Nordeste lidera no crescimento de novos veículos jornalísticos, segundo Atlas da Notícia 2025
Entre os noves estados nordestinos, mais de 200 novos veículos jornalísticos surgiram 14 de julho de 2025 Sarah Andrade*O levantamento de 2025 do Atlas da Notícia, divulgado dia 10 de julho, registrou uma nova redução de desertos noticiosos no Brasil. O Nordeste lidera a expansão de novos veículos jornalísticos em mais de 200 municípios.
Nos últimos dois anos, houve uma diminuição de 7,7% no número de municípios classificados como desertos de notícias no país, como são chamados aqueles sem nenhum veículo jornalístico. Ao todo, 208 cidades passaram a contar com ao menos um veículo local.
Na Bahia, foram mapeados 874 veículos jornalísticos, dos quais 861 permanecem ativos. Treze iniciativas foram encerradas, sendo nove online, três de jornalismo impresso e uma de rádio. Em Vitória da Conquista, há atualmente 31 veículos ativos, distribuídos nos meios online, impresso, televisão e rádio.
No cenário nacional, a maior expansão ocorreu no Nordeste, onde 143 municípios deixaram de ser desertos de notícias. A região incorporou 283 novos veículos à base do Atlas, o que representa um crescimento de 10,96% em relação ao levantamento anterior, realizado em 2023. Apesar disso, o Nordeste ainda concentra o maior número absoluto de cidades sem jornalismo local, com 890 localidades, o equivalente a 49,61% da região.
Entre os 890 municípios do Nordeste classificados como desertos de notícias, 152 estão na Bahia. Já entre os 654 municípios considerados quase desertos (com apenas 1 ou 2 veículos), 176 são baianos. Por fim, das 904 cidades classificadas como não desertos de notícias (com 3 ou mais veículos), 89 estão localizadas no estado.
No Sudoeste baiano, os municípios de Anagé, Guajeru, Jacaraci, Maetinga, Mirante, Piripá e Ribeirão do Largo foram classificados como desertos de notícias. Já na categoria de quase desertos, encontram-se as cidades de Aracatu, Barra do Choça, Belo Campo, Bom Jesus da Serra, Caetanos, Cândido Sales, Caraíbas, Cordeiros, Encruzilhada, Licínio de Almeida, Mortugaba, Planalto, Presidente Jânio Quadros e Tremedal. Apenas três cidades da região foram classificadas como não desertos de notícias: Condeúba, Planalto e Vitória da Conquista.
Segundo Sérgio Spagnuolo, coordenador de dados do Atlas, os números de 2025 apontam dois movimentos principais: a substituição de veículos impressos por digitais e o surgimento de pequenas iniciativas jornalísticas. “Os dados do Atlas da Notícia servem como um retrato do estado do jornalismo local no país, permitindo perceber os movimentos, os aumentos e recuos da cobertura jornalística nos territórios”, disse em entrevista à Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
A presença de novas iniciativas digitais impulsionou a redução dos desertos de notícias. O segmento online aumentou 8,9%, passando de 5.245 para 5.712 veículos cadastrados no país. Desses, 32,5% são blogs ou iniciativas individuais. Desde 2020, no entanto, 651 veículos online encerraram atividades, sendo 334 deles nos últimos dois anos.
Atualmente, de 5.570 municípios brasileiros, 2.504 não possuem nenhum veículo jornalístico em atividade. Nessas localidades vivem cerca de 20,66 milhões de pessoas, o que representa 10,2% da população. Isso significa que, a cada 20 municípios, 9 estão sem cobertura jornalística local.
Sobre o Atlas
A base de dados do Atlas reúne 14.809 veículos jornalísticos ativos no país, sendo 5.712 digitais, 4.994 rádios, 2.852 impressos e 1.251 emissoras de televisão. A coleta de informações é feita por uma rede de colaboradores coordenados por cinco pesquisadores regionais, sendo eles, Jéssica Botelho (Norte), jornalista e pesquisadora, Angela Werdemberg (Centro-Oeste), coordenadora do Atlas da Notícia e professora na Universidade Uniderp, Mariama Correia (Nordeste), jornalista e editora da Agência Pública, Dubes Sônego (Sudeste), jornalista formado pela UFSC, e Marcelo Crispim da Fontoura (Sul), professor de jornalismo de dados e desinformação na Famecos-PUCRS.
De acordo com Marco Túlio Pires, gerente de parcerias do Google para a indústria de notícias, o Atlas é uma das principais fontes de dados sobre o ecossistema jornalístico brasileiro e contribui para a formulação de projetos e parcerias voltados ao setor. “A partir do cruzamento de informações do Atlas e outros estudos relevantes, o Google desenha iniciativas e parcerias que buscam o crescimento e o desenvolvimento das empresas de notícias na era digital”, disse em entrevista à Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
Além da visualização de dados, a plataforma oferece uma API pública e uma área exclusiva para cruzamento de informações com outras bases, voltada a jornalistas, pesquisadores e acadêmicos.
O Atlas da Notícia é uma iniciativa do Projor, com apoio técnico do Volt Data Lab. A edição atual foi financiada pelo Google e contou com apoio institucional da Abraji, Intercom, ABEJ e SBPJor. Mais informações e os relatórios regionais estão disponíveis no site.
*Sarah Andrade é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.
Foto: Arte de Aleksandra Ramos/Observatório da Imprensa