Quatro anos após o crime, julgamento dos acusados do feminicídio de Sashira ainda não tem data definida

A Justiça determinou a transferência do julgamento do principal acusado, Rafael Souza, para a cidade de Feira de Santana 19 de setembro de 2025 Sofia Rezende*

Quatro anos após o feminicídio da estudante Sashira Camilly, de 19 anos, em Vitória da Conquista, o julgamento de Rafael Souza, ex-namorado da jovem e principal acusado do crime, foi transferido para Feira de Santana. A Justiça acatou o pedido da defesa do réu, que é um dos três homens envolvidos no assassinato.

O julgamento estava marcado para o dia 20 de agosto, mas a defesa de Rafael alegou que, devido à grande repercussão do caso, a influência da mídia poderia interferir na imparcialidade do júri. Foi então definida a mudança de cidade, mas não há data marcada para a audiência.

A transferência de comarca foi concedida por meio de um procedimento chamado “desaforamento”. Prevista no Código Penal, a medida permite o deslocamento do julgamento de um crime de um local para outro “nas hipóteses de interesse da ordem pública, dúvida sobre a imparcialidade do júri, falta de segurança pessoal do acusado ou serviço que impeça o julgamento no prazo de seis meses.” 

Desde 2024, Rafael está detido no Conjunto Penal de Conquista, juntamente com Marcos Vinícius, também acusado de participação no crime. O terceiro réu, Felipe Gusmão, responde em liberdade. Apenas o ex-namorado de Sashira será julgado em Feira de Santana. Com recursos pendentes em instâncias superiores, os outros dois homens também não têm as datas dos julgamentos marcadas.

Em entrevista ao Blog do Sena, o empresário e pai da vítima, Edvânio Alves, relatou sua decepção com a lentidão no julgamento do caso. “Faz quatro anos da morte de Sashira, esse assassinato cruel que aconteceu na cidade, e até hoje, infelizmente, a Justiça não condenou esses assassinos. Quem está condenada mesmo é a minha filha, que partiu tão nova, com 19 anos, de um jeito trágico e brutal”, disse.

Entenda o caso 

Sashira Camilly Cunha Silva foi morta em setembro de 2021 pelo seu ex-namorado, Rafael Souza, e outros dois homens, Filipe dos Santos Gusmão e Marcos Vinicius Botelho Fernandes de Almeida. O corpo foi encontrado na cidade de Planalto, a cerca de 50km de Vitória da Conquista. 

Segundo a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Rafael já havia agredido a jovem quando namoravam. À época, Shasira tinha 17 anos. A violência foi denunciada no Núcleo da Criança e do Adolescente e uma medida protetiva foi emitida. 

Na ocasião do feminicídio, em 2021, Rafael esfaqueou a vítima no pescoço e no rosto após dopá-la com remédios, porém, não teve coragem de matá-la. Um segundo homem, Marcos Vinícius, chegou ao local do crime, percebeu que a jovem ainda estava viva e a enforcou até a morte. As informações são da Deam.

De acordo com a polícia, o acordo feito entre os três acusados era vender o veículo de Sashira. O dinheiro seria dado por Rafael aos outros dois como pagamento. 

Ainda segundo o Deam, o terceiro envolvido, Filipe dos Santos, teria feito a ligação entre o ex-namorado de Sashira e Marcos, que não eram próximos. Ele serviu como articulador entre os dois e solicitou um carro de aplicativo para que Marcos Vinícius fosse até o local do crime.

Violência de gênero 

De acordo com dados apurados pelo Site Avoador, fornecidos pela 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, da Comarca de Vitória da Conquista, em 2023, foram concedidas 723 medidas protetivas no município. Um feminicídio foi registrado em 2022, e dois em 2023. 

Em 2021, a cidade registrou cerca de 300 casos a mais do que em 2020. De acordo com a Deam, foram 1.857 ocorrências de violência contra a mulher, 2.840 inquéritos remetidos ao Judiciário, 814 medidas protetivas solicitadas e 150 agressores presos.

No ano de 2024, o país registrou um novo recorde de mortes de mulheres por causa do gênero. Foram 1.492 mulheres assassinadas, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. O número é o maior desde a criação da lei do feminicídio, em 2015, e representa um aumento de 1% em relação ao ano de 2023. 

Em Vitória da Conquista, em homenagem à jovem Sashira, o dia 7 de agosto foi instituído como Dia Municipal de Combate ao Feminicídio.

*Sofia Rezende é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.

Foto: Reprodução

3 respostas para “Quatro anos após o crime, julgamento dos acusados do feminicídio de Sashira ainda não tem data definida”

  1. […] faca após ser perseguida e atropelada pelo homem. Em 2021, outro caso que marcou a região foi o feminicídio da jovem Sashira Camilly, de 19 anos, assassinada pelo […]

  2. […] registrados nos últimos anos evidenciam que a violência de gênero persiste. Casos como o da jovem Sashira Camilly, de 19 anos, são […]

  3. […] previsto para ocorrer em Conquista, no dia 20 de agosto de 2025, o júri foi transferido para Feira de Santana após pedido da defesa de Rafael Souza. A Justiça acatou o requerimento de desaforamento, alegando risco à imparcialidade do júri em […]

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