Estudantes da Uesb enfrentam dificuldades com redução de itens servidos pela 2G2M mediante decisão da Proapa

12 de fevereiro de 2026 Laína Andrade*

Entre todos os desafios enfrentados pelos estudantes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), permanecer na graduação é o mais difícil. Em meio à sobrecarga, adoecimento psicológico e incerteza sobre o futuro, alimentar-se bem é uma das necessidades negligenciadas, principalmente em razão da má qualidade do serviço ofertado pela empresa 2G2M no Restaurante Universitário (RU). O estabelecimento deveria servir refeições nutritivas e balanceadas por um preço acessível, mas não vem cumprindo o seu papel.

Em 2023, consegui me habilitar ao Programa de Assistência Estudantil (Prae). Com o benefício, não precisava me preocupar em preparar café da manhã e almoço, o que me dava mais tempo para estudar. Além disso, economizava dinheiro no final do mês. Apesar das longas filas e de muitas vezes não encontrar todas as opções dispostas no cardápio, o restaurante garantia uma alimentação variada. 

Como habilitada ao Prae, tinha direito a duas refeições por dia pelo valor de R$2,00 cada. No café da manhã e jantar, podia consumir até seis itens, que possuíam preços individuais. Para os estudantes residentes na Uesb, era garantido três refeições diárias, sem custo. Já os alunos inscritos no Cadastro de Apoio Alimentar tinham 50% de desconto em até duas refeições por dia. Para a comunidade externa e pessoas não habilitadas a programas de assistência, o almoço era cobrado pelo preço do quilo, que custava R$39,00.

Tudo isso mudou em março de 2025 com uma decisão da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Permanência e Assistência Estudantil (Proapa). Em comunicado publicado no site da Uesb e enviado via e-mail, a Proapa informou que para os usuários em geral os preços das refeições seriam fixos e não mais cobrados por peso. Além disso, a quantidade de itens no café da manhã diminuiu para estudantes como eu habilitados ao Prae.

Até 2024, nós, estudantes, tínhamos direito a consumir no café da manhã até seis itens e a combinação variava. Podiam ser dois pães, uma opção de proteína, dois líquidos (café, suco, mingau), um acompanhamento e uma fruta. Atualmente, podemos nos servir com apenas um pão, um acompanhamento, uma fruta e dois líquidos. Parece uma mudança mínima, mas não é.

Não é um mudança pequena porque nem sempre há acompanhamento, fruta ou mingau e, por vezes, o estudante se vê apenas com três ou quatro itens compondo seu café da manhã. Já iniciei minhas manhãs com refeições insuficientes, o que comprometeu minha concentração e desempenho nas aulas. 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), uma dieta equilibrada deve seguir quatro princípios: adequação, equilíbrio, moderação e diversidade. No RU da Uesb, esses pilares não estão sendo respeitados. Além da quantidade de comida, outro ponto que deveria ser revisto é o valor nutricional da alimentação. A salsicha é quase presença garantida no cardápio do café da manhã. O refrigerante, rico em açúcares e conservantes, foi inserido como opção de bebida nos almoços. 

A nutricionista Karina Viana explica que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, como a salsicha, pode contribuir para o desenvolvimento de doenças como hipertensão, diabetes e obesidade. A ingestão desse tipo de alimento prejudica o organismo como um todo, inclusive os níveis de atividade cerebral, comprometendo assim o desenvolvimento e a concentração. De acordo com a especialista, é preferível consumir alimentos in natura e minimamente processados para um melhor cuidado com o organismo.

Para garantir uma alimentação de qualidade como a recomendada por Karina, os estudantes travam uma luta histórica. Em abril, uma plenária organizada pelo movimento Juventude Revolução discutiu os problemas do restaurante universitário da Uesb. Nesta terça, 28 de outubro de 2025, os discentes realizaram uma paralisação das atividades nos três campi (Vitória da Conquista, Itapetinga e Jequié) contra o fechamento do RU em um dia letivo.

O RU existe (ou deveria existir) para atender os alunos com qualidade e preço acessível. Para que os estudantes permaneçam na universidade, é necessário ouvi-los, assisti-los. Alimentação é um direito.

*Laína Andrade é graduanda em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Foto de capa: Ascom/Uesb

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