Núcleo Viva é inaugurado para combater a violência contra a mulher em Conquista
Iniciativa é fruto de uma parceria entre a Universidade Federal da Bahia e a 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher 2 de setembro de 2025 Nanda DedaDesde o dia 22 de agosto, Vitória da Conquista conta com um novo equipamento para atender mulheres em situação de violência, o Núcleo VIVA – Vida, Integridade, Valorização e Acolhimento. Instalada no Fórum João Mangabeira, a unidade é uma iniciativa de extensão do Instituto Multidisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia (Ufba/IMS), em parceria com a 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
A inauguração aconteceu durante a 30ª Semana da Justiça pela Paz em Casa, ação nacional promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Participaram do evento representantes de órgãos como Defensoria Pública, Ministério Público, Centro de Referência da Mulher Albertina Vasconcelos (Crav), Ronda Maria da Penha, Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores.
Composto por estudantes da Ufba e servidores da Vara de Violência Doméstica, o Núcleo VIVA oferece acolhimento, atendimento psicossocial e orientação jurídica para mulheres em situação de violência. Além disso, tem como objetivo coletar dados para traçar o perfil sociodemográfico das vítimas, a fim de contribuir para a criação de políticas públicas.
Durante a inauguração, a desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia, Nágila Brito, ressaltou a necessidade de promover o acompanhamento psicossocial para que as mulheres possam identificar o ciclo da violência. “A violência não é só física, é também psicológica, o que leva a mulher a se autodepreciar e não enxergar aquela como uma situação de violência. É um caminho para o feminicídio. Então esse núcleo vai receber as nossas mulheres, entender a situação que estão vivendo e ajudá-las a sair”, disse.
O Juiz da 1ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Vitória da Conquista, Alerson Mendonça, destacou que o núcleo funcionará como um espaço de escuta qualificada. “Além da mulher ser escutada, ouvida e acolhida, ela também será orientada sobre todos os serviços que tanto o Estado quanto o município oferecem. Do ponto de vista do sistema de justiça, isso inclui as Polícias Civil, Militar, a Ronda Maria da Penha, a Ronda Rural, e os serviços municipais como o Crav, a Secretaria da Mulher e todos os equipamentos disponíveis para protegê-las”, explicou.
Rede de proteção
Para atender as mulheres em situação de violência, Vitória da Conquista conta com o Centro de Referência da Mulher Albertina Vasconcelos (Crav), a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres (SMPM) e a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM). Além disso, existem serviços nacionais que podem ser acionados, como a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180).
Criado em 2006, o Crav oferece acolhimento e serviços especializados às mulheres em situação de violência, atuando no resgate de vítimas e na garantia dos seus direitos. A equipe conta com assistente social, psicólogas e advogadas. A sede está localizada na Av. Jesiel Norberto, nº 40, no bairro Candeias. O telefone para contato é (77) 3424-5325.
A SMPM foi criada em 2023 para combater à violência de gênero e auxiliar na promoção da autonomia das mulheres, principalmente por meio de palestras e cursos. A secretaria fica na Rua São Geraldo, nº 650, no Centro. O telefone para contato é (77) 3229-3837.
Já a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) está localizada na Rua Humberto de Campos, nº 205, no bairro Jurema. Desde outubro do ano passado, a unidade funciona por 24 horas. Ela foi criada para atender mulheres em casos de emergência e fazer registros de ocorrências. Para contatar a DEAM, o número é (77) 3425-8369.
Dados da violência
Em 2024, o Brasil registrou um novo recorde de feminicídios. Foram 1.492 mulheres assassinadas, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. O número é o maior desde a criação da lei do feminicídio, em 2015, e representa um aumento de 1% em relação ao ano de 2023.
Na Bahia, entre 2017 e 2024, foram 790 mulheres mortas, uma a cada três dias. Os dados são da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA). As principais vítimas são mulheres adultas, entre 30 e 49 anos, e majoritariamente negras (pretas e pardas).
Acesse aqui uma reportagem do Site Avoador sobre o feminicídio.
*Nanda Deda é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.
Foto de capa: Secom/PMVC