Moradores de Conquista relatam infestação de marimbondos em áreas urbanas; saiba como se proteger

A principal hipótese para o surgimento dos insetos foi o verão quente e úmido que favoreceu o desenvolvimento das colônias, segundo a bióloga Raquel Maluf 10 de junho de 2026 Estela de Assis*

Moradores de diferentes bairros de Vitória da Conquista têm relatado, desde o último domingo (07/06), a concentração de marimbondos em residências, condomínios e outras áreas urbanas. Vídeos e relatos compartilhados nas redes sociais mostram os insetos agrupados em paredes, janelas e telhados. 

O estudante do curso de Sistemas de Informação do Instituto Federal da Bahia (Ifba), Victor Dimitri, morador do Centro, começou a perceber o aparecimento das vespas no início da semana passada. “Já tinha percebido algumas, mas nada muito alarmante. Porém, no domingo à noite, meu quarto estava cheio, o que me causou um certo pânico porque também sou alérgico.”

Residente no bairro Candeias, a estudante de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Flávia Mota, foi picada e precisou recorrer a antialérgicos. “Comecei a perceber a presença desses insetos na minha casa há cerca de um mês, principalmente nos dias de muito calor. Já fiz a remoção diversas vezes utilizando inseticida”, conta.

Marimbondos encontrados na casa da estudante Flávia Mota, no bairro Candeias. Foto: Flávia Mota.

De acordo com a professora do curso de Biologia da Uesb e doutora em comportamento animal, Raquel Maluf, esses insetos, conhecidos popularmente como “vespas do papel”, recebem o nome científico de “Polistes versicolor”. A profissional explica que a espécie não é agressiva, mas, ainda assim, é necessário tomar cuidados, já que podem picar como mecanismo de defesa. 

“Você pode fechar portas e janelas para tentar impedir a entrada desses insetos, não fazer gestos bruscos e nem tentar matar com as mãos. Também não é recomendado queimá-los. Essa ação gera uma reação bem agressiva das fêmeas, que vão tentar proteger aquele enxameamento”, orienta a doutora. 

Segundo a pesquisadora, para estabelecer o motivo da infestação, ainda é preciso mais tempo de análise laboratorial. Mas, a hipótese levantada até o momento é de que o verão quente e úmido favoreceu o desenvolvimento das colônias, além das chuvas registradas nos últimos meses. 

“A população das vespas foi favorecida na época do verão, por isso, os ninhos ficam fortes e ativos. Quando as temperaturas baixam, elas se recolhem e esperam o aumento do clima para desenvolver as colônias novamente. Então, é basicamente esse fenômeno que estamos vendo”, afirma Raquel.

A professora ressalta ainda que, apesar do incômodo, a espécie desempenha um papel importante no controle e equilíbrio da população de outros insetos, além de contribuir para a polinização. “Elas têm uma utilidade nos ambientes agrícolas, porque são predadoras de lagartas, então podem reduzir pragas.”

Cuidados e prevenção

Diante das queixas da população, a Prefeitura de Vitória da Conquista publicou em seu site oficial, na terça-feira (09/06), uma série de recomendações. O governo municipal orienta que as pessoas evitem a remoção dos insetos por conta própria e acionem o Corpo de Bombeiros Militar. 

Porém, segundo a estudante Flávia Mota, quando se deparou com os insetos em sua casa, ela entrou em contato com os órgãos responsáveis, mas não obteve resposta. “Busquei o Corpo de Bombeiros e outras entidades do município, mas nenhuma providência foi tomada. Eles sempre jogam o problema um para o outro.”

Imagem da vespa por microscópio feita pela bióloga Raquel Maluf.

Outras orientações de prevenção incluem armazenar corretamente o lixo, principalmente em áreas abertas ou próximas aos ninhos, evitar perfumes fortes e o uso de cores vivas, não mexer nos ninhos por conta própria e orientar crianças sobre os riscos e cuidados.

No caso de contato com as vespas, é necessário manter a calma e afastar-se devagar do ninho. Caso uma pessoa seja picada, a orientação do Corpo de Bombeiros é lavar a área com água e sabão e aplicar compressa fria. Também é recomendado o uso de medicação em casos de alergia, sob orientação médica. 

Com o surgimento de sintomas como inchaço no rosto, lábios ou garganta, tontura, náuseas ou desmaio, o número de emergência é 193.

Fotos de capa: Flávia Mota, Raquel Maluf e Victor Dimitri

*Estela Assis é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.

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