Laboratório de Jornalismo da Uesb é destaque em webinário do Observatório da Imprensa

O encontro, realizado nesta quinta-feira (24/09), às 19h, propõe a discussão sobre o papel do laboratório de jornalismo na formação de estudantes 22 de setembro de 2026 < Rebecca Di Pardi*

Na próxima quinta-feira (24/09), às 19h, a professora e coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Carmen Carvalho, participa do webinário Laboratórios de Jornalismo, com transmissão ao vivo pelo YouTube. O evento online e gratuito é promovido pelo Observatório da Imprensa, uma iniciativa do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor).

O encontro propõe a discussão sobre o papel do laboratório de jornalismo na formação de estudantes e na construção de pautas que não encontram espaço nas redações tradicionais. A atividade integra o projeto Laboratórios de Jornalismo, realizado pelo Projor e pelo Farol Jornalismo, em parceria com a Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABEJ), que publicará semanalmente textos sobre os 44 laboratórios mapeados em todo o país, incluindo o da Uesb.

Além da professora da Uesb, responsável pelo Laboratório de Jornalismo vinculado ao programa de extensão Jornalismo de Transformação Social no Combate à Desinformação/Site Avoador, participam do bate-papo o jornalista, professor e coordenador do projeto Laboratórios de Jornalismo, Moreno Osório; o jornalista e pesquisador João Neto; e a professora responsável pelo projeto Vozes do Nicéia, da Unesp/Bauru, Aline Camargo. A medição será da jornalista e editora do Observatório da Imprensa, Denize Bacoccina.

De acordo com a professora Carmen Carvalho, a experiência laboratorial  é um espaço de integração entre ensino, pesquisa e extensão, permitindo que os estudantes articulem a formação acadêmica com experiências concretas de produção jornalística. “O laboratório abriga projetos de pesquisa sobre jornalismo local, inovação, desertos de notícias, educação midiática e desinformação, aproximando os estudantes da investigação científica e fortalecendo uma formação profissional, crítica e socialmente comprometida.”

A docente acrescenta que um dos desafios é realizar o trabalho de ensino e pesquisa diante das limitações de infraestrutura, equipamentos, bolsas e recursos. “O laboratório se consolida como espaço de formação que articula a prática da teoria, a experimentação e a produção de conhecimento sobre o jornalismo e sua relação com a sociedade, mas ainda existem desafios”, finaliza.

10 anos de Avoador

O Site Avoador foi criado em 2016 como parte das atividades pedagógicas da disciplina Jornalismo Digital que, com o novo Projeto Pedagógico do Curso (PPC), passou a se chamar Jornalismo na Internet I e II, sendo em dois semestres.  Por conta da necessidade de manter uma continuidade na produção jornalística, em 2019, foi criado e aprovado em edital extensionista da Uesb o Programa Contínuo de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social que, a partir de 2018, com a implementação da editoria de checagem Xereta, incorporou o Combate à Desinformação como mais uma das atividades do veículo jornalístico.  

A redação do Site Avoador funciona de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, no Laboratório de Jornalismo da Uesb. Atualmente, além da professora Carmen, a ação de extensão conta com a colaboração do professor Adalton Fonseca e oito bolsistas. O financiamento das bolsas tem sido por meio dos editais de extensão da Uesb, desde 2020, e das emendas parlamentares do deputado Estadual Hilton Coelho, que fez aportes em 2024, 2025 e 2026. 

O veículo, por meio das atividades de ensino, também inclui as notícias e reportagens produzidas pelos estudantes matriculados na disciplina de Jornalismo na Internet I e II nas suas publicações. Em 2025,  eles produziram conteúdo sobre os bairros mais distantes do centro da cidade, dando visibilidade  aos acontecimentos locais sem espaço na mídia tradicional.  

O programa de extensão, por meio do veículo jornalístico, tem produção de conteúdo em 11 editorias jornalísticas, além de uma coluna de Opinião e um espaço dedicado à educação midiática. Em 10 anos, foram publicadas mais de 2.500 materiais jornalísticos, entre reportagens, notícias, checagens, vídeos e cards educativos.  A linha editorial enfatiza o compromisso com a apuração rigorosa dos fatos e a defesa dos valores democráticos e dos direitos humanos. 

Entre as reportagens com maior visibilidade estão a violência obstétrica, os maus-tratos aos animais, os impactos das chuvas na vida da população, a falta de representatividade de mulheres na política. Outra mais atual que chamou a atenção do público é a entrevista com o presidente do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista (ECPP). Também são frequentes as coberturas de eventos, como o Festival de Inverno Bahia 2025, a 9ª edição da AniCon, a Feira Literária de Vitória da Conquista e o Festival Suíça Bahiana 2025.

Em 2025, o programa de extensão também realizou paralelamente a pesquisa sobre os desertos de notícias na região Sudoeste, com a visita e aplicação de questionários nas escolas estaduais de seis cidades, Piripá, Jânio Quadros, Cândido Sales, Caetanos, Aracatu e Caraíbas. Neste ano, a sequência será dada com o desenvolvimento de oficinas de educação midiática e letramento digital, respectivamente, para professores e estudantes. 

Neste ano, a ação extensionista passou a integrar o Mapa Brasileiro da Educação Midiática. O levantamento é realizado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e inclui 226 iniciativas que promovem o uso crítico e criativo das mídias.

Sobre o Projor e o Observatório da Imprensa

O Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo foi criado pelo jornalista Alberto Dines em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 20 de abril de 1996, seis anos antes do surgimento do Projor, nasceu o Observatório da Imprensa. Desde então, o veículo atua com foco na crítica da mídia, abordando temas como a liberdade de expressão, as coberturas dos meios de comunicação e trazendo reflexões de pesquisadores e profissionais da mídia sobre temas sociais e políticos.

O Projor também é responsável pelo Altas da Notícia que, desde 2017, mapeia os veículos de notícias no território brasileiro e identifica os chamados desertos de notícias, como são denominados municípios que não contam com cobertura jornalística local. Além de quantificar os veículos, o projeto atualmente também se dedica à análise qualitativa dos dados, avaliando o tipo de cobertura realizada e as tendências do jornalismo nativo digital.

Foto: Observatório da Imprensa

*Rebecca Di Pardi é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.