Instituto FALA! abre inscrições do Festival de Jornalismo e Cultura em Salvador

O evento propõe debates sobre o futuro do jornalismo, o combate às desigualdades estruturais e a pluralidade de linguagens 6 de agosto de 2026 < Rayane Lima*

Entre os dias 20 e 22 de agosto, a 7ª edição do Festival de Comunicação, Culturas e Jornalismo de Causas (Festival FALA!) será realizada em Salvador, na Casa Castro Alves. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas na plataforma Sympla.

O evento, organizado pelo Instituto FALA!, propõe debates sobre o futuro do jornalismo, o combate às desigualdades estruturais e a pluralidade de linguagens. Podem participar jornalistas, comunicadores, criadores de conteúdo, pesquisadores e estudantes de todo o país.

Ao longo dos três dias, a programação reúne mesas de debate, intervenções artísticas, oficinas, rodas de conversa, sessão de oportunidade e exibição de documentários. Atualmente, o evento é realizado por três organizações de mídia independente brasileiras, Alma Preta Jornalismo, Marco Zero Conteúdo e Ponte Jornalismo, fundadoras do Instituto FALA!

Nesta edição, o festival presta homenagem ao geógrafo, jornalista e escritor Milton Santos (em memória), referência nos estudos sobre território, desigualdades e o conceito de “outra globalização” no Brasil. Nascido em Brotas de Macaúbas, na Bahia, é considerado um dos principais intelectuais brasileiros do século 20.

Também será homenageada a professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), escritora e ativista negra Ana Célia da Silva. Cofundadora do bloco afro Ilê Aiyê e militante do Movimento Negro Unificado, ela teve uma atuação decisiva para a formulação da Lei 10.639, que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-brasileira nas escolas.

Programação 

Na quinta-feira, 20 de agosto, a programação começa às 15h30 e se estende até às 20h. Além do credenciamento e cerimonial, a abertura contará com a mesa “Outros Mundos Possíveis: as vozes que atravessam o tempo e imaginários que gestam o impossível”. Participam do debate a pesquisadora na área de Comunicação e neta de Milton Santos, Nina Santos; a escritora Ana Célia da Silva; e o geógrafo Billy Malachias, com mediação de Rosane Borges.

Já na sexta-feira, 21, a partir das 10h, haverá uma intervenção artística com Nola Criola. Na sequência, uma mesa discute tecnologias ancestrais e digitais para a comunicação e para o jornalismo de causas, formada por Helena Bertho (AzMina), Larissa Santiago (Blogueiras Negras), e Fábio Santos (pesquisador/Cacaus Biocosméticos), com mediação de Midiã Noelle (Combne).

Das 11h45 às 12h15, será realizada a Sessão Oportunidade, liderada por Elaine Silva e Ícaro Lima, da Rede de Treinamentos FALA!. Às 14h, o Cine Fala exibe documentários dos coletivos vencedores do Edital Fala 2026 Brasília: Coletivo Retratação, Rádio West Side e Casa de Laffond. Às 14h15, acontece a roda de conversa “Quem protege o jornalismo de causas e fortalece quem comunica?”, com Charlene Nagae (Tornavoz) e Fani Santos (Instituto de Defesa da População Negra).

Ainda na sexta, Urubu MC faz uma intervenção artística às 16h. Em seguida, mais uma mesa debate o tema “Geografias da palavra: raça, território, comunicação e a criação de outros imaginários”. Os palestrantes serão Rodrigo Coelho (Nordeste, eu sou), Xohãni Pataxó e Natureza França (Rede ao Redor). A intervenção artística com Ministereo Público Sound System fecha a programação às 19h.

No último dia do festival, sábado, 22, às 10h, a intervenção artística é de Sued Hosaná. Em seguida, será realizado o Tributo à Resistência: Movimento Negro Unificado (MNU), Unegro e o Legado de Mãe Hilda, com Samira Soares (MNU), Marina Duarte (UNEGRO) e Valéria Lima (Instituto Mãe Hilda Jitolu). Posteriormente, é a vez da mesa “Futuros do presente: juventude negra, inovação e comunicação”, com Victória Lôbo (Conquista Repórter), Romero Matheo (Iniciativa Negra) e mediação de Luciane Neves (Mídia étnica).

A partir das 14h, acontecem as oficinas “Mapas para jornalismo de causas”, com Martihene Oliveira e Denis Oliveira, e “Comunicação e cultura transformam: como captar recursos para eventos e movimentos”, com Wandersa Martins (FAJ) e Lígia Batista. Depois, haverá uma intervenção artística de Nayri Bam.

A última mesa do festival, às 16h30, discutirá o tema “Como as mulheres negras articulam a vida e a voz nas comunidades”, com Valdecir Nascimento, Mônica Anjos, Negra Jhô e Thifanny Odara, além de mediação de Rosane Borges e intervenção artística com Samba da Lua.

Festival FALA!

O Festival FALA! é um evento que debate o futuro do jornalismo e seu papel na sociedade brasileira a partir da perspectiva popular, tendo a diversidade como premissa principal. A iniciativa estreou em 2020 e, ao longo dos anos, já aconteceu em Recife, Belém e Brasília, com uma programação voltada à formação e conexão entre profissionais e estudantes do Brasil.

A primeira edição presencial do festival aconteceu em Salvador, no ano de 2022. Na ocasião, foi lançado o Edital FALA! para grupos de comunicação independentes, coletivos e artistas, além do Instituto FALA!. O encontro reuniu nomes como a líder indígena Célia Tupinambá, a jornalista Midiã Noelle e outros representantes de mídias e coletivos culturais.

 Foto de capa: Vinicius Martins/Alma Preta Jornalismo

*Rayane Lima é voluntária do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação