Mãos que falam: Edenira e a luta pela valorização da Libras

Há 11 anos, ela tem buscado se especializar de diferentes formas na Língua Brasileira de Sinais para estimular os ouvintes a aprenderem o idioma 9 de outubro de 2025 Estela de Assis*

Na década de 1980, em Salvador, Edenira Santos estava em um ônibus quando um grupo de pessoas surdas adentrou o veículo distribuindo panfletos que mostravam o alfabeto completo na Língua Brasileira de Sinais (Libras). No papel, cada letra era representada por um gesto com as mãos, utilizado na comunicação das pessoas surdas. Foi naquele momento que ela decidiu que iria se aprofundar no estudo da Libras e, da sua maneira, contribuir para tornar o mundo mais inclusivo.

Cerca de 40 anos depois, o alfabeto que ela viu em uma viagem rotineira no transporte coletivo motivou a criação do projeto “ABC Libras”, em 2023. Graduada em Serviço Social e pós-graduada em Libras, Edenira usou seus conhecimentos para elaborar jogos acessíveis para crianças e adultos, surdos ou ouvintes. 

Natural da capital baiana, ela mora em Vitória da Conquista há 11 anos. Na cidade, de segunda a quinta-feira, expõe e vende seus jogos no Centro Cultural Glauber Rocha, no bairro Brasil. Às sextas-feiras, seu ponto é na Feira Agroecológica da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), das 8h às 13h. “O meu objetivo é quebrar a barreira da comunicação entre surdos e ouvintes”, explica.

Suas criações incluem jogo da memória, gudenó, dominó e palavras cruzadas, feitos de madeira e papel. “São jogos tradicionais, mas adaptados para Libras. Não adianta só a pessoa surda saber a língua. Os ouvintes também precisam se envolver”, diz. A inspiração veio da sua própria infância, quando as brincadeiras eram constantes no seu dia a dia. 

Jogo da memória adaptado para Libras. Foto: Arquivo Pessoal

A iniciativa busca transformar o aprendizado da Libras em uma experiência lúdica e estimulante. Além dos jogos, ela confecciona canecas e chaveiros que contém os sinais impressos. Um dos seus sonhos é ter uma loja própria. “Quero um lugar para as pessoas mergulharem em um mundo todo em Libras”, conta.

Enquanto não é possível ter um espaço só seu, Edenira se dedica a expandir a coleção de jogos. “Quero lançar o “Qual é o sinal?”, um passatempo de adivinhação para que as pessoas aprendam as configurações das palavras em Libras”. Além disso, ela planeja alugar kits com o intuito de alcançar mais pessoas.

Dia após dia, ela dialoga com as pessoas sobre a importância da inclusão e busca ser uma aliada para a comunidade surda. “Espero que o projeto alcance outros lugares além da região Sudoeste da Bahia. A Libras é o segundo idioma do Brasil e não deve ficar concentrada em um ou outro lugar”, finaliza.

*Estela Assis é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.

Uma resposta para “Mãos que falam: Edenira e a luta pela valorização da Libras”

  1. […] as barreiras impostas pela sua condição e publicou uma autobiografia. A pós-graduada em Libras, Edenira Santos, foi outra pessoa que ganhou espaço no site para contar sobre as motivações que a levaram à […]

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