Vitória da Conquista ocupa as ruas em mobilização nacional contra o feminicídio neste domingo, 7

Ato “Mulheres Vivas” reúne população na feira do bairro Brasil a partir das 9h. O protesto é uma resposta ao aumento da violência de gênero no país 5 de dezembro de 2025 Maria Eduarda Leite/Conquista Repórter*

Neste domingo, 7, a população de Vitória da Conquista irá se juntar ao movimento nacional Levante Mulheres Vivas ao realizar um ato contra o feminicídio e o aumento da violência de gênero no país. A mobilização está marcada para 9h, na feira do bairro Brasil, com concentração ao lado da Prefeitura da Zona Oeste, situada no Centro Cultural Glauber Rocha, na Avenida Brumado.

A articulação nacional surge como resposta aos crimes que têm ganhado repercussão nos últimos meses, como episódios de feminicídio, agressões físicas, violência psicológica e outras formas de violação de direitos que atingem mulheres de diferentes idades e contextos sociais. No Sudoeste da Bahia, a situação não é diferente.

Em julho deste ano, Edilaine de Jesus foi assassinada pelo ex-companheiro João Paulo Silva de Sá, na cidade de Planalto, a cerca de 40 km de Vitória da Conquista. Ela foi morta a golpes de faca após ser perseguida e atropelada pelo homem. Em 2021, outro caso que marcou a região foi o feminicídio da jovem Sashira Camilly, de 19 anos, assassinada pelo ex-namorado.

“Só neste ano, mais de mil mulheres foram vítimas de feminicídio e outras 2.990 sofreram tentativas em todo o país. Até quando vamos assistir a essa violência sem que mudanças aconteçam? Não é possível seguir vivendo em um país que mata e impõe a culpa nas mulheres todos os dias”, ressalta a cientista social e uma das organizadoras do ato em Conquista, Jéssica Fontes.

Aumento da violência

Os dados mais recentes ajudam a dimensionar a gravidade da situação. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, o Brasil registrou 1.492 feminicídios em 2024, o maior número desde que a Lei do Feminicídio entrou em vigor, em 2015. “Essa cultura da misoginia é aprendida desde a infância, e precisamos acabar com isso de uma vez por todas”, afirma Jéssica.

Além das vítimas diretas, o problema atinge também crianças e adolescentes que perdem suas mães para o feminicídio. Segundo estimativa do Fórum de Segurança, cerca de 2.300 menores ficaram órfãos em 2021 apenas em decorrência desse tipo de crime. Em boa parte dos casos, além da morte da mãe, o pai é preso ou morto após o delito, deixando filhos sem qualquer amparo familiar imediato.

Na Bahia, entre 2017 e 2024, o estado registrou 790 feminicídios, o que representa uma vítima a cada três dias, de acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) e a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).

Somente em 2024, a SSP-BA contabilizou 111 feminicídios no estado. A maioria dos crimes ocorreu dentro das casas das próprias vítimas e, em mais de 80% dos casos, o agressor era o companheiro ou ex-companheiro. Os registros revelam também o uso predominante de arma branca, seguido de arma de fogo. O perfil das vítimas, segundo os dados oficiais, mantém um padrão que expõe desigualdades estruturais, sendo, em grande maioria, mulheres negras, com idades entre 30 e 49 anos.

*Esta matéria foi publicada originalmente pelo Conquista Repórter. Maria Eduarda Leite é estudante do 8º semestre do curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e estagiária do Conquista Repórter.

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