Érika Hilton propõe CPI para investigar atuação das Big Techs nas eleições

Caso seja instalada, a comissão será formada por 26 deputados titulares e 26 suplentes e terá o prazo de 120 dias para realização dos trabalhos 29 de outubro de 2026 < Rafael Pinheiro*

A deputada federal Érika Hilton (PSOL-RJ) anunciou, em publicação em suas redes sociais nesta quinta-feira (29/10), que protocolou um requerimento na Câmara dos Deputados para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Big Techs. A CPI tem como objetivo investigar a atuação das grandes empresas de tecnologia nas eleições brasileiras de 2026.

A iniciativa terá como principal alvo o conglomerado Meta, que reúne as redes sociais Instagram, Facebook, WhatsApp e Threads. No requerimento, a deputada aponta possíveis falhas na moderação e na distribuição de conteúdos políticos pela Meta, incluindo dificuldades para impulsionar publicações e redução do alcance de materiais da campanha de Lula (PT). 

O requerimento também cita restrições na geração de imagens pela Meta IA envolvendo o petista, além de possíveis irregularidades em anúncios eleitorais e conteúdos falsos produzidos por inteligência artificial. A CPI deverá apurar se houve tratamento desigual entre candidaturas e possíveis abusos de poder econômico, além de propor medidas para evitar novas interferências nas eleições.

Questionada sobre o favorecimento de candidatos, a Meta tem negado à imprensa a intenção de favorecer um candidato específico e atribui a diferença de tratamento entre Lula e Flávio a falhas técnicas do algoritmo.

Para que a CPI seja aberta, são necessárias 171 assinaturas de deputados federais – número correspondente a um terço dos membros da Casa. De acordo com uma postagem feita na tarde desta quinta-feira (29) pela própria deputada, a parlamentar já obteve mais da metade das assinaturas mínimas e estima que faltam cerca de 80 assinaturas. 

Caso seja instalada, a comissão será formada por 26 deputados titulares e 26 suplentes e terá o prazo de 120 dias para realização dos trabalhos. 

Além da possível CPI, a Meta também está na mira do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que solicitou à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e ao Ministério Público Federal (MPF) a apuração de possíveis irregularidades na moderação de conteúdo das redes ligadas ao grupo.

Foto em destaque: Lula Marques/Agência Brasil
Com informações do Metrópoles

*Rafael Pinheiro é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no combate à Desinformação