Fligê 2026 homenageia artista conquistense Madalena Santos Reinbolt

A Feira Literária de Mucugê será realizada entre os dias 13 e 16 de agosto, na Chapada Diamantina, com programação gratuita 17 de junho de 2026 < Rebecca Di Pardi*

Entre os dias 13 e 16 de agosto, acontecerá em Mucugê, na Chapada Diamantina, a 9ª edição da Feira Literária de Mucugê (Fligê). Neste ano, o evento irá homenagear a artista conquistense Madalena Santos Reinbolt, com uma expografia assinada pela cineasta e professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Patrícia Moreira. 

Com o tema “Literatura e múltiplas formas do dizer”, a feira irá promover debates, apresentações musicais, conversas com autores, lançamentos de livros e outras atividades culturais. De acordo com a curadora da Fligê, Ester Figueiredo, a proposta do evento é aproximar diferentes públicos da literatura e celebrar escritores e artistas brasileiros. 

“A gente está provocando o encontro do público com a literatura nas suas diferentes dimensões e gêneros. Tem literatura para todas as idades, em seus diferentes gêneros literários e outras possibilidades de expressões artísticas”, explica a curadora.

Nesta edição, já foi confirmada a presença da escritora Mariana Salomão Carrara, autora paulistana dos romances “Se deus me chamar não vou” e “É sempre a hora da nossa morte amém”, ambos indicados ao Prêmio Jabuti; e do escritor baiano Itamar Vieira Junior, autor de “Torto Arado”, vencedor do Jabuti.

Também estão confirmadas as participações da poeta Lívia Natália, doutora em Teoria da Literatura e autora de sete livros, incluindo “Dia bonito pra chover”; e do autor Vitor Martins, conhecido por livros voltados ao público jovem e por narrativas que abordam diversidade e representatividade, como o romance “Quinze dias”. 

A programação será distribuída por diferentes espaços da cidade, entre eles o Palco Principal, o Centro Cultural, a Tenda Literária, a Fligezinha, o Coreto Literário, o Beco Literário e a Praça das Lanternas Literárias. A agenda inclui ainda saraus, oficinas, slams, contações de histórias, exposições, cordel, quadrinhos e atividades destinadas aos públicos infantil e juvenil.

Fligê 2025

Ao longo de suas edições, a Fligê tem proporcionado para moradores de todo o estado da Bahia acesso à literatura, promovendo encontros entre escritores consagrados, autores em ascensão, artistas locais, estudantes, professores, leitores e comunidades tradicionais da Chapada Diamantina.

De 13 a 17 de agosto, a edição de 2025 recebeu aproximadamente 35 mil visitantes ao longo de cinco dias e reuniu participantes de 73 municípios da Bahia. Ao todo, foram realizadas 37 atividades. Participaram da programação as cantoras Vanessa da Mata e Marlua, além da escritora Micheliny Verunschk, vencedora do Prêmio Jabuti pelo livro “O Som do Rugido da Onça”, a poeta Eliane Marques, o quadrinista Wesley Mercês e outros nomes locais e nacionais.

Naquele ano, cerca de oito mil estudantes das redes estadual, municipal e privada participaram das atividades da feira, que contou com a presença de 29 escolas de 16 municípios, além de instituições da Educação Profissional e Tecnológica. Ao longo do evento, foram promovidos aproximadamente 400 lançamentos de livros e reunidas 18 editoras baianas.

Madalena Reinbolt

Madalena dos Santos Reinbolt era uma mulher negra e artista autodidata, nascida em Vitória da Conquista, em 1912. Apesar de retratar em bordados e pinturas as memórias do sertão baiano ao longo de sua vida, ela só ganhou visibilidade após a morte. 

Os trabalhos da artista começaram a alcançar reconhecimento nacional e internacional  a partir de 2022, quando sua primeira exposição individual foi realizada pelo MASP, em São Paulo, com 44 obras reunidas sob o título “Madalena Santos Reinbolt: uma cabeça cheia de planetas”. Em 2025, 42 de seus quadros de lã foram exibidos no American Folk Art Museum, em Nova York.

A trajetória de Madalena será contada em um longa-metragem da cineasta Patrícia Moreira, com estreia prevista para 2027. No elenco, a atriz Shirley Cruz interpreta a artista baiana. A obra foi gravada em Conquista, Salvador e na Chapada Diamantina.

Foto: Ascom/ Fligê

*Rebecca Di Pardi é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.