Movimento Negro Unificado realiza ação educativa no bairro Jardim Valéria
Evento no CRAS IV reuniu militantes e educadores para fortalecer alianças e discutir o combate ao racismo estrutural em Vitória da Conquista 2 de dezembro de 2025 Bianca Cruz, Caetano Argôlo, Edicley Mota, Iago Santos, Fernanda Lopes e Letícia Alves*No dia 28 de novembro, o Movimento Negro Unificado (MNU) de Vitória da Conquista realizou a palestra “Organização popular na luta por igualdade e caminhos para a identidade negra” no CRAS IV (Centro de Referência de Assistência Social), no Loteamento Jardim Valéria. Participaram do encontro crianças, jovens e adultos.
Os palestrantes foram a advogada e militante do MNU, Sâmala Santos, a presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial, educadora social e coordenadora de comunicação do MNU Conquista, Nana Aquino, e o instrutor de capoeira Jhobi Lincon. A ação teve como objetivo conscientizar a população acerca da sua identidade como sociedade negra, ajudá-las a saberem mais sobre seus direitos e a se defenderem contra o racismo.
De acordo com a advogada Sâmala Santos, é necessário levar à população negra da cidade o conhecimento sobre os seus direitos e construir um posicionamento ativo frente aos desafios racistas do cotidiano. “Para isso, é importante eles se entenderem enquanto pessoas negras e não se acanharem diante das desigualdades que são encontradas a todo momento em nossa sociedade,” ressaltou.
A palestra faz parte da Agenda Consciência Negra, promovida pelo MNU local, no mês de novembro. Segundo a educadora e coordenadora geral do MNU, Letícia Figueredo, o movimento quer promover o debate sobre a valorização da cultura afro no município por meio de projetos sociais, grupos culturais afro-brasileiros, palestras, danças, poesia, entre outras atividades.
Novembro Negro do MNU Conquista
A programação começou no dia 7 de novembro e vai até 6 de dezembro. Entre as atividades promovidas estão a palestra “A luta antirracista e os desafios atuais”, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), a formação artística para MC’s e batalha de rimas, na Praça CEU das Artes J.Murilo, a oficina de dança afro-brasileira e o bate-papo sobre a luta contra o racismo, no Cristo de Mario Cravo. Em dezembro, no dia 6, haverá um cine-deabte com a exibição do documentário “Racionais MC’s: das ruas de São Paulo para o Mundo”, de Juliana Vicente, com local a definir.
De acordo com Letícia Figueredo, neste ano, a estratégia do MNU foi trazer programações variadas em parceria com movimentos sociais negros, instituições e órgãos de prestação de serviço à comunidade em vulnerabilidade social. “Tem sido o momento de fortalecer alianças políticas com o nosso povo, na reparação do bem viver, na construção e na luta pela igualdade”, disse.
Em Vitória da Conquista, o núcleo local do MNU foi retomado no dia 25 de julho de 2025, com a eleição da coordenação municipal na Escola Estadual Dom Climério Almeida de Andrade, no bairro Urbis VI. Além de Letícia e Nana, compõem o grupo a coordenadora de cultura Mickelle Xavier, o rapper e produtor cultural T’elegua, o coordenador de educação Welder Cardoso, o coordenador de organização e saúde Amom Santos Souza, e a coordenadora de formação política Keu Souza.

Em Vitória da Conquista, o núcleo local do MNU foi retomado no dia 25 de julho de 2025, com a eleição da coordenação municipal. Foto: Site Avoador.
MNU nacional
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística), no Censo de 2022, mais de 70% dos moradores de Vitória da Conquista se autodeclaram negros. “A gente precisa, de fato, retomar o movimento negro de uma cidade que é preta e que não se identifica enquanto uma sociedade preta. Neste mês de novembro buscamos conscientizar o município acerca de suas origens e sua identidade por meio da educação,” afirmou a advogada Sâmala Santos.
O Movimento Negro Unificado surgiu em 1978, durante a ditadura militar, como resposta à violência policial e à discriminação racial. Pioneiro na luta antiracista brasileira, o MNU mantém o eixo de atuação na organização política das bases. Em Conquista, o núcleo municipal se articula com outros grupos culturais do movimento negro, como associações de capoeira, coletivos de Hip Hop, cursinhos pré-vestibulares quilombolas, bibliotecas comunitárias, entre outros.
*Bianca Cruz, Caetano Argôlo, Edicley Mota, Iago Santos, Fernanda Lopes e Letícia Alves são estudantes do sexto semestre do curso de Jornalismo – Disciplina Jornalismo na Internet – Especial Bairro a Bairro.