata à reitora da Chapa 1, Madalena Souza, destacou a ausência das mulheres na reitoria ao longo dos anos e defendeu que é necessário garantir paridade nas bancas, câmaras e instâncias administrativas. 

Na sequência, a Chapa 3, composta por Reginaldo Pereira e Cássia Brandão, afirmou que criou no seu programa de propostas um eixo específico voltado às questões de gênero, defendendo que a equidade deve estar presente tanto na gestão quanto na produção científica, com editais e linhas de pesquisa direcionadas às mulheres. 

Por fim, a Chapa 2 ressaltou que a equidade de gênero é um princípio fundamental na universidade, destacando que já existem iniciativas implementadas, como políticas em editais científicos e resoluções que consideram as desigualdades enfrentadas por mulheres, especialmente mães. Também afirmou que a proposta é ampliar essas ações para tornar a instituição mais inclusiva e acolhedora. 

No mesmo bloco, estudantes enviaram perguntas sobre bolsas de auxílio permanência, ⁠manutenção dos três campi e a finalização das obras em andamento. Já no terceiro bloco, as chapas fizeram perguntas entre si, com direito a réplica e tréplica.

Em um dos momentos de mais tensão, foi feita uma pergunta pela Chapa 2 para a Chapa 1, sobre o acesso aos auxílios estudantis no ato da matrícula, especialmente para alunos em situação de vulnerabilidade. Na resposta, Madalena Souza criticou os oito anos da reitoria atual, apontando falta de diálogo e atuação fragmentada entre os membros da gestão, já que tanto Robério quanto Reginaldo são atuais pró-reitores da Uesb.

No direito de tréplica, a Chapa 2 reforçou a necessidade de uma gestão mais coletiva e democrática, com participação das instâncias da universidade, e criticou o fato de Madalena usar o seu tempo de resposta para criticar a gestão ao invés de apresentar propostas.

Ainda durante o terceiro bloco, foram abordados temas como investimento, planos de gestão e a importância da equidade de gênero no ambiente universitário.

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Orçamento, assistência e extensão

No quarto bloco, foram sorteados temas a serem defendidos por cada chapa. O primeiro foi “Orçamento”. A Chapa 1 iniciou destacando a necessidade de ampliar o orçamento da universidade por meio de articulação com o Governo do Estado, utilizando espaços como o fórum de reitores. A dupla reforçou que, sem recursos, não é possível implementar políticas de permanência, ensino, pesquisa e extensão. 

A Chapa 3 afirmou que a autonomia universitária é um direito institucional e deve ser garantida pelo Estado, defendendo o repasse integral do orçamento para a universidade. Também ressaltou a importância de um pacto coletivo entre categorias e movimentos acadêmicos para fortalecer essa luta. 

Já a Chapa 2 reforçou que o orçamento da universidade é insuficiente para atender às demandas de expansão, permanência estudantil e infraestrutura, defendendo maior autonomia na gestão e articulação com outras universidades para pressionar o governo por mais recursos. Além disso, propôs reduzir entraves burocráticos e melhorar a execução orçamentária. 

O quinto bloco encerrou o debate com as considerações finais dos representantes das chapas, que aproveitaram o momento para agradecer à comunidade acadêmica e reforçar seus compromissos. Em suas falas, destacaram as propostas apresentadas ao longo do debate, reafirmando a necessidade de mudanças na universidade. Também enfatizaram a importância da participação coletiva no dia da votação, em 15 de abril, nos três campi.

*Estela de Assis é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.

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