Caso Sashira: julgamento de Rafael Souza será na próxima terça (10) em Feira de Santana
A jovem tinha 19 anos quando foi assassinada, em Vitória da Conquista, em 15 de setembro de 2021, pelo ex-namorado 6 de fevereiro de 2026 Sarah Andrade*O julgamento de Rafael Souza, principal acusado do feminicídio da estudante Sashira Camilly Cunha Silva, está marcado para a próxima terça-feira, 10 de fevereiro, no Fórum Filinto Bastos, em Feira de Santana. A jovem tinha 19 anos quando foi assassinada, em Vitória da Conquista, em 15 de setembro de 2021.
Além de Rafael, que era ex-namorado da vítima, outras duas pessoas são acusadas de participação no crime: Marcos Vinícius Botelho Fernandes de Almeida e Filipe dos Santos Gusmão. No entanto, apenas Souza será julgado nesta etapa do processo. O julgamento acontece quase cinco anos após o feminicídio.
Inicialmente previsto para ocorrer em Conquista, no dia 20 de agosto de 2025, o júri foi transferido para Feira de Santana após pedido da defesa de Rafael Souza. A Justiça acatou o requerimento de desaforamento, alegando risco à imparcialidade do júri em razão da forte comoção social e da ampla repercussão do caso na cidade de origem.
O desaforamento é um instrumento previsto no artigo 427 do Código de Processo Penal (CPP) e permite a mudança da comarca do julgamento quando há interesse da ordem pública, dúvida sobre a imparcialidade dos jurados, risco à segurança do acusado ou excesso de serviço que impeça a realização do júri no prazo legal.
Antes do feminicídio, Rafael já havia sido condenado por lesão corporal contra Sashira. A agressão ocorreu após o término do relacionamento. A sentença foi proferida pela Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Vitória da Conquista.
Relembre o caso
Segundo a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), no dia 15 de setembro de 2021, Rafael esfaqueou Sashira no pescoço e no rosto após dopá-la com remédios, porém, não teve coragem de matá-la. Um segundo homem, Marcos Vinícius, chegou ao local do crime, percebeu que a jovem ainda estava viva e a enforcou até a morte.
O corpo foi encontrado na cidade de Planalto, a cerca de 50km de Vitória da Conquista. De acordo com a polícia, o acordo feito entre os três acusados era vender o veículo de Sashira. O dinheiro seria dado por Rafael aos outros dois como pagamento.
Ainda de acordo com a Deam, o terceiro envolvido, Filipe dos Santos, teria feito a ligação entre o ex-namorado de Sashira e Marcos, que não eram próximos. Ele serviu como articulador entre os dois e solicitou um carro de aplicativo para que Marcos Vinícius fosse até o local do crime.
Violência de gênero
O julgamento do caso Sashira ocorre em um contexto de persistência da violência de gênero no país, na mesma semana em que foi assinado o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. Segundo o Ministério da Justiça, em 2025, o Brasil registrou 1.518 feminicídios, configurando o maior número da série histórica de registros oficiais. Esse total representa uma média de quatro mulheres mortas por dia, mesmo após dez anos da criação da lei do feminicídio.
Em Vitória da Conquista, onde o crime ocorreu, o enfrentamento à violência contra a mulher segue como desafio estrutural. Em 2023, foram concedidas 723 medidas protetivas no município, segundo dados da Justiça. Em memória de Sashira, o dia 7 de agosto foi instituído como Dia Municipal de Combate ao Feminicídio em Conquista.
*Sarah Andrade é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no combate à Desinformação.