Manifestantes indígenas ocupam área restrita da COP30 contra a exploração de petróleo no Amazonas

O grupo furou o bloqueio de segurança e ocupou a sala entoando frases contra a privatização dos rios e a favor da demarcação de terras 13 de novembro de 2025 Pedro Meireles*

Na noite desta terça-feira (11/11), indígenas tentaram entrar na zona azul, espaço restrito às negociações entre líderes de países na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, para reivindicar a participação nos debates. O grupo furou o bloqueio de segurança e ocupou a sala entoando frases contra a exploração de petróleo na foz do Amazonas e a privatização dos rios. 

Por volta das 19h20, os manifestantes atravessaram os portões da entrada principal, passaram pela área das máquinas de raio-x e se espalharam pelo saguão. Eles carregavam bandeiras de coletivos estudantis e faixas de protesto contra a exploração de petróleo, o genocídio palestino e a favor da demarcação de terras.

O local foi bloqueado internamente e os ativistas foram retirados do espaço. Foram enviados carros da Polícia Militar para reforçar a segurança e conter a ocupação. Em nota, o Governo Federal afirmou não ter responsabilidade sobre o conflito. “A questão da segurança da COP30 é de responsabilidade da UNFCCC (órgão da ONU que organiza a COP)”, disse em comunicado.

O segundo dia da COP30 foi marcado pela Marcha Global Saúde e Clima, com destino final no Parque da Cidade, onde é sediada a conferência. O evento reuniu cerca de três mil pessoas, entre médicos, enfermeiros, estudantes, lideranças indígenas e representantes de movimentos sociais. A ocupação na zona azul ocorreu após a marcha.

O protesto acontece no momento em que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a perfurar um poço em busca de petróleo em alto-mar na Bacia da Foz do Amazonas. A atitude criou tensão entre lideranças indígenas e o presidente Lula.

Em nota ao Sumaúma, o Observatório do Clima, rede que reúne mais de 130 organizações socioambientais, disse que a aprovação da perfuração do poço no Amazonas é uma “sabotagem à COP”. “Vai na contramão do papel de líder climático reivindicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário internacional.” 

COP30 no Brasil

A COP30 é um evento promovido pela Organização das Nações Unidas, que ocorre anualmente e reúne lideranças mundiais para discutir e realizar negociações acerca das mudanças climáticas ao redor do mundo. Neste ano, a reunião acontece no Brasil, sediada em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro.

Entre as principais discussões, estão a definição de planos e metas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a transição nos setores de energia, indústria e transporte, a gestão sustentável da biodiversidade, a transformação da agricultura e sistemas alimentares, a construção de resiliência em cidades e a promoção do desenvolvimento humano e social. Além disso, o Plano Nacional de Arborização (PlaNAU) também deve ser apresentado durante a conferência.

Participam desta edição o presidente francês, Emmanuel Macron, os primeiros-ministros da Espanha, Pedro Sánchez, da Alemanha, Friedrich Merz, do Reino Unido, Keir Starmer, de Portugal, Luís Montenegro, e da Holanda, Dick Schoof. Líderes do continente americano também farão parte do evento, como os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, do Chile, Gabriel Boric, e de Honduras, Xiomara Castro. 

A China também enviou o vice-primeiro-ministro do país, Ding Xuexiang. Estarão no evento ainda a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Os príncipes de Mônaco, Albert II, e William, do Reino Unido, também fazem parte dos presentes em Belém. 

Além de autoridades de outros países, a maior delegação indígena já registrada participa da Conferência neste ano. No total, três mil indígenas foram instalados na chamada Aldeia COP, e cerca de dois mil estão espalhados pela cidade. Aproximadamente 400 lideranças foram credenciadas para participar diretamente das negociações oficiais da ONU.

*Pedro Meireles é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.

Foto de capa: Anderson Coelho

 

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