Mobilização em Salvador pede o impeachment do prefeito Bruno Reis
Manifestantes ocupam a Prefeitura após convocação do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal da Bahia 27 de outubro de 2026 < Rafael Pinheiro*Manifestantes ocuparam a Prefeitura de Salvador, no Centro Histórico, na tarde da última segunda-feira (26/10), em protesto contra a redução da frota de ônibus no segundo turno das eleições de 2026. A mobilização foi convocada pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
O ato reuniu estudantes da Ufba, Uneb e integrantes de movimentos sociais em repúdio à ação do prefeito Bruno Reis (União Brasil) no domingo de votação. Além da manifestação nas ruas, a retenção dos ônibus motivou a criação de um abaixo-assinado solicitando o impeachment do gestor.
Em publicação no Instagram, o DCE/UFBA cobrou a apuração do caso e a responsabilização dos envolvidos. “O transporte público não pode virar instrumento de disputa política. O direito de votar não pode ser colocado em risco”, afirmou o grupo no comunicado.
O abaixo-assinado reúne quase 300 mil assinaturas. “Não podemos aceitar que um episódio dessa gravidade termine sem esclarecimento público e responsabilização”, afirma um trecho da petição.
O documento pede a total transparência sobre os fatos, julgamento dos envolvidos, abertura de processo de impeachment contra Bruno Reis e defende a universalidade do direito ao voto. A iniciativa é liderada pelo deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) e pelo vereador Hamilton Assis (PSOL), que também participaram dos protestos convocados pelo DCE.
Hilton classificou a redução de ônibus como um crime contra a democracia. “O que aconteceu é injustificável, querer nos fazer acreditar que adesivos da campanha de Lula parou os ônibus nas garagens é tratar a população baiana como se ela fosse absolutamente ingênua, e ela não é”, declarou no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia.
A Prefeitura, a Secretaria de Mobilidade e as empresas de transporte já foram convocadas a prestar esclarecimentos à Polícia Federal. O órgão investiga se houve intenção de dificultar o deslocamento de eleitores e de quem foi a ordem para que a frota sofresse cortes. De acordo com vistoria do Ministério Público Eleitoral, cerca de 200 ônibus ficaram retidos na garagem durante o horário da votação no dia 25 de outubro.
Entenda o caso
Na manhã do segundo turno das eleições, denúncias de eleitores da capital baiana sobre a escassez do transporte chegaram à imprensa e aos órgãos fiscalizadores. O TRE-BA, então, determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A decisão também exigiu o restabelecimento imediato de 100% da frota do coletivo urbano.
O Ministério Público Eleitoral confirmou em vistoria a retenção de 97 ônibus em uma garagem e de 120 veículos em outro espaço. A fiscalização foi realizada pela promotora de Justiça Andrea Ariadna, que notificou o município a apresentar esclarecimentos no prazo de uma hora.
A Prefeitura alegou que os ônibus foram retidos porque teriam sido adesivados com o número do então candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O restabelecimento da frota foi realizado após a ação do TRE e do MPE.
O secretário Pablo não foi preso no domingo. Ele estava em Paris, na França, e ao retornar à Bahia, deixou o aeroporto da capital por uma área restrita, sem falar com a imprensa. A ordem de prisão foi revogada na segunda-feira (26/10), embora as investigações continuem apurando possíveis crimes.
A situação em Salvador foi um dos fatores que levaram o Partido dos Trabalhadores a pedir à Justiça Eleitoral a extensão do prazo de votação por mais duas horas. O pedido foi atendido por Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal, estendendo a votação até 19h.
Foto de capa: União dos Estudantes da Bahia
*Rafael Pinheiro é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no combate à Desinformação.