Escola do bairro Iracema oferece atendimento especializado para estudantes na 2ª fase do Enem 2025
30 de novembro de 2025A Escola Municipal Maria da Conceição Meira Barros recebeu cinco estudantes com necessidades especiais que contaram com o auxílio de um profissional ledor
No domingo, 16 de outubro, durante a segunda fase do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a Escola Municipal Maria da Conceição Meira Barros, no bairro Iracema, em Vitória da Conquista, recebeu cinco estudantes com deficiência que precisavam de atendimento especializado. Eles contaram com o auxílio de um ledor, profissional capacitado para realizar a leitura de textos, e uma hora a mais para responder às questões.
Os portões foram abertos ao meio-dia para receber os estudantes. Entre eles, havia candidatos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), baixa visão e dificuldades severas de concentração comprovadas por laudo. Oito estudantes se inscreveram, mas apenas cinco compareceram no dia da prova. Para esses candidatos, havia um ledor para cada um e também um ambiente organizado para recebê-los, como o reduzido estímulo sonoro e salas individuais, a presença de um fiscal de apoio por sala.
Durante a movimentação de candidatos no segundo dia do Enem 2025, a presença de familiares também chamou atenção, especialmente daqueles que acompanham de perto a rotina de estudantes que precisam de apoio diferenciado. Entre eles, Ademilton do Carmo, pai da candidata Vitória Cristine, com autismo, que disse defender a necessidade de garantir condições adequadas para que a filha realizasse a prova. “Nós, enquanto pai, é tudo muito novo, e é muito importante esse suporte que ela, que a auxiliou muito. Isso contribue para o desenvolvimento e o futuro dessas pessoas”, disse.
Para a estudante Maria Rita, que tem TDAH, e foi uma das cinco que prestou o Enem na escola, o serviço do ledor permite um acesso igualitário mais inclusivo ao ensino superior no Brasil. “O ledor é muito útil porque como são muitas questões, acaba sendo cansativo. É um auxílio importante para termos um bom desempenho na prova”, destacou.
O ledor Igor Nogueira foi o responsável por transformar os textos da prova em recursos acessíveis para os candidatos com deficiência visual. Para ele, o Enem é um exame que exige preparo técnico, sensibilidade e precisão, e seu trabalho influencia diretamente a experiência dos participantes. “Nós fazemos o trabalho de leitura para os participantes que solicitam o atendimento especializado. Tem muita gente com essa necessidade e ajudamos essas pessoas a obter êxito na prova”, afirmou.
Outro profissional que atuou na Escola Municipal Maria da Conceição Meira Barros foi Samar Trindade. Ele também enfatizou o quanto o trabalho dele e do colega garante aos candidatos mais tranquilidade e segurança ao realizar a prova. “A aluna pediu o recurso, pois tinha baixa visão. Vi que, neste segundo dia, ela não teve muita dificuldade, porque os textos eram menores, e ela acabou quase fazendo a prova completa sozinha. Mas as questões que tinham textos maiores e descrições maiores, eu fiz a leitura para ela fazer a prova da melhor forma”, disse.
Política de acessibilidade
O atendimento especializado faz parte da Política de Acessibilidade e Inclusão do Ministério da Educação (MEC), aplicada em todo o país. Por meio dessa medida, são disponibilizados recursos de acessibilidade para pessoas com Déficit de Atenção, Transtorno do Espectro Autista, baixa visão, surdez, entre outras deficiências.
A política de acessibilidade do Enem começou a ser estruturada nos anos 2000, quando o exame passou a oferecer seus primeiros recursos para participantes com deficiência. Desde então, o Inep ampliou e regulamentou as medidas, consolidando as regras em portarias e notas técnicas, a mais recente, de 2020, reúne as bases legais e orientações que estão em vigor até hoje. isponibiliza um ledor individual para cada estudante com deficiência (PcD) que solicita e comprova essa necessidade no momento da inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
A aplicação dessas medidas segue um processo nacional: o Inep define as normas no edital, orienta candidatos e escolas, credencia profissionais especializados e distribui os recursos para os locais de prova em todo o país.
A solicitação de atendimento é feita diretamente pelo participante no ato da inscrição, na Página do Participante, com envio de documentação quando necessário e possibilidade de recurso em caso de indeferimento. Cada estudante com deficiência (PcD) que solicita e comprova essa necessidade, conta com um ledor individual nos dias das provas.
Em Vitória da Conquista, embora as decisões sobre acessibilidade sejam centralizadas pelo Inep, a Secretaria Municipal de Educação atua no apoio local, principalmente com ações de orientação e preparação dos estudantes da rede para o exame.
Enem 2025
O Enem 2025 contou com 4.811.338 inscritos confirmados em todo o país, segundo o Inep. Desse total, cerca de 70% dos candidatos compareceram aos dois dias de prova, de acordo com balanço divulgado pela Agência Brasil. Os pedidos de acessibilidade também cresceram: 116.541 participantes tiveram atendimento especializado aprovado, número que acompanha a tendência nacional de expansão desse tipo de recurso nas últimas edições. Vitória da Conquista registrou 18.224 inscrições para o Enem 2025.
Com base na taxa de presença nacional divulgada pelo Inep (≈70%), estima-se que cerca de 12.757 candidatos da cidade tenham comparecido aos dois dias de prova. Os microdados oficiais com recorte municipal de presença ainda não foram publicados pelo Inep, por isso o número local é uma projeção usando a taxa agregada nacional.
Por Murilo Trindade, Pedro Carvalho e Thainá Oliveira
*Estudantes do sétimo semestre do curso de Jornalismo – Disciplina Jornalismo na Internet I – Especial Bairro a Bairro