Mulheres Vivas: ato em Conquista denuncia aumento da violência de gênero

A mobilização reuniu mulheres, homens e crianças na feira do bairro Brasil, das 9h às 12h, neste domingo, 7 8 de dezembro de 2025 Karina Costa/Conquista Repórter*

“Foram quatro anos e sete meses lutando contra um assassino que matou a minha filha com um tiro na nuca e disse que ela se suicidou”. O depoimento de Keila Souto, mãe de Ana Luiza Souto Dompsi, morta pelo então companheiro, o policial militar Amauri dos Santos Araújo, em 2021, marcou a mobilização contra o feminicídio e a violência de gênero ocorrida em Vitória da Conquista, neste domingo, 7.

Durante o Levante Mulheres Vivas, no bairro Brasil, em frente ao Centro Cultural Glauber Rocha, Keila contou sobre o sofrimento causado pela perda da filha e agravado pela demora na responsabilização do feminicida. Amauri foi condenado a 33 anos e 8 meses de prisão quatro anos após o crime.

“Estamos no limite, está todo mundo cansado de ouvir falar de feminicídio, de violência e as pessoas me perguntam: quando você vai parar de postar sobre isso? E eu respondo: quando nós mulheres formos respeitadas independente da nossa roupa, da nossa opinião”, afirmou Keila.

Keila Souto, mãe de Ana Luiza, assassinada por Amauri dos Santos Araújo em 2021. Foto: Lívia Arcanjo.

A mãe de Ana Luiza não foi a única que relatou ter tido a sua vida atravessada pela violência cometida por homens contra as mulheres. A psicóloga Aracely Schettine Paiva contou que por pouco não virou estatística. A jornalista Lays Macedo afirmou que foi vítima de violência sexual e destacou a misoginia e a falta de preparo de órgãos e instituições que deveriam acolher as mulheres.

“Homens que perseguem e violentam mulheres são queridos, continuam sendo amados e respeitados, enquanto mulheres adoecem tentando sobreviver. E a sobrevivência a que custo? Com medo, sem acesso à segurança pública capacitada, sem acesso a institutos médicos legais com profissionais que realmente se atentem à condição de violência de gênero contra a mulher e suas particularidades”, disse Lays.

A representante da União de Mulheres de Vitória da Conquista, Maria Otília Soares, chamou a atenção para o fato de que o enfrentamento à violência de gênero é uma tarefa coletiva. “É dever de homens e mulheres”, destacou. “Os feminicídios não são cometidos por monstros ou pessoas que a gente não conhece, eles acontecem dentro das nossas casas, do nosso ambiente de trabalho”, ressaltou a cientista social e representante do Movimento de Mulheres Olga Benário, Jessica Fontes.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2024, o Brasil registrou 1.492 feminicídios, o maior número desde que a Lei do Feminicídio entrou em vigor, em 2015. Os repetidos casos de violência contra as mulheres pelo país levaram movimentos sociais a se mobilizarem, culminado no Levante Nacional Mulheres Vivas. Em Conquista, o ato começou às 9h e se encerrou por volta das 12h.

Com um carro de som e microfone, as mulheres presentes se revezaram para fazer falas. Muitas relataram suas próprias experiências com a misoginia e a violência. Nos cartazes, haviam pedidos por mais leis de proteção, chamados sobre a importância da denúncia e clamores por liberdade. Também foram expostas placas com nomes de mulheres vítimas do feminicídio como forma de homenagem.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Feminicídio na Bahia

Na Bahia, entre 2017 e 2024, o estado registrou 790 feminicídios, o que representa uma vítima a cada três dias, de acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) e a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).

Somente em 2024, a SSP-BA contabilizou 111 feminicídios no estado. A maioria dos crimes ocorreu dentro das casas das próprias vítimas e, em mais de 80% dos casos, o agressor era o companheiro ou ex-companheiro. Os registros revelam também o uso predominante de arma branca, seguido de arma de fogo. O perfil das vítimas, segundo os dados oficiais, mantém um padrão que expõe desigualdades estruturais, sendo, em grande maioria, mulheres negras, com idades entre 30 e 49 anos.

*Esta matéria foi publicada originalmente pelo Conquista Repórter

Uma resposta para “Mulheres Vivas: ato em Conquista denuncia aumento da violência de gênero”

  1. […] a facadas em casa em janeiro de 2026. Já em Vitória da Conquista, município polo da região, episódios de feminicídio e tentativas de feminicídio registrados nos últimos anos evidenciam que a violência de gênero persiste. Casos como o da […]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *